Publicado por: Flávio Samara | 22/07/2009

Futuro nebuloso


Diversos meios de comunicação registraram recentemente as opiniões da autoridade monetária de que a curva de juros estaria precificando um prêmio acima das projeções inflacionárias feitas pelo próprio Banco Central.

Traduzindo para o português, o Sr. Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, deu declarações de que a taxa de juros que é negociada pelo mercado (através de contratos firmados na BM&F), estariam com valores acima se fossem consideradas as expectativas de inflação para o futuro.

Antes de mais nada, vale dizer que  a taxa básica oficial (decidida pelo BC)  tem o alcance de um ano, sendo de efeito balizador sobre as taxas que vão além deste período e são negociadas por agentes variados, desde especuladores até investidores que desejam se proteger de flutuações ou riscos que considerem pertinentes no período que consideram.

Olhando para as taxas em si, percebe-se realmente uma alta nos prazos mais longos. A princípio poderia se causar confusão, pois a inflação está controlada e as expectativas futuras acompanhadas pelo BC estão estáveis. Porém, olhando para os mesmo jornais pode-se perceber a fonte para preocupação deste futuro nebuloso. Gastos correntes não param de crescer e o governo dá sinais confusos de como irá agir diante disto. Ao mesmo tempo em que fala em conter os gastos, aprovou diretrizes orçamentárias de manutenção na gastança mesmo com queda na arrecadação, causada pela menor atividade diante da atual crise.

Diante da piora na perspectiva para o controle fiscal, os juros se tornam a principal medida de defesa contra um governo gastador. Vemos então a alta nas taxas, que por fim afetam a retomada do crescimento, pois investimentos dependem de estabilidade no longo prazo e são tomados com base nessas taxas mais longas. Fica mais caro investir diante do descontrole estatal, mais um efeito perverso da política.

Então, certo está o Sr. Meirelles em questionar o valor das taxas de juros. Certo está, pois realmente nada tem haver com o risco inflacionário. O risco em questão é o fiscal, que infelizmente escapa do raio de ação da autoridade monetária. É cruzar os dedos para a economia reagir e a arrecadação voltar por inércia, senão a conta mais na frente ficará difícil de pagar.

* para mais informações sobre o contrato de negociação da taxa de juros: http://www.bmf.com.br/portal/pages/frame_home.asp?idioma=1&link=/portal/pages/contratos1/Financeiros/PDF/DIfuturo.pdf


Responses

  1. “Antes de mais nada, vale dizer que a taxa básica oficial (decidida pelo BC) tem o alcance de um ano”?!? a SELIC é uma taxa overnight anualizada … nao uma taxa com alcance de um ano … ela baliza a curva de juros sem incluir expectativas apenas pelo periodo entre reunioes.

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  2. Caro economista,

    Por “alcance de um ano”, eu quis dizer que a taxa é fixada no período de um ano. Por exemplo, 12% a.a. (ao ano). Sim, ela baliza a curva de juros que resulta das negociações dos contratos de DI, porém também fixa a remuneração de papéis da dívida pública devidamente indexados a esta taxa.

    Agradeço pelo comentário.

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