Publicado por: Flávio Samara | 10/04/2009

Nosso amigo Copom


O Brasil passou por períodos de hiperinflação tão traumatizantes, que criaram na raiz de seu povo a aversão ao aumento generalizado dos preços. O Copom foi a instituição criada para combater este fenômeno e por enquanto tem obtido sucesso.

Antes dele, houve várias tentativas para domar a inflação. Várias mesmo. Tabelar ou até mesmo congelar preços, mascarar índices de inflação, acordos entre empregados e empregadores e por aí vai. Trocava-se de moeda a cada governo, a cada plano novo criado, mas a inflação sempre voltava.

Então, na década de 90, foi criado o Comitê de Política Monetária. “Copom” para os mais íntimos (www.bcb.gov.br). Seu formato foi baseado em experiências de outros países no combate a inflação utilizando um método inédito: a meta inflacionária. No Brasil, o alvo a ser perseguido é a inflação anual de 4,5%. Já foi maior antes. Convergir para menores valores é luxo de economias desenvolvidas, não confunda com ricas. O Chile, por exemplo, persegue uma meta de 3%.

E como levar a inflação para a sua meta? Através da taxa básica de juros. No país tupiniquim, é chamada de taxa Selic. Através da elevação e queda da mesma, o Copom consegue influenciar a economia em diversos níveis, desde o empresário até o comerciante e o assalariado.

A taxa de juros age na economia por diversos canais que não cabe discutir nesse espaço. Porém, deve-se ter em mente: não é de efeito imediato. Subir os juros hoje, não trará a inflação para baixo amanhã. Por isso, o Copom age de maneira cautelosa, chegando próximo de vagarosa. Pois a economia é um transatlântico e nem adianta tentar manobrar como se fosse um fusca.

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Responses

  1. “Porém, deve-se ter em mente: não é de efeito imediato”.

    Vc conhece o tal “modelinho do Ilan” que o Mantega adorava criticar?

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  2. Caro Lugon,

    Sim, o Ilan Goldfajn escreveu inúmeros estudos pelo Banco Central sobre o método de “Inflation Target”. Acredito que o Mantega adora criticar aquilo que ele não compreende, ou se recusa a compreender.

    Porém, não posso deixar de concordar com a declaração do Sr. Henrique Meirelles de que os modelos devem ser complementares a análise. Nunca como verdades inquestionáveis. Ainda mais na atual conjuntura de quebra estrutural da economia mundial, onde a Política Monetária requer altas doses de intuição ou mesmo ”arte” por parte dos formuladores.

    Agradeço pelo comentário!
    Abs,
    Flávio

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