Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 27/04/2009

E as jóias da rainha, Darling?


Um das regiões mais fortemente afetada pela crise economica mundial foi o Reino Unido. Apesar da economia ter crescido, na média, mais de 2% nos últimos cinco anos (sendo a 6ª economia do mundo, segundo o FMI), o futuro da região não é dos melhores. no curto prazo. Pouco antes da crise, era possível ver em Londres diversos empreendimentos imobiliários operando em plena capacidade, as construções das instalações para a olimpíada de 2012 já estavam em andamento e o desemprego chegava a 5,6% (ao final de 2008), enquanto no Brasil a taxa era de 6,8%. Apesar disso, tem-se degradado a perspectiva de uma melhora na economia inglesa.

Uma rápida comparação entre do Reino Unido e o Braisl, de acordo com as últimas projeções do FMI feitas em janeiro e em abril dessse ano permite compreender que nos próximos 2 anos, no mínimo, a economia da rainha estará em recessão.reino-unido-brasil-pib A crise financeira atingiu em cheio a economia, resultando em uma queda das receitas do governo (menor arrecadação de impostos) e mais gastos na área social, contribuindo ambos para um aumento do déficit do governo. Segunda a revista “The Economist” (“Desperate Measures”, 23 Abril 2009), a dívida líquida do governo representava no ano passado 39% do PIB, atingindo 59% esse ano e com perspectivas de alcançar 79% até 2013-14. Nesse sentido o governo do primeiro ministro Gordon Brown, que esteve no Brasil pouco antes da última reunião d G-20, está em grande apreensão. Ele precisa demostrar que está comprometido não apenas com equilibrar os gastos do governo, já tendo sido proposto um corte de 0,7% ao ano, a partir de 2011-2012. O grande desafio é que em junho do ano que vem terão eleições no Reino Unido, e o futuro de Brown e do partido que esta no poder há 12 anos (iniciando por Tony Blair) está bastante escuro.

As medidas propostas de aumentar o Imposto de Renda das camadas mais ricas (considerando aqueles que auferem renda acima de 150 mil libras/ano) de 40% para 50% não ajuda a aumentar a populariedade do atual governo, mesmo entre aqueles que acham bom taxar mais os ricos, já que uma das promessas da última campanha era não aumentar os impostos. A crença do ministro das finanças britânico, Alistair Darling, de que a economia britânica estava protegida por choques caiu por terra por em três diferentes frentes: (i) a economia estava muito exposta à crise devido ao desejo de Londres e dos grandes bancos em ser um grande centro financeiro; (ii) o o crescimento do endividamento em relação à renda disponivel mais forte dentre os países do G-7 e, (iii) a especulação imobiliária que inflacionou o preços das imóveis no país.

No primeiro trimestre de 2009, a economia britânica encolheu 1,9%, seguida já de uma queda de 1,6% no quarto trimestre do ano passado. Esse foi o pior resultado nos últimos 30 anos. A produção industrial recuou 6,2% e foi o que mais contribuiu para a queda do PIB nesse trimestre, indicando grande desconfiança e cautela por parte dos empresários. Segundo Darling, 2009 terá a pior queda no PIB desde 1945.  Duas predições podem ser ditas: o resultado do PIB do Reino Unido indica a tendência do resutado dos outros países do G-7 e, mantendo esse clima de pessimismo e desconfiança, as chances de Brown no ano que vem devem cair na mesma proporção que o PIB. Nessa conjuntura, quem estará cuidando das jóias da rainha?

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