Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 05/01/2010

Agentes (ir)Racionais (I)


Huguinho, Zezinho e Luisinho (denominados assim a fim de manter a integridade de caráter dos indivíduos)  são 3 amigos que estudaram juntos na FEA, se formaram em economia e, apesar das diferentes realidades financeiras e laborais, continuam planejando viagens e curtindo a vida. A última aventura desse trio (onde qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência), foi em direção às famosas praias catarinenses, estabelecendo posto avançado em Balneário Camboriu. Apesar da tentativa de categorizar essa viagem como “fictícia”, a riqueza dos detalhes deve contribuir para apenas 2 possíveis conclusões: (i) para a  notável criatividade do autor ou (ii) para veracidade da aventura, deixando a cargo do leitor essa decisão. E por falar em DECISÃO, é esse o tema do post! Uma breve explanação econômica segue abaixo, evidenciando alguns conceitos, antes de prosseguirmos com a viagem.

  1. O Agente Racional, em economia, pode representar um indivíduo ou firma que toma ações/decisões. Esse Agente tem claras preferências e comportamentos e efetua decisões econômicas com base nas suas percepções e uso eficiente da informação. A decisão vai sempre depender das preferências do agente, do seu conhecimento sobre o ambiente , que é adquirido por experiências passadas (que torna possível a modelagem), das restrições (como obrigações e deveres, as leis) e as expectativas de benefício/utilidade das ações e das chances de sucesso. O objetivo final de uma decisão é a OTIMIZAÇÃO (ex: minimização de custos, maximização de funções de produção, etc.). Existem algumas imperfeições sempre: a percepção pode não ser completa ou ser viesada e, mesmo com a percepção correta, o resultado pode não vir de acordo com o esperado (o mundo é dinâmico e vários agentes estão tomando suas decisões ao mesmo tempo).
  2. Excedente do Consumidor e do Produtor

    O Excedente do Consumidor é a diferença entre o preço máximo que ele está determinado a pagar por um produto e o preço efetivo do produto, ou preço de equilíbrio. Em poucas palavras, a curva é inclinada negativamente pois, para um preço alto, o consumidor consome menos e, na medida que o preço cai, aumenta demanda do produto, (como pode ser visto pela curva de demanda no gráfico, em referencia aos eixos de preço e quantidade). Dessa maneira, fica evidente que, mesmo para preços mais elevados, haverá demanda, contudo ela será menor, assim como o excedente do consumidor. Dentro desse conceito, o preço de reserva é o preço máximo que o consumidor está disposto a gastar para adquirir um produto/serviço.

Definido os conceitos, e pedindo licença poética para o post, voltemos à contextualização da viagem fíctícia de Huguinho, Zezinho e Luisinho, para Bal. Camboriu nesse último reveillon. Tendo os elementos acima chegado ao famoso hotel na rua 3300, cruzamento com a Av. Brasil, decidiram aproveitar o dia e conhecer as praias da linda Santa Catarina, Estado onde nasceu Luisinho. No paradisíaco e hospitaleiro restaurante “Estaleirinho”, onde a vista das belezas naturais e sociais deixavam os 3 viajantes impressionados. Após uma saborosa sequência de camarões, Zezinho e Luisinho foram encarar o bravo mar, que em apenas uma onda derrubava inexperientes turistas e, a única e viável chance de não tomar um caldo, era ir para o fundo, onde não dava pé. Depois de 2 bravas tentativas de manter-se no mar, os aventureiros decidiram sair e planejar a noite de segunda-feira.

Agentes Racionais que são, sabem que tomar banho e escovar os dentes, pentear o cabelo e usufruir de um perfumezinho é essencial para os solteiros na noite se darem bem, ainda mais sendo Bal. Camboriu um paraíso em belezas naturais hereditárias. BALADA na segunda feira, fechou! Otimizando a função tempo e não a função custo, pediram uma pizza diretamente no hotel. Contudo, a expectativa da entrega foi atrasada em muito tempo, a porcaria da pizzaria era ali perto e os 3 tiveram que esperar, já prontos para night que prometia. Tiveram que pagar R$31 por uma pizza porcaria, pois não estavam minimizando custos. O produtor da pizza com certeza reduziu o excedente dos 3 consumidores, mas estava longe de chegar ao preço de reserva. Em poucos segundos, “habemus pizza” virou “non habemus” e foram-se Huguinho, Zezinho e Luisinho para noite adentro, devidamente alimentados (e protegidos, uma vez que a gordura da muzzarela reduz a velocidade de absorção do álcool no estômago, sendo assim possível a ingestão de maiores quantidades sem o efeito, que virá a ser nocivo para um dos amigos, no relato que segue) .

O que vem a seguir tomou parte entre as 11.30pm (seg.) e as 7.30am (ter.), no local conhecido como Green Valley, ou GV, para os íntimos. Por volta da meia-noite, tendo estacionado no terreno com casinhas de madeira que cobravam R$20 de estacionamento, se dirigiram à bilheteria. Durante o percurso de poucos metros, foram inúmeras as observações sobre “como tem mina gata aqui”, proferidas pelos 3 amigos, quase dando nó nos olhos enquanto olhavam para um lado e para outro na tentativa de não perder nenhuma garota.

Zezinho disse: -Velhinhos, eu quero pegar camarote! Tem uns brother que se pá vão vir, a gente deve entrar, deve sair uns R$300. E vocês? Huguinho, com olhar de servidor público, olhou para Luisinho e disse apenas Nossa… e olhando para o chão. Luisinho pensou no seu preço de reserva mas nao queria incorrer naqueles gastos e disse “É, tá caro… quanto é o vip?” (daqui pra frente as cores representam os diálogos: Huguinho, Zezinhoe Luisinho)

R$180 brow, mas eu vou pegar camarote acho, tem que esperar os caras aiTá, enquanto a gente espera, o que a gente faz? A gente trouxe as garrafas de vodka, estão no carro, vai rolar esquenta?Não precisa rolar esquenta se for pegar camarote, porque tem consumação!Velhinhos, eu vou pegar camaroteMas e se os caras não vierem? dai rola o vip, certo?É, eu fecho o vip Brow, camarote brow!Mas os caras vao vir?Não sei ainda, velhinhosEntão a gente faz o esquenta e espera os caras chegarem, porque se eles nao vierem, a gente adianta o esquenta, pode ser?É, eu fecho o esquentaAh, então tá néHuguinho, eu acho que no esquenta a gente vai beber e pode acabar mudando de ideia sobre o camarote…É, também acho, vamos ver néVelhinhos, to na pilha de pegar camarote” R$180 tá foda heimÉ talvez eu vá na pistaVamos pro esquenta e dai a gente vê…

(próximo capítulo)


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