Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 24/11/2009

O Colapso: Desafios de Montana, EUA (IV)


Além dos problemas de Montana discutidos nos posts anteriores ( “I”, “II”, “III”), outros problemas menores são discutidos no livro. Os problemas de erosão do solo, introdução de novas espécies ao ambiente, salinização da água e mudanças climáticas são melhor vistos em outros exemplos, mas afetam Montana de maneira razoável.

A erosão do solo pode estar associada a várias práticas não sustentáveis: a plantação de macieiras no Vale Bitterroot, uma vez lucrativa, absorve maiores quantidades de nitrogênio que o ambiente naturalmente possa repor, de maneira prejudicial à qualidade do solo para futuras plantações; os fazendeiros que compraram um pedaço de terra por um preço que ela não vale tentam recuperar o dinheiro através de praticas intensivas de cultivo ou pastoreio, assim como arrendatários de terra que tem um tempo delimitado para explorar a terra, destruindo também assim aquilo que é a fonte de riqueza.

A salinização é um outro evento que fragiliza o solo em Montada. Esse é um processo tem como consequência o acumulo de sal no solo e mananciais subterrâneos, que pode decorrer devido à praticas erradas de irrigação e retirada da cobertura vegetal natural. A salinização pode fazer aumentar a pressão osmótica do solo, por exemplo, dificultando às raízes absorver a água do solo. Outro processo que pode intensificar a salinização (ou infiltração salina) é um tipo de método industrial de extração do metano para obter esse gás das jazidas de carvão. Esse método consiste em fazer buracos no carvão e bombear a água para trazer o gás para superfície, que resulta também na dissolução de outros sais presentes no carvão.

“(…) quando um fazendeiro limpa a vegetação nativa para praticar agricultura de alqueive – na qual um produto com colheita anual como o trigo é plantado durante um ano e, então, a terra é deixada des­cansando durante o ano seguinte – não há raízes para absorver a água da chuva durante o ano de pousio. A água da chuva se acumula no solo, en­charcando-o abaixo da camada de raízes, e dissolve os sais ali armazena­dos, que então afloram à região das raízes à medida que sobe o nível da água. Como o leito de pedras é impermeável, a água salgada não penetra profundamente no subsolo, mas emerge em algum lugar mais abaixo como uma infiltração salina. O resultado é que as plantações crescem menos, ou não crescem, tanto na terra alta onde surgiu o problema quanto na área mais abaixo onde emergiu a infiltração.”

Parque Nacional de Glacier

As mudanças climáticas também afetam bastante Montana. Como consequência, todo sistema de irrigação e abastecimento de água dos rios e aquíferos é comprometida, uma vez que a água vem do derretimento natural das geleiras durante o verão. O Parque Nacional de Glacier foi visitado por naturalistas em fins do século XIX, pela primeira vez, onde foram constatadas 150 geleiras, muito mais do que as 35 que são contabilizadas agora e em tamanho bem reduzido ao anterior, indicando que, nesse ritmo, o Parque Nacional de Glacier, até 2030, não terá mais geleiras. Uma apresentação (90Mb) do U.S. Geological Survey apresenta diversas fotos do “antes” e “depois”, uma comparação de cenários de Montana, no Parque Nacional de Glacier, todos eles com claras evidências do aquecimento global e dos seus impactos num ambiente que é de fácil acesso à cientistas e naturalistas. A disponibilidade de água torna-se um problema ainda maior quando a “oferta” de água está indicando contração e a “demanda” por parte de moradores e, sobretudo, novos moradores e agricultores (que precisam de mais água para irrigar um clima mais seco) têm crescido.

Por fim, a introdução de novas espécies (ou perda de espécies nativas), como aconteceu em Montana, também podem levar a grandes problemas ambientais e  econômicos. Peixes como a truta “garganta-cortada”, a truta boi, o tímalo do Ártico são hoje peixes raro em Montana devido a vários problemas, dentre eles a introdução das truta “arco-íris“, trutas do córrego, trutas marrom, truta do lago e do peixe lúcio, os últimos 2 sendo predadores de outros peixes e introduzido ilegalmente por pescadores que gostavam de pescar esses peixes. Doenças trazidas com peixes de outras partes do globo também contribuem para reduzir a população de peixes em Montana.

Além disso, as ervas daninhas também são citadas no livro, algumas dessas são plantas que secretam substancias químicas, destruindo outras plantas nativas e se reproduzem rapidamente, outras estendem suas raízes por alguns metros no solo, absorvendo muito mais água do que as plantas nativas, prejudicando assim todo um equilíbrio ambiental. As soluções para combater essas ervas daninhas passam por “arrancar es­pécimes, aplicar herbicidas, mudar o uso de fertilizantes, liberar insetos e fungos inimigos delas, provocar pequenos incêndios controlado“, prejudicando ainda mais o solo de Montana, a vida selvagem, as atividades de agricultura e as de pastoreio.

Assim, a aparentemente imaculada Montana na verdade sofre de sérios problemas ambientais envolvendo rejeitos tóxicos, florestas, solos, água, mudanças climáticas, perdas de biodiversidade e introdução de pragas. Todos esses problemas se traduzem em problemas econômicos e explicam por que a economia de Montana vem declinando nas últimas décadas a um ponto em que aquele que outrora foi um dos estados mais ricos dos EUA é agora um dos mais pobres.

Se ou como tais problemas serão resolvidos dependerá das atitudes e valores dos seus moradores. Mas a população de Montana está se tornando cada vez mais heterogênea e não consegue chegar a um acordo sobre o meio ambiente e o futuro de seu estado.

Não é tão difícil extrair outros exemplos no Brasil (como a região da Amazônia, Pantanal ou Mata Atlântica) e no mundo que tenham uma conclusão muito diferente dessa de Montana.

“Se ou como tais problemas serão resolvidos dependerá das atitudes e valores dos seus moradores. ”

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