Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 09/12/2009

Brasil – Uma perspectiva para 2010 (Update Dez/09)


Leia mais: EXPECTATIVAS DE MERCADO (Updates)

Desde o último post no dia 14/10 sobre as expectativas de mercado (até 09/10) para a economia brasileira no ano que vem, tivemos algumas evoluções do que será da economia do Brasil em 2010.

PIB Total (Expectativa de Mercado)

De acordo com a pesquisa das expectativas do mercado, realizada junto à  do Banco Central do Brasil (BCB) com expectativas até 04/12, o cenário para 2010 vai se confirmando num cenário positivo para a economia como um todo. O PIB em 2010 já caminha para ter um crescimento mais forte do que o de 2008 (5,2% crescimento). Até 04/12, segundo as expectativas, o resultado esperado era de 5% de crescimento para o ano que vem, 0,2% maior do que a 2 meses e 1,5% acima da expectativa de 5 meses atrás. As projeções para 2011 já começam a ser alteradas também, caminhando para um patamar de 4,5% de crescimento, que parece ser o ritmo esperado até 2013, segundo as expectativas (4,25% em 2012 e 4,3% em 2013). Porém, até lá, ainda tem muita coisa para acontecer.

PIB Setores (Expectativa de Mercado)

A indústria deve puxar mais fortemente o PIB em 2010, uma vez que teve forte contração em 2009, como um todo. O PIB da indústria total aponta para recuo de -4,51% esse ano mas para recuperação de 5,35% em 2010, acima da taxa de crescimento de 2008. Nesse ritmo, 2010 estaria já num patamar positivo de 0,6%  de crescimento sobre 2008. Apesar disso, a produção industrial está caindo 7,7% esse ano e conta com expectativa de crescimento de 6,9% no ano que vem, que, sobre 2008, ainda é 1,3% menor em 2010.  O PIB da agropecuária também foi prejudicado em 2009, principalmente porque o Brasil é um grande exportador de commodities agrícolas, com peso importante para os grãos. Em 2010, os mercados compradores não apenas de grãos, mas também de carnes bovinas, suínas e frangos, assim como seus derivados já devem crescer em ritmos mais acelerados. Como a perspectiva de mercado sempre foi em ter um ano de 2009 ruim e 2010 um ano de recuperação, a expectativa do PIB da agropecuária não teve grandes variações em 2010, ao longo do tempo. Por fim, o PIB de Serviços não chegou a sofrer tanto em 2009, pois tanto o nível de emprego e renda no país não foram fortemente afetados, no geral. O forte impacto do recuo do PIB em 2009 foi puxado pelo medo e desespero de alguns setores da indústria que da noite pro dia cortaram a produção industrial em 20%, 30% até 50%, tanto no Brasil quanto no exterior. Em 2010, espera-se um PIB de serviços de 4%.

Ainda em relação ao PIB, minha expectativa pessoal é de um crescimento em 2010 mais perto de 6%. As expectativas apresentadas acima podem, devem e vão sofrer alterações ou revisões importantes nas próximas semanas. Ainda essa semana temos a divulgação do PIB do 3° tri de 2009, resultado do COPOM, que deve manter a taxa de juros inalterada e na próxima semana a ATA do COPOM, que deve sinalizar a visão sobre a aceleração da atividade econômica e da inflação do BCB. Contudo, mesmo no caso de uma avaliação negativa quanto ao cenário de política monetária, serão necessários muitos argumentos negativos, já que 2010 é um ano eleitoral. Nesse sentido, não vão faltar esforços políticos e financeiros do atual governo para garantir mais 4 anos no poder.

Alguns dos pontos que devem estar na pauta política/executiva de 2010, com objetivo de estimular a atividade econômica no país, são as já adotadas reduções de impostos, sobretudo IPI, para setores escolhidos pelo processo do “joquempô”, uma vez que a crise parece ter sido superada já. Ainda a receita extra de impostos sobre capital estrangeiro de curto prazo pode se tornar mais popular no próximo ano, com o argumento de proteger o real da especulação e forte valorização, dando continuidade aos debates de “câmbio de equilíbrio”, que viria a beneficiar todo o setor exportador do país. O aumento do funcionalismo público e salários devem dar mais um “boost” na economia do país. Por mais que alguns desses itens acima sejam prejudiciais para o país, principalmente no que concerne as contas públicas e a sustentabilidade fiscal, o importante é a permanência do PT no poder (importante para o PT, não para a nação nem para mim).

Que venha 2010, o PIB deve bombar, as contas públicas devem explodir e, no final do ano, soltaremos rojões para Dilma. Mas se Dilma não ganhar, as bombas e estouros de 2010 vão mesmo é mutilar um possível governo tucano até a copa do mundo no Brasil. Os problemas da reforma fiscal, previdência, perda de credibilidade e eficiência de agencias reguladoras que contribuem para o ambiente institucional no país, o inchaço da máquina pública, as inúmeras obras irregulares e inacabadas do PAC e gastos sociais mal administrados devem estar na agenda na gestão do próximo presidente. Mas 2010 vai ser bom!


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