Publicado por: Flávio Samara | 16/04/2009

Quem culpar?


Em algum lugar deve existir um ditado, alguma citação dizendo algo desse tipo: é fácil botar a culpa em outra pessoa. Ainda mais, se puder culpar tudo em uma única pessoa. Em termos de economia, apesar de muito praticado, nunca está certo.

Pergunte a definição de “economia” e sempre haverá várias respostas. Afinal, é de tamanha complexidade que não pode haver apenas uma definição. Para este caso, acredito que seja a definição apropriada: “é a interação de agentes (famílias, indivíduos, empresas, bancos, governos), baseado nas decisões dos mesmos sobre como utilizar os ativos (dinheiro, propriedades, habilidades e tempo) que possuem”.

Consideremos que existam 5 bilhões de pessoas no mundo. A economia mundial é resultado de infinitas interações entre essas pessoas. Como então pode-se culpar algumas, um povo, uma nação, duas nações pela atual crise econômica? A hipocrisia é maior ainda, pois todos estavam se aproveitando da exuberância de antes. A mesma exuberância que por fim deflagrou a atual crise.

Houve, por assim dizer, extrema confiança de todos agentes. Uma confiança que ultrapassou os limites do racional, pois os riscos foram menosprezados. Chegou-se a acreditar que crises estavam no passado. Assim como a inflação. O crédito expandiu em termos nunca antes vistos baseados na teoria absurda de que os preços de casas nunca parariam de subir. Onde se liga isso? Hipotecas. Juros baixos garantem que os preços imobiliários em ascensão possam suprir o pagamento de empréstimos, em especial feitos para o consumo. Até que perceberam que não era bem assim. Os preços inverteram sua trajetória e começaram a cair. E permanecem caindo desde então. EUA, Irlanda, Espanha, Inglaterra, para citar alguns que caíram nesta armadilha.

Porém, não se pode concentrar a responsabilidade por tudo nestes países. Afinal, todos lucraram. Pegue o nosso Brasil brasileiro, por exemplo. Cantou nos versos do crescimento global, exportando produtos nacionais e assim aumentando a renda doméstica. Menor aversão ao risco mundial trouxe recursos financeiros externos para o país e as empresas locais se aproveitaram disso para aumentar a produção, gerar mais emprego e levar mais famílias para a tão sonhada faixa da classe média.

Uma analogia para terminar: a festa estava rolando solta. O anfitrião era o amigo mais rico de todos e ele que estava pagando pelas bebidas. Quando finalmente acabou o goró e começou a ressaca, é justo culpar o anfitrião pela qualidade da bebida? Afinal, ninguém tinha sido obrigado a beber. E até então, estavam todos chapados curtindo o ritmo da música.

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Responses

  1. Muito boa analogia, no fundo todos estavam na festa, uns chegaram mais tarde, outros mais cedo, e todos aproveitaram muito. A ressaca deve demorar um pouco para passar ainda, mas será que aqueles que hoje estão com dores de cabeça e indigestão hoje vão se lembrar disso na próxima festa? Será que vão beber igual ou vão aprender algo com isso ?

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