Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 30/04/2009

A timidez do Banco Central (?)


Foi decidido ontem (29/04/09) um corte de 1 ponto percentual (p.p.) na taxa Selic, saindo de 11,25% ao ano (a.a.) para 10.25%a.a. Esse corte foi dentro das expectativas de mercado e é esse ponto que eu gostaria de ressaltar.  O Banco Central do Brasil (BCB) realiza uma pesquisa  com os principais agentes de mercado e divulga o chamado “Relatório de Mercado. Esse relatório é uma apresentação dos resultados da pesquisa de expectativas de mercado, um levantamento diário das previsões de cerca de 90 bancos e empresas não-financeiras para a economia brasileira, publicado toda segunda-feira. (link: Pesquisa Focus).

A Pesquisa de Expectativas de Mercado foi iniciada em maio de 1999, como parte da transição para o regime de metas inflacionárias. Seu objetivo é monitorar a evolução do consenso de mercado para as principais variáveis macroeconômicas, de forma a gerar subsídios para o processo decisório da política monetária.

Atualmente, a pesquisa acompanha as expectativas de mercado para diferentes índices de preços, crescimento do PIB e da produção industrial, taxa de câmbio, taxa Selic, variáveis fiscais e indicadores do setor externo. Em novembro de 2001, a Gerin criou uma página específica na internet (www.bcb.gov.br/expectativa) para a realização da pesquisa, com acesso restrito a instituições com login e senha específica. Em conseqüência, o Banco Central pode acompanhar o estado de expectativas em tempo real.” (BCB)

Em apenas uma das últimas três reuniões do BC, a expectativa dos agentes realmente se confirmou. Isso significa que o BC tem agido de maneira mais positiva do que esperava a economia (existe sim um viés para tal expectativa pois o BC tem um perfil bastante conservador). As críticas em relação às taxas de juros vêm, em grande escala, dos empresários e industriais, políticos e economistas desenvolvimentistas.

selic-brasil

O comprometimento do BC é com a meta de inflação, que tem convergido de maneira positiva desde que foi criada e, mantendo a inflação sobre controle, muitas outras perspectivas se abrem para a população brasileira, sobretudo os que estão na base da pirâmide.

O consumo geral de bens e serviços no Brasil foi impulsionado sobretudo pelo ganho real de renda dos trabalhadores. Esse ganho só foi um ganho pois a inflação está controlada. Sem esse controle, apenas aqueles que conseguem se precaver da perda de poder de compra (minoria da população) não perde com o aumento da inflação. Basta voltar apenas alguns anos na historia do país e ver que os que mais se beneficiaram nos últimos anos foram as pessoas menos favorecidas de poder econômico.

O BC não é tímido (como tem dito alguns líderes de federações, câmaras de comércio e homens públicos), ele é técnico e acerta em baixar a taxa de juros, acerta nas magnitudes e com foco nas perspectivas da inflação futura do país e crescimento. Se o ritmo de corte ou a defasagem das decisões incomodam empresários e políticos, é porque esses não estão comprometidos com o desenvolvimento da sociedade, apenas com seus próprios interesses de curto prazo.

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