Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 11/05/2010

Brasil – Uma perspectiva para 2010 (Update Mai/10)


Leia mais: EXPECTATIVAS DE MERCADO (Novos Updates)

Desde a última atualização desse blog em relação às expectativas de mercado (Fev/10), muita coisa mudou, mas nada é novidade. De acordo com a pesquisa das expectativas do mercado, realizada pelo Banco Central do Brasil (BCB) com expectativas até 07/05/10, o cenário caminha, indubitavelmente (bonita palavra, não?), para inflação acima da meta e juros acima dos 2 dígitos novamente, para combater a inflação. As últimas expectativas trazem também um cenário bastante positivo para o produto do país.

A expectativa do mercado para o  Produto Interno Bruto aponta um crescimento de 6,26%, quase 1 ponto percentual (pp) maior do que 3 meses atrás e 0,7pp do que 1 mês atrás. Um dos maiores responsáveis por essa expectativa é a retomada do crescimento da indústria, que segundo os dados do IBGE até março/10, apresenta 18% de crescimento frente a março/09, no índice acumulado do ano. Vale lembrar também que foi a indústria que contribuiu fortemente para desaceleração do PIB em 2009, logo, o crescimento de 2010 embute não apenas a aceleração da atividade no país, mas um reposicionamento em relação ao patamar anterior de produção. Com isso, a expectativa de crescimento da produção industrial é de 10,3% em 2010, tendo caído mais de 7% em 2009. Para 2011, com o fim do efeito da retomada do patamar de produção para níveis antes da crise, a expectativa de mercado é de crescimento de 5%, mais em linha com o ritmo de crescimento do país, em 4,5% (ver PIB 2011, gráfico anterior).

Esse forte aumento da expectativa do crescimento do PIB é causado fortemente por pressão de demanda, uma vez que as condições de emprego, renda e crédito no país foram pouco afetadas pela crise e continuam em expansão (favorecidos fortemente por políticas fiscais expansionistas  do governo, i.e., aumento de gastos com funcionalismo e isenções fiscais). Como nada nessa vida é de graça, o custo do aquecimento econômico (principalmente pela pressão de demanda) muitas vezes acompanha aumento de preços, também chamado de inflação. A deterioração das expectativas de inflação é bastante preocupante e tem também impacto importante dentro da economia. Mesmo com o aumento dos juros (taxa Selic) no mês passado, devido à defasagem entre política monetária e o impacto dela na economia, a expectativa para o IPCA em 2010 já chega a 5,5%, 1pp acima da meta (ainda dentro do “range” tolerado de 2pp para mais ou para menos).  A expectativa de inflação para o ano que vêm também está acima da meta, em 4,8%, estável nas últimas leituras e deve depender muito mais da política monetária a ser adotada agora pelo BC do que a inflação desse ano. Há ainda forte pressão da inflação e aparentemente as expectativas do mercado estão sendo mais otimistas do que a realidade é. As expectativas mensais do IPCA até agora não foram capazes de prever com assertividade a inflação no mês, como no gráfico ao lado (o valor e o ponto destacado em vermelho representam o dado efetivo enquanto a linha preta representa o intervalo dos valores máximos e mínimos das expectativas e o ponto destacado em preto as últimas expectativas). Ou seja, a expectativa de amenização da inflação ao longo do ano pode demorar mais e requerer medidas mais intensas por parte do BC.

Esse ritmo de alta da inflação está sendo combatido através de políticas monetárias, com o BC pisando no breque da economia enquanto o governo pisa no acelerador, quase uma proxy para o samba, em ano com ritmo de eleição! O aperto deve se dar em mais 2 aumentos de 0,75pp nas próximas reuniões, seguidos de mais 0,5pp e 0,25pp, até o final do ano. Não pretendo retomar o discurso da parcimônia que antes o BC adotava na queda dos juros, uma vez que ela foi pro espaço na última reunião, nem a indefinição política do presidente da instituição que impediu uma melhor ação do órgão na penúltima reunião, fatores que pesam (de leve) contra a credibilidade do BC, apesar de ela estar ainda bastante mais alta que a aprovação do governo Lula.

Chegando já quase na metade do ano, muitos indicadores econômicos são positivos, favorecendo o governo atual e, os negativos, só devem recair para o próximo presidente, na chamada “herança maldita”, seja Serra ou Dilma.

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