Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 31/07/2010

Brasil – Uma perspectiva para 2010 (Update Jul/10)


Leia mais: EXPECTATIVAS DE MERCADO (Updates)

Desde a última atualização desse blog em relação às expectativas de mercado (Mai/10), a economia apresenta alguma reversão de tendência de alguns indicadores, mas nada muito diferente do que é repetido nos jornais todos os dias. De acordo com a pesquisa das expectativas do mercado, realizada pelo Banco Central do Brasil (BCB) com expectativas até 23/07/10, o cenário de inflação acima da meta e juros acima dos 2 dígitos para combater a inflação estão bastante consolidadas. Do ponto de vista de produção e PIB, as expectativas não param de trazer um cenário bastante positivo para o país.

A expectativa do mercado para o  Produto Interno Bruto aponta um crescimento “quase chinês” de 7,2% (está em moda dizer crescimento chinês, mesmo não sabendo matemática, uma vez que o ano passado foi um ano de recessão,  ou seja, base de comparação mais baixa). O resultado é quase o dobro do crescimento esperado há um ano atrás (13/07/2009 – 3,51%) durante o período ainda de crise, quando os agentes estavam bastante pessimistas (ou estão muito otimistas hoje, depende do ponto de vista).  Em relação à 5 meses atrás, o crescimento é de +2pp, de maneira a abrir possibilidade de críticas à volatilidade das expectativas do mercado. Como fica claro (no gráfico 2 e 3) o maior responsável pela expectativa bastante positiva é a retomada do crescimento da indústria, que segundo os dados do IBGE até maio/10, apresenta 17,27% de crescimento frente a maio/09, no índice acumulado do ano. Continuo mantendo a ressalva de que também foi a indústria que contribuiu de maneira expressiva para desaceleração do PIB em 2009 (gráfico 2), logo, o crescimento de 2010 é de fato uma aceleração da atividade no país, mas também uma retomada do patamar anterior de produção nos níveis pré-crise (gráfico 3), o que não deveria então ser nenhuma surpresa para ninguém, certo?! Com isso, a expectativa de crescimento da produção industrial para esse ano é de 12,1%, após ter caído de 7,5% em 2009. Para 2011, dado o fim do efeito da retomada do nível de produção para o patamar pré-crise, a expectativa de mercado é de crescimento de 5%, há algum tempo, mais em linha com o ritmo de crescimento do país, em 4,5% (ver PIB 2011, gráfico 1 ).

Dado o forte ritmo de crescimento, é natural assumir que outras coisas vêm junto e nem sempre coisas boas. A pressão de demanda sobre a economia, sem acompanhamento da oferta, pressiona também os preços. O que explica a forte demanda são políticas fiscais expansionistas  do governo (i.e., aumento de gastos com funcionalismo e obras de infraestrutura, PAC, no papel ao menos) e isenções fiscais, já sendo recolhidas do mercado. O descompasso entre oferta e demanda é refletido nas expectativas dos agentes econômicos e nas decisões do BC, que tem papel fundamental na manutenção da estabilidade de preços (em 4,5%, a famigerada “meta”). Nesse sentido o BC agiu nas últimas três reuniões aumentando a taxa de juros básica da economia (taxa SELIC), de maneira a enxugar moeda do mercado, desacelerando o ritmo de crescimento econômico e o ritmo de crescimento dos preços também. Com isso, as expectativas de inflação para o ano de 2010 (gráfico 4) estão em queda, ainda dentro do limite de 2 pontos percentuais para cima/baixo em torno da média de 4,5%a.a., chegando a 5,38%. Vale lembrar que já são 2 pontos de aumento de juros da Selic em 3 reuniões e, depois de muita crítica em volta do BC ter demorado para aumentar os juros e depois ter aumentado de maneira muito ríspida (2 aumentos de 0,75pp), vem mais uma crítica daqueles que não acreditavam que o BC ia reduzir o ritmo de aumento do juros, por acreditar que o segundo semestre do ano não será tão aquecido quanto o primeiro. O que contribui com esse argumento é a evolução mensal da inflação (gráfico 5), com uma ajudinha da queda do preços de alimentos, que pressionaram o IPCA no início do ano. Continuo acreditando que as expectativas mensais do IPCA até agora (ainda) não foram capazes de prever com assertividade a inflação no mês, como no gráfico ao lado (o valor e o ponto destacado em vermelho representam o dado efetivo enquanto a linha preta representa o intervalo dos valores máximos e mínimos das expectativas e o ponto destacado em preto as últimas expectativas). É curioso ver a expectativa de julho, a ser divulgada no próximo mês, em 0,11%, mas já tendo habitado a casa dos 0,4%, bastante volátil. (para os que não acreditam, façam as contas do quando uma inflação de 0,3% ao mês pode representar 1 ano inteiro). De qualquer forma, são essas as atuais expectativas de mercado e em agosto parece que inflação volta a subir, sendo sabido já que o segundo semestre do ano costuma ser mais aquecido que o primeiro (ok, 2010 teve 1ºsem. forte e atípico, fica mais difícil prever p 2ºsem.). Mesmo com esse argumento, a política monetária deve continuar atuando para conter a inflação e trazê-la para mais perto da meta (e o BC fechar o mandato Lula com chave de ouro), fechando 2010 com juros de 11,75%, ainda 1pp acima da taxa atual.

O cenário de 2010 já está bastante consolidado, uma vez que o acompanhamento dos indicadores refletem o que foi divulgado até a metade do ano. Será que já é hora de começar a especular sobre 2011, sem saber quem controlará a nova (ou não) política fiscal, monetária, cambial e social e, mais importante, a política de investimentos e incentivos para realização da Copa e Olimpíadas no País?


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