Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 08/12/2009

O Colapso: Crepúsculo em Páscoa (I)


rapa_nui O capítulo sobre a Ilha de Páscoa (O Colapso: Como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso – Jared Diamond) é, na minha visão, um dos mais representativos do livro, no sentido que, os habitantes da ilha viveram, desenvolveram uma sociedade mas mantiveram-se quase todo o tempo isolados de qualquer contato com outros povos que  coexistiram com eles. Pensemos nos posts a seguir no Planeta Terra como um todo como sendo representado pela Ilha de Páscoa e como impactos ambientais e sociais podem causar drásticas alterações nos modos de vida.

Inicialmente, o mais importante é localizar a Ilha de Páscoa. A Ilha está a mais de 3.700km da costa do Chile e mais de 2.000km das Ilhas Pitcairn, de onde provavelmente vieram os primeiros moradores de Páscoa. A viagem hoje demora em torno de 5 horas partindo do Chile, demorava 17 dias de barco no século XVII, quando foi descoberta pelos europeus (partindo das ilhas mais distantes da Polinésia) e, provavelmente, mais alguns dias com as canoas polinésias (…no que diz respeito aos seus barcos, estes são ruins e frágeis, pois suas canoas são construídas com pequenas pranchas de madeira leve, que espertamente unem umas às outras com fios muito finos e retorcidos, feitos com a planta campestre acima mencionada. – Jacob Roggeveen, explorador holandês que avistou a ilha no Domingo de Páscoa, em 5 de abril de 1722).

A localização da ilha garante um clima subtropical  que é mais frio do que os padrões das outras ilhas da Polinésia. Assim, algumas plantas tropicais, como o coco (que são importantes no resto da Polinésia), não estavam presentes na ilha quando os primeiros moradores chegaram e o oceano ao redor é frio demais para a formação de recifes de coral, restringindo a quantidade de peixes e moluscos que vivem entre os corais, reduzindo então a disponibilidade de alimentos variados para a população. Apesar da consistir em um ilha vulcânica (com 3 vulcões presentes na ilha), com lava chegando a cobrir mais de 95% do território (que levaria a crer na fertilidade do solo), qualquer precipitação infiltra-se rapidamente no solo vulcânico e poroso da ilha,  limitando os suprimentos de água potável. As chuvas atingem precipitação média de apenas 1.300 mm, onde em outras ilhas atinge até 4.000 mm/ano.

Acredita-se que “os polinésios sabiam como identificar uma ilha muito antes que esta se tornasse visível, a partir da observação de bandos de aves marinhas que se afastavam em um raio de até 160 quilômetros da terra para se alimentarem”. Acredita-se que os polinésios atingi­ram a Ilha de Páscoa por volta do ano 900 d.C, por datações radiocarbônicas (através de amostras de carvão e de ossos de golfinhos que serviram de alimento para seres humanos, extraídas das mais antigas camadas arqueológicas que oferecem prova de presença humana).

“Os próprios pascoenses têm uma lenda que diz que o líder da expedição que povoou a sua ilha foi um chefe chamado Hotu Matu’a (“o Grande Pai”), que navegava em uma ou duas grandes canoas, com esposa, seis filhos e seus familiares.”

Moai

Os maiores mistérios da ilha de Páscoa, contudo, não são relativos à sua colonização mas ao MOAI’s. O que são? Porque foram construídos tantos Moais (887 ao todo) na ilha ? Como eles foram transportados ao longo da ilha? Para entender isso é necessário também se perguntar: como essa sociedade se desenvolveu? Como era organizada social e politicamente? O que aconteceu com a população da ilha? Por que não existiam árvores ali? Todas essas perguntas serão respondidas e analisadas nos próximos posts referentes à Páscoa.

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(nota: assim que retornar a leitura do livro, retorno com os posts)

os polinésios atingi­ram

Responses

  1. O conhecimento da historia nos faz perceber o quanto e maravilhoso esse descobrimento e gratificante para nos esse conhecimento.Logo se faz necessario fazer um levantamento de dados minuciosos para interligar o homem com o passado e fazer uma analise com o futuro visando as modificaçôes ocorridas.

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    • Ainda não consegui continuar essa série de posts, mas o Jared Diamond tem algumas publicações legais nesse sentido. “O Colapso” é um livro que vale a pena comprar!

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  2. Gostei muito do post sobre CREPÚSCULO EM PÁSCOA, pois tenho um seminário em cima desse capítulo. Você vai continuar o post???
    Muito bom mesmo!

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