Publicado por: Flávio Samara | 13/08/2009

W


O otimismo que está sendo esbanjando pela maioria simplesmente não consegue me contagiar. Não que eu imagine que a humanidade não tenha solução, salvo exceções, porém simplesmente não vejo as principais causas da crise passar por soluções estruturais.

A queda brusca da produção que vimos no final do ano passado e durante o semestre de 2009 foi ocasionada pela onda de pessimismo que atingiu o empresariado, forte estagnação na concessão de crédito e, por fim, queima nos estoques. O que gerou esse ciclo já é objeto de debate, discutindo-se entre o espírito aventureiro-irresponsável do setor financeiro e o desbalanço das principais economias mundiais (déficits e superávits gigantescos de EUA e China, respectivamente).

Eu acredito que a principal causa veio deste desbalanço econômico. Os bancos foram o catalisador para acelerar e causar maiores danos. Mas o estopim foi o consumo desenfreado das economias maduras (principalmente os ianques), financiado por economias emergentes exportadoras (em especial a China).

Pois bem, o que foi feito em relação a esses dois problemas? Os bancos não voltarão a alavancar em títulos indexados em hipotecas, pois isso seria pura estupidez. Porém não vejo uma nova cultura para com essas instituições no que se refere a “cortar as asas” de Wall Street. Segue o esquema de bônus milionários, que apenas incentiva a prática de outras alavancagens na atividade especulativa. Sugiro uma maior cobrança de IR sobre esses ganhos. Se vão botar a economia do país em risco novamente, porque não socializar os ganhos em vez de somente as perdas?

E o consumo norte-americano não deve crescer tão cedo e com certeza não chegará próximo do que era na pré-crise. Insustentável. A China precisa mudar o foco de sua economia de exportadora para o consumo interno. E isso significa mexer em pilares culturais, pois bem sabemos do hábito oriental de grande poupador. Não dá para já tomar o lugar dos EUA, a cultura do consumismo, e absorver sua própria produção no curto prazo.

“Tá bom esperto, o que fez melhorar agora então?”. Acredito que a melhora que houve na economia mundial foi movido à grande expansão fiscal e a reposição de estoques. Aí reside o problema: o consumo financiado pelo governo tem prazo de validade e imagino que esteja no fim. Não vejo a esfera privada pronta para retomar o seu lugar na dinâmica para mover a economia. O melhor humor dos empresários moveu a produção para recuperar os estoques, mas o que fazer quando não houver mais recursos para consumir os novos produtos?

Por isso acho adequada a opinião de que a economia mundial passa por um “W”. Cai bruscamente, se recupera, porém os problemas estruturais ainda não foram resolvidos e a economia mergulha novamente. Aí aprendem (será?) e aplicam as soluções necessárias e tudo volta ao normal (será?).


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