Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 08/01/2010

Políticos mimados da América do Sul


Os atuais “mandantes” dos países desse nosso continente Sul-americano são mimados! Não me refiro só a vereadores, prefeitos e deputados (esses não passam do low-level managers), mas incluindo senadores e governadores (que por analogia seriam algo em torno de mid-level ou top-level managers) e destacando os famosos presidentes das nações (definitivamente top-level managers).  Vamos evitar falar aqui de Evo Morales, Hugo Chávez, a família Castro, Fernando Lugo, Rafael Correa e de Lula, “o cara”. As atenções e holofotes de hoje são para a família Kirchner! (salva de palmas)

Logo na primeira semana do ano, a atual presidente da Argentina, Cristina Kirchner, resolveu agir como uma criança mimada, no mais clássico dos exemplos (tanto na Argentina como no Brasil): “eu sou o dono da bola, eu escolho quem vai jogar e tem que ser do meu jeito”, só faltando completar “porque sou café-com-leite”. Contudo, não adianta ela ser a dona da bola se já existe uma partida em andamento, sem a necessidade dela (nem da bola, nem da dona). Traduzindo para a fatos, o BC Argentino é independente (por força de lei, diferentemente do BC do Brasil). A presidente, Chefe do Executivo,  pediu a renuncia do presidente do BC de seu país, Martín Redrado, que está no cargo desde 2004, e convidou Marcio Blejer (economista e ex-presidente desse BC) para esse cargo. O que parece uma manobra política não é nada mais do que uma manobra com fundo econômico. A irresponsabilidade e péssima gestão do país por parte da presidente motivou essa ação, que tem por trás usar as reservas do BC Argentino, em torno de US$48 bilhões, para pagar dívidas do governo, na ordem de US$6,5 bilhões.

O simples fato de tentativa de interferência é prejudicial para a nação como um todo. Fragilizar as instituições do país apenas por bel-prazer vai contra o desenvolvimento econômico pois: (i) cria/aumenta as incertezas por parte de investidores locais e estrangeiros, (ii) dificulta a previsibilidade sobre o futuro, prejudicando a produção atual e futura, (iii) reduz o nível de consumo da população, a fim de se resguardar, e (iv) causa “descredibilidade” e “descrédito” das instituições, entre muitas outras consequências. Além disso, o fato pode abrir margem para que outras instituições também sejam alvos de ataques oportunistas do governo. O famoso economista institucionalista Douglass North, que ganhou o Prêmio Nobel em 1993, defende o papel das instituições no crescimento econômico (Economic Performance through Time).

Contribuindo para o clima já ruim, Redrado conta com apoio da oposição, com apoio de diversos funcionários do próprio BC e, segundo jornais argentinos, com apoio da opinião pública (“uma enquete online do jornal La Nación indicou que 94,34% dos internautas não querem que Redrado renuncie (…) o Clarín, indicou que 84,5% dos internautas concordam com a decisão de Redrado de não renunciar” – conforme publicou o Jornal Estado de SP – 07/01/10). E, para piorar de vez, Kirchner resolveu demitir por decreto presidencial que, na prática, até pode acontecer, mas necessita de uma decisão do Congresso ratificando o pedido. Com a autonomia do BC, apenas o Legislativo tem poder sobre esse assunto, ficando o Executivo de fora dessa decisão.

Os analistas e a oposição têm claramente que o objetivo do governo é “mascarar” o déficits do governo e permitir o pagamento de título de dívida pública externa, que vencem em 2010 (títulos emitidos no passado exatamente para financiar o governo).  Uma estratégia covarde, fugindo das responsabilidades e uma atitude de criança mimada! O estilo autoritário de Nestor,  analisado por José Natanson (jornalista argentino e cientista político) “procura por diversos meios enfraquecer os limites institucionais e os contrapesos republicanos” parece ter se estendido à sua esposa e atual presidente, Cristina Kirchner. Tomar decisões por tomar, assim, na ponta do lápis, sem saber as consequências políticas, econômicas e sociais, visando apenas o o curto prazo tem sido praxe em vários governos na América do Sul, sobretudo na chamada “DEMOCRACIA” que sucedeu os governos militares da segunda medate do século passado. O termo entre aspas se deve ao fato dos nossos governantes democratas terem uma leve queda por práticas ditatoriais, agora que estão no poder.

Vale lembrar que as atitudes da presidência doméstica não fogem muito dessa tendência, como ficou claro nos casos da compra dos caças da F.A.B., na iniciativa como a Conferência Nacional de Comunicação, com grandes estímulos à censura, a proteção à políticos corruptos até a hora em que se evidenciam os fatos e dai é só jogar o corpo fora e dizer que não sabia de nada, a vários itens do “Plano Nacional de Direitos Humanos” (download), que (i) fragiliza o direito de propriedade, (ii) ratifica a ação e abusos do MST, (iii)privilegia sindicatos, (iv) dá mais poder à juízes (pessoas, e não instituições), (v) traz a idéia de aprovar plebiscitos, referendos e leis de iniciativa popular (por mais louvável que seja), abrindo margem para que o executivo drible o poder legislativo e a legitimidade do Congresso, (iv) incentiva a criação de comissão para monitorar o conteúdo editorial das empresas de comunicação, com direito à penas (ex: multas, suspensão da programas…ou seja, censura) para aquilo que o governo considerar que violam os direitos humanos e por ai vai o documento que possui 73 páginas e 27 novas leis.

A Secretaria Nacional de Direitos Humanos informou em nota que “o programa é resultado de um amplo e longo processo de debates com a participação da sociedade civil e do poder público e que reflete as demandas da sociedade brasileira na sua pluralidade“. Não me lembro de ter escutado nada sobre isso, nem lido nada nos jornais e nem conheço ninguém que participou desse amplo processo. Essa é apenas mais uma atitude mimada de um político que em 7 anos de mandato não conseguiu corrigir problemas sociais importante e acredita que numa canetada pode corrigir os erros.


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