Publicado por: Flávio Samara | 24/06/2009

Nosso amigo Copom [2]


Em post com título semelhantes, discuti sobre a taxa básica de juros, principal  ferramenta da autoridade monetária para atingir sua principal meta que é o controle inflacionário. Vou dedicar esse espaço agora para responder uma pergunta: por que combater a inflação?

Adentrar no mérito da hiperinflação é desnecessário. O próprio Brasil passou pelo episódio da forte alta nos preços,  consequente desvalorização da moeda e os efeitos desastrosos que trazem para o dia-a-dia. Apenas para citar mais dois episódios, temos o Zimbabué como mais recente e a Alemanha pós-Primeira Guerra Mundial como exemplo clássico. Porém, no caso de uma inflação um pouco acima do desejado, o conscenso já não é tão amplo.

A não estabilidade dos preços ou uma inflação não controlada, “causa confusão entre as famílias e firmas, portanto criando distorções nas decisões de poupança e investimentos(…), causa incentivos adversos para firmas investirem no capital produtivo (…), distorce os preços relativos trazendo ineficiência para a alocação de recursos (…) e distorce o serviço financeiro, aumentando a demanda por proteção contra a erosão do dinheiro pela inflação” (Mishkin, 2008). Portanto, inflação causa custos, traz incertezas e distorções para o planejamento futuro. Decisões de consumo, investimento e poupança já são cercados de incerteza pela sua própria inerência com um futuro que desconhecemos. Evitar algo que deixe mais nevoento esse futuro é a razão para se buscar a estabilidade nos preços.

E o que é a estabilidade nos preços? Como quantificar uma inflação saudável? Basta olhar para o sistema de metas, adotado por diversos países. Alguns operam de acordo com um intervalo inflacionário (EUA) e outros possuem um centro de meta que perseguem (Brasil, Reino Unido). O valor dessas metas derivam de estudos que avaliam uma inflação em torno de 2% como aceitável, garantindo o funcionamento da economia e diminuição das incertezas futuras sobre os preços. O Brasil tem o centro da meta em 4,5%, mas é natural que caminhe para valores menores à medida que a economia melhore seus fundamentos fiscais, tributários, legais e outros.

http://www.nber.org/papers/w13970


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