Publicado por: Flávio Samara | 24/04/2010

E como anda o mundo?


O Fundo Monetário Internacional, vulgo FMI, costuma lançar periodicamente um relatório de algumas centenas de páginas avaliando o cenário econômico de seus membros. Ou seja, praticamente todos os países do mundo.

Chamado de World Economic Outlook (WEO), traz dúzias de análises e projeções, na melhor fotografia que alguém poderia pedir sobre a economia mundial.

O resumo da ópera: segue a recuperação do crescimento econômico, mas de maneira desigual entre os países (leia-se economias maduras e emergentes). Os países emergentes tem a preocupação de segurar a atividade para evitar pressões inflacionárias, sendo que o Brasil, de acordo com o relatório, já enfrenta risco de superaquecimento (o FMI projeta 5,5% de PIB para 2010 enquanto o nosso próprio Banco Central trabalha com 5,8%).

Já as economias maduras estão ameaçadas mais pelo descontrole fiscal. Chega a ser irônico essa crítica vir bater na porta destes países. O risco está na sustentabilidade da dívida soberana que foi elevada para níveis de pós Segunda Guerra Mundial. Só que dessa vez não houve uma guerra.

Mas o que tem demais nessa dívida? A crise pela qual o sistema financeiro mundial estava mergulhado até agora pouco, foi engatilhada pela insolvência de menos de 2% do mercado de crédito imobiliários norte-americano (os sub-primes). Imagine então o que seriam países demonstrando incapacidade de vir de encontro com suas obrigações financeiras. Descasamento de recursos, efeito dominó e teremos uma repetição da última crise ampliada para níveis soberanos. Crises da dívida como do México, Rússia ou Argentina pareceriam calotes na conta do boteco.

E é por isso que a Grécia derrepente ocupa os jornais há uns dois meses. Há o temor que sua insolvência possa trazer efeitos péssimos em cima das dívidas de outros países na Zona do Euro (Portugal, Irlanda, Espanha, Itália). E é por isso que seguimos lendo pérolas como “a tragédia grega”, “esforço de Hércules”, etc. Mas vamos convir, é uma piada pronta realmente.

Aliás, a Grécia entrou com um pedido para ter acesso ao pacote de ajuda emergencial, composto por recursos do FMI ($ 15 bilhões de euros) e de países conjuntos da Zona do Euro ($ 30 bilhões de euros). Isso ajuda a ganhar tempo, mas está longe de ser a solução. A trágedia grega deve continuar clamando por um esforço de Hércules na forma de contração de dos gastos fiscais.


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