Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 09/06/2009

Enquanto isso, no velho continente…


O PIB da Alemanha no primeiro trimestre mostrou recuo de 3,8%  (divulgação) em relação ao trimestre anterior. O resultado não parece tão negativo quanto o resultado do PIB dos Estados Unidos no mesmo período, -5,7% em termos anualizados (divulgação) mas está definitivamente bastante acima da vizinha França, que registrou -1,2% de queda no produto do primeiro trimestre (divulgação) e do resultado do PIB da Suécia, -0,9% (divulgação) . Esses resultados contudo confirmam a recessão técnica, que é a leitura de 2 trimestres de queda no produto em relação ao trimestre imediatamente anterior. Os dados para os mesmos países no último trimestre de 2008 já apontavam queda do PIB da ordem de -2,2% na Alemanha, -6,3% nos Estados Unidos, -5,0% na Suécia e -1,5% na França.

Esses dados corroboram a visão de que o primeiro trimestre de 2009 no velho continente foi um dos piores desde a segunda guerra mundial e em linha com a deterioração da economia americana. O grande vilão da queda dos PIB’s foi o consumo privado (2 vias: o consumo nacional, que impacta essa determinante do PIB; e o consumo dos outros países, que impacta as exportações. As previsões para o futuro do continente europeu não são animadoras. O Banco Central Europeu (BCE) acredita em uma contração de até 5,1% no PIB da zona do Euro, segundo a última conferência realizada no dia 04/06/09 (press conference). A contração da economia já registrou -1,8% no quarto trimestre de 2008 e -2,5% nos primeiros três meses desse ano. São esperadas taxas de crescimento positivas apenas a partir da segunda metade de 2010, com estimativa de crescimento de -1% a 0,4% no resultado do ano.

A tradicional demanda dos empresários para o corte de juros para incentivar a demanda não parece ser mais uma alternativa para os países da União Européia. Atualmente a taxa de juros nominal está em 1%, a mesma taxa adotada pelo Bank of England, que conta com previsão de queda do PIB de -3,25% a -3,75%, em 2009, e crescimento de 1% a 1,25% já em 2010, segundo o último relatório, publicado em abr/09.

A segunda demanda, por parte da sociedade como um todo, de medida para incentivar a economia são os cortes de impostos. Nesse contexto, tem-se no mínimo 2 consequências. A primeira consequência depende de onde será feito o corte, se nos impostos pagos pelos empresários/industriais ou se o imposto sobre a renda dos consumidores. Um dos cortes claramente irá incentivar um ou outro setor e trará benefícios apenas para esses setores e distorções relativas em relação ao resto da economia. O outro corte, que impacta positivamente a renda dos consumidores, gera um benefício para todos os setores como um todo. A segunda consequência é que um corte de impostos (assumindo a hipótese que a economia se encontra à esquerda na curva de Laffer), reduz a arrecadação do governo. Esse último ponto tem adquirido grande relevância nos últimos debates. Nesse cenário de crise, os governos estão participando ativamente para amenizar os efeitos da mesma.

A perspectiva é que os gastos do governo destinados à programas de proteção social aumentem, invertendo a tendência dos últimos anos. Em 2006 (segundo divulgação recente), a conta alcançou 26,9% do PIB dos países da União Européia, com destaque para França, Suécia e Bélgica, com percentuais acima dos 30% do PIB nacional. A conta que mais deve crescer é com o pagamento de benefícios para desemprego, que saiu de 6,8% para 8,6% nos últimos 12 meses nos 27 países da união européia (EU27) e de 7,3% para 9,2% na zona do euro. No Brasil, segundo o IBGE, a taxa de desemprego atingiu 8,9%. O aumento do desemprego e dos benefícios pagos deve elevar o endividamento público no continente, que gira em torno dos 60% do PIB (EU27) e pouco mais que isso em países como França e Alemanha. Esse cenário pode migrar para até 80% nesse último país segundo relatório do Deutsche Bundesbank (Banco da Alemanha).

Resultados como esses começam a levantar dúvidas sobre o futuro dessas economias. Em 21/04/09, em publicação na revista “The economist”, a agencia brasileira de classificação de risco SR Rating questionou a classificação dos títulos públicos americanos, clasificando como AA ao invés de AAA. Seria o caso de rever esse conceitos também para os países europeus? Qual deve ser o impacto do aumento dos gastos do governo num cenário de queda de receitas? Será que as empresas de risco dos países emergentes não tem mais experiência real com riscos e instabilidades do que as economias desenvolvidas? Essas são perguntas que serão respondidas com o tempo, já que as respostas se baseiam em várias hipóteses que podem ou não vir a acontecer, mas vale a pena pensar a respeito.

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