Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 29/09/2009

O Colapso: Dano ambiental e Mudanças Climáticas


Dos cinco fatores citados no post anterior, o dano ambiental e as mudanças climáticas merecem uma explicação introdutória, uma vez que todos os cinco serão sempre considerados nos exemplos do livro e também serão temas de posts futuros.

Dano Ambiental (1) – “O primeiro conjunto de fatores envolve os danos que as pessoas inadvertidamente infligem ao meio ambiente(…). A exten­são e a reversibilidade de tal dano dependem em parte de propriedades inerentes às pessoas (ex: quantas árvores cortam por hectare a cada ano) e, em parte, de propriedades inerentes ao meio ambiente (ex: quantas sementes germinam por hectare e quão rapidamente as árvores crescem por ano). Tais propriedades ambientais referem-se tanto à fragilidade (suscetibilidade a dano) quanto à resiliência (o potencial para se recuperar dos danos sofridos), de modo que é possível falar separadamente de fragilidade ou resiliência de uma área florestal, de seu solo, de suas populações de peixes, e daí por diante. Portanto, o porquê de apenas certas sociedades sofrerem colapsos ambientais pode em princípio envolver tanto a excepcional imprudência de seus povos, a fragilidade excepcional de alguns aspectos de seu meio ambiente, ou ambas as coisas ao mesmo tempo.

Mudanças Climáticas (2)- A mudança climática, nos dias de hoje, está associada  com o aquecimento global provocado pelo homem mas, “o clima pode ficar mais quente ou mais frio, mais úmido ou mais seco, ou mais ou menos variável entre meses ou anos devido a alterações de forças naturais que influenciam o clima e que nada têm a ver com os seres humanos“. Alguns exemplos dessas forças naturais incluem as mudanças de temperatura produzidas pelo sol, erupções vulcânicas que lançam poeira na atmosfera, mudanças na orientação do eixo da Terra em relação à sua órbita, e mudanças na distribuição de terra e do mar sobre o planeta.

As mudanças climáticas naturais tanto podem melhorar quanto piorar as condições de uma sociedade em particular, e podem beneficiar uma sociedade enquanto prejudica outra. Em muitos casos históricos, uma sociedade que estava exaurindo os seus recursos ambientais podia absorver as perdas desde que o clima fosse benigno, mas seria levada ao limiar do colapso quando o clima se tornasse mais seco, mais frio, mais quente, mais úmido, ou mais variável. Podemos dizer, então, que o colapso foi causado pelo impacto ambiental humano ou por mudanças climáticas naturais? (…) Na verdade, se a sociedade já não tivesse exaurido parte de seus recursos naturais, poderia ter sobrevivido à falta de recursos causada pela mudança climática. Em vez disso, só foi capaz de sobreviver à exaustão de recursos que se auto-infligiu até que as mudanças climáticas produzissem uma maior falta de recursos. O que demons­trou ser fatal não foi nenhum dos fatores isoladamente e, sim, a combina­ção de impacto ambiental com mudança climática.

Abaixo temos algumas simulações que foram feitas com diversos modelos climáticos que compara de que maneira as temperaturas médias globais e continentais poderiam ter evoluído apenas com as forças naturais (intervalo da faixa azul) contra a evolução das temperaturas com a ação do homem inclusas, indicando que estamos acelerando as mudanças climáticas e que isso deverá ter consequências graves .

Mudanças de Temperatura Global e ContinentalMudanças de Temperatura Global e Continental

"Comparison of observed continental- and global-scale changes in surface temperature with results simulated by climate models using either natural or both natural and anthropogenic forcings. Decadal averages of observations are shown for the period 1906-2005 (black line) plotted against the centre of the decade and relative to the corresponding average for the period 1901-1950. Lines are dashed where spatial coverage is less than 50%. Blue shaded bands show the 5 to 95% range for 19 simulations from five climate models using only the natural forcings due to solar activity and volcanoes. Red shaded bands show the 5 to 95% range for 58 simulations from 14 climate models using both natural and anthropogenic forcings." (IPCC - Climate Change 2007: Synthesis Report)


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