Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 16/08/2010

Bobagens Economicas que Escutamos


Bom, não tenho culpa de ter cursado faculdade de economia num período governado pelo PT e seu representante angular (afinal, sem a pedra angular Lula, o PT viria abaixo, por conflitos de interesses intra-partidários). Nesse momento de proximidade das eleições e a enorme responsabilidade de escolher o representante para o segundo cargo mais importante do país (uma vez que o Mano parece ter começado bem no comando da seleção, rumo a copa de 2014), temos que voltar nossas preocupações para a política.

Ficamos sempre preocupados principalmente pelos minutos preciosos que perdemos tendo que escutar a famigerada propaganda eleitoral gratuita, que de gratuita só tem o nome (ainda mais se pensarmos nos custos de oportunidade de sacrificar o nosso tempo escasso para essas atividades circenses). Não apenas acabamos escutando entre um intervalo de jornal, filme, novela, futebol, esses grandes artistas, temos que escutar as baboseiras que falam.

De fato é engraçado que muitos ex-famosos tentem carreira política, o último que ouvi falar era o Tiririca. O que não é engraçado é quando as bobagens vêm das pessoas que pretendem disputar o cargo mais elevado do país que é sujeito ao voto popular. Nesse quesito, entre Serra, Marina e Dilma, cada um com sua trajetória e ideais, a última se destaca pelo seu padrinho (orador de “stand-up” comedy nas horas em que se depara com um texto que não sabe ler e vai de improviso). Além de ter que escutar baboseira, temos que escutar também as mentiras e é isso que mais me incomoda na vida dos políticos. Em recente aparição na Rede Globo, durante o Jornal Nacional (que era muito mais interessante sem os políticos ali), a candidata à presidência, Dilma, teve seu “momento Lula” de ingenuidade e falta de conhecimento de uma história importante do país, sem a qual “o cara” não teria seu índice de popularidade tão alto.

– Quando chegamos ao governo em 2003, nós recebemos o Brasil com inflação descontrolada (…) ” – disse a candidata.

Vamos lá, sem mais críticas, quero entender o que foi essa inflação descontrolada. Nos 3 gráficos que seguem abaixo, uma trajetória da inflação foi traçada. No primeiro, desde 1980, abrangendo 6 presidentes, a inflação não me parece assim tão descontrolada justamente no governo anterior ao do Lula. Além disso, nos governo dos hoje aliados do PT (Sarney e Collor), me parece que a coisa não fluiu muito bem (para os que estão estranhando os números, em 1989, sob a presidência de Sarney, a inflação atingiu sim 1973% no ano, bem diferente do patamar atual em torno de 5%. Ah, mas tem que olhar então só o período dos últimos 2 presidentes e, do jeito que está, os números ficam distorcidos. No segundo gráfico também me parece razoável dizer que a inflação não estava descontrolada, tendo sido FHC que introduziu o hoje tão admirado internacionalmente, sistema de metas de inflação brasileiro, na qual é a meta principal do BC garantir esse resultado, via política monetária. Lula não mudou nadinha, então não tem o que criticar ai, nem a Dilma. Em 2002, poder-se-ia dizer que a inflação ficou descontrolada e eu acrescentei o comentário “Efeito Lula”, pois de fato, na minha visão, foi o que houve. Se estivesse trabalhando com um modelo econômico, colocaria uma “Dummy efeito Lula” pois a incerteza de todos perante a situação política do Brasil no ano da eleição piorou diversos indicadores econômicos, ainda mais sob a chance de Lula ganhar. Resultado, ele ganhou e não mudou os rumos da política anterior e com isso os mercados, eleitores, industriais, banqueiros,  comerciantes,  investidores, padres,  e etc (a lista inclui quase todos os brasileiros!!!) se acalmaram e voltaram a  ter expectativas mais racionais que emocionais, voltando novamente à normalidade de antes. No terceiro gráfico, isso é bastante claro, como se acelerou a taxa de inflação (só estou falando desse item em prol do comentário restrito sobre o tema da candidata).  Precisa mentir assim em rede nacional pra ganhar eleição? Tem mesmo que tirar o crédito de alguém que fez algo concreto pelo país para poder dizer que é melhor? Não tem mérito pessoal nenhum que mereça ser falado ao invés de ficar apenas fazendo comparações? Não sabe mesmo reconhecer pontos positivos para o país? (O Sr. FHC não foi só “o cara” do plano real, também fez umas besteiras por ai  e errou muitas vezes durante seu mandato, porque então atacar justamente o ponto que ele acertou?)

Se eleita, tenho certeza que não sentiremos tantas saudades de Lula, pois o placo de “stand-up” nacional estará em boas mãos! ( e a culpa não é minha que o Serra e a Marina não me dão tantas oportunidades de criticá-los tão abertamente já que sabem falar e se portar melhor).

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Responses

  1. Parabéns Guilherme, sintetizou muito bem as “estratégias” destes “estadistas” fabricados pela mídia. Voltados apenas ao ilusionismo e fantasias dos menos informados!

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