Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 17/03/2010

Entendendo as Contas Nacionais (II)


De maneira a progredir em relação ao último post sobre o assunto (“Entendendo as Contas Nacionais (I)“), seria preciso, agora, começar a relaxar outras hipóteses que ainda se mantém como: não existência de governo e nenhuma transação com o exterior. Nesse post, retiramos a hipótese de uma economia fechada para dar espaço à análise das Contas Nacionais em uma economia aberta, ainda sem governo.

Economia Aberta sem Governo

Assim, em relação ao último post, onde a economia era fechada, há uma nova tabela na análise, a Conta do Setor Externo (em laranja). De maneira a usar a mesma notação do post anterior, vou chamar as 4 tabelas como “T1″,”T2″,”T3” e “T4”, na ordem que elas seguem.  Outra noção importante nessa economia é a de que, quem transaciona com o exterior são as empresas (e não as famílias), ou seja, há empresas de exportação que enviam café ao exterior (que exemplo original, não?!)  e há empresas de importação que trazem roupas feitas na China, para suprir a demanda interna. Logo, em T1 há do lado direito as exportações de bens e serviços (13), que é demanda externa e que é creditada às empresas. Dessa maneira, temos assim nesse lado direito a demanda total de bens e serviços, que atende não apenas a demanda interna, mas também a demanda externa por produto nacional. Em contrapartida, do lado esquerdo da tabela T1 há as importações de bens e serviços (11) e um outro item, “renda líquida enviada ao exterior” ou RLEE (onde RLEE é o saldo de recebimento de pagamentos de fatores de produção não-residentes, ou seja, remuneração do trabalho, capital e etc. pagos  e recebidos dos não-residentes).

Na conta da apropriação ou renda das famílias (T2), temos do lado direito a renda nacional bruta que não sofreu nenhuma alteração, uma vez que apenas as empresas transacionam com o exterior e, do lado esquerdo, também não há mudanças em relação ao post anterior, que considerava uma economia fechada e sem governo. Esse lado esquerdo representa a Utilização da renda nacional bruta.

A Conta do Setor Externo (T3), que é a novidade da economia aberta, apresenta do lado direito tudo o que é creditado ao setor externo, que são: a importação de bens e serviços (11), que é fonte de receitas sob a ótica de quem está exportando o produto internacional que é importado pela economia nacional; e (12) a renda líquida enviada ao exterior (que pode ser positiva ou negativa, sendo negativa no caso em que a renda recebida do exterior é maior do que a enviada). De maneira recíproca, as exportações (13), sob a ótica do setor externo são uma despesa, é a estrutura de gastos ou utilização dos ativos desse setor, por isso estão do lado esquerdo. Outro item novo é o Déficit em transações correntes (14), que é um item que aparece dentro do Balanço de Pagamentos (BP), a ser apresentado mais a frente. As transações correntes englobam 3 itens: (i) a balança comercial, (ii) a balança de serviços e (iii) as transferências unilaterais e doações, de maneira que, a balança comercial e a balança de serviços já estão inclusos nos itens de importação e exportação. O déficit do BP em transações correntes pode ter sinal positivo ou negativo, a depender dos saldos dos outros itens da conta exterior.

Por fim, em T4, a conta capital apresenta exatamente o item 14, o déficit do BP em transações correntes. A poupança total bruta, lado direito da tabela, é a soma da poupança privada nacional e da poupança externa (item 14), que pode ser usada para financiar o investimento bruto total. Dessa maneira, é possível que a FBCF ou estoques sejam maiores caso o déficit externo financie essas atividades, o que não acontecia no caso de uma economia fechada.

Por fim, falta relaxar a hipótese da economia sem governo, que será feita no próximo post.

Leia mais em: Entendendo as Contas Nacionais (III)

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Responses

  1. Gostaria apenas de corrigir uma informação colocada no ultimo parágrafo, pois foi dito “Por fim falta relaxar a hipótese da economia sem governo”, sendo que o correto seria com governo.

    Desde já agradeço.

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    • Caro Deivid, obrigado por acompanhar nosso blog e por comentar! A informação de “… falta relaxar a hipótese da economia sem governo” é correta considerando que o post II trata de uma economia sem governo. Essa hipótese que será relaxada no post III, portanto, a leitura é a de que ainda deve ser relaxada essa hipótese (da economia sem governo) e, depois dessa flexibilização, se apresentam os conceitos referentes à economia com governo, no post seguinte.

      Por gentileza, fique a disposição para comentar e sugerir temas.
      Abs,
      Guilherme.

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