Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 01/03/2010

Brasil – Uma perspectiva para 2010 (Update 2 Fev/10)


Leia mais: EXPECTATIVAS DE MERCADO (Novos Updates)

A questão da inflação e do juros em 2010 vem ganhando cada vez mais destaque e mais relevância não apenas econômica, mas também política, devido ao ano eleitoral. Desde a  última atualização no dia 11/02 sobre as expectativas de mercado (até 05/02) para a economia brasileira este ano, as evoluções desses indicadores tem caminhado numa tendência não muito animadora.

De acordo com a pesquisa das expectativas do mercado, realizada pelo Banco Central do Brasil (BCB) com expectativas até 26/02/10, o cenário caminha, cada vez com mais certeza, para inflação acima da meta e juros acima dos 2 dígitos novamente, para combater a inflação.

A inflação fechada de 2009, ficou em 4,31% de aumento preços, abaixo da meta do BC de 4,5% que é um dos tripés da estabilidade macroeconômica da “era do Real”, principalmente no período de câmbio flutuante. Em 2010, a inflação de janeiro já ficou acima das expectativas do mercado, em 0,75% enquanto o maior valor esperado não passava de 0,64%, como segue no primeiro gráfico. Levando em consideração a mediana das expectativas mensais do IPCA, até 26/02/10, e o resultado fechado de janeiro, a inflação para o final 2010 seria de 4,96%, já quase 0.5p.p. acima da meta do BC. O que já se sabe, e não é de hoje, é que, inflação alta é combatida com aumento de juros. No segundo gráfico, a expectativa anual do IPCA pela pesquisa FOCUS, espera-se uma inflação de 4,91% para 2010, com viés de alta. Desde jan/10 a expectativa para o IPCA nesse ano está acima da meta. O que pode começar a preocupar o BC ainda mais é que a expectativa para o IPCA de 2011 também começa a subir, com a pesquisa da última semana.

Devido a esses resultados, a curva de juros no Brasil deve subir, o que significa o BC elevar a taxa Selic para combater a inflação. Segundo a pesquisa FOCUS do BC, a Selic sairia da atual taxa nominal de 8,75% para 11,25% em dezembro, o que equivale a dizer que o BC vai elevar em 0,5p.p. a Selic de abril a outubro desse ano. Nesse cenário, ainda haveria a reunião de 16/17 de março e 7/8 de dezembro com alguma possibilidade de aumento de juros ainda, ou seja, podendo terminas o ano acima de 11,25%. Em pesquisa da FEBRABAN (link direto em pdf) do dia 10/02, no gráfico 4, segue uma distribuição de frequência interessante dos agentes de mercado, da expectativa das decisões do COPOM esse ano.

São vários os fatores que pressionam a inflação esse ano : (i) a retomada do crescimento econômico no país, (ii) aceleração nas taxas de crescimento da indústria, logo, aumentando empregos, renda e massa salarial, (iii) aumento de demanda dos insumos de produção (e commodities), (iv) expansão do crédito e (v) aumento dos gastos públicos são alguns deles. Todos esses estimulam a demanda no país e, logo, pressão sobre preços e, por consequência, podem levar a aumento dos juros.

Um sinalizador de oferta interna (que certamente influencia na decisão de aumento de juros) é o NUCI (Nível de Utilização da Capacidade Instalada), que já está em 84%, nível mais alto desde out/08 (quando atingiu 85,1%) e pouco mais baixo que o nível máximo histórico da série, 86,7%, (em jun/08). Outro sinalizador é o câmbio, uma vez que, se valorizado (quantidade de reais para comprar dólares cai), permite maior importação e acomoda os preços internos ou, se estiver se desvalorizando (quantidade de reais para comprar dólares aumenta), tem efeito altista na inflação, podendo pressionar mais ainda o IPCA (e é isso que alguns setores da economia querem!). Além disso, preços definidos lá fora, no mercado internacional, também podem influenciar os preços internos, como tem sido o caso das commodities (Leia: Recuperação dos preços das Commodities, nesse blog). Por mais que o BC mude aqui e ali a política dos compulsórios (como o recolhimento de R$71bi, semana passada, na quarta-feira, 24/02, enxugando a liquidez monetária feita em 2008m de R$99bi, pra combater a crise econômica), as tendências que seguem nos gráficos abaixo (que não são otimistas!)  devem se manter por mais alguns meses se nada for feito.



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