Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 28/04/2011

Poder executivo vai ao Oftamologista (I)


(Personagens fictícios: o Poder Executivo, a Sociedade, o Dr. e a Secretária)
 
Paciente: -Bom dia, eu vim pra uma consulta!
Secretária:- Ah sim, qual o seu nome?
Paciente:- Poder Executivo do Brasil.
Secretária: – Pode se sentar o Dr. já está terminando com o outro paciente, você é o próximo.  – Er.. Hummm, Sr. Poder Executivo, ai é a mesinha de centro, ai você não pode se sentar, por favor tente as cadeiras ali enconstadas na parede. Isso, essas com encosto, sim.
 
(minutos depois …)
 
Paciente:- Bom dia Dr., eu vim pra uma consulta!
Dr.: – Bom dia, posso perguntar o que atrapalha sua visão?
Paciente: – Na verdade nada, eu enxergo muito bem! Me mandaram vir aqui mas não sei qual o motivo, eu nunca tive problemas.
Dr.: – Muito bem, você que está de acompanhante do paciente?
Sociedade: – Sim, eu mesma. Faz uns anos já que o Poder Executivo não está enxergando bem, vendo tudo embaçado, vendo coisas que não existem, tem dificuldade pra ver as coisas de perto e de longe também. Acho que o olho da esquerda está um pouco torto, como é o nome, estrabismo né?!
Dr.: – Parece sério! Sr. Poder Executivo, é isso mesmo? O Sr. está com esses problemas?
Paciente: – Olha Dr., isso é a Zelite Intelectual Conservadora que fica falando. Vou te falar que tem um grupinho ai que é sempre do contra e não quer ver o Brasil se dar bem. Tem gente que acha que os pobres não merecem ter casa e televisão. Eu sempre enxerguei bem apesar de nunca ter visto nada (antes) na história desse país.
Dr.: – Sr. Poder Executivo, vamos examinar. – Você pode se sentar naquela cadeira enquanto eu… – Não, ai não é a cadeira, ai é lixo, a cadeira é aquela com encosto. – Sociedade, ele sempre foi assim?
Sociedade: – Olha, faz muito tempo na verdade. De uns 20 anos pra cá parece ter melhorado um pouco, mas voltou a piorar. Não sei mais o que faço Dr., só dá trabalho, me deixa impaciente, nervosa, apreensiva e eu crio expectativas para o futuro baseadas nessa confusão toda que o Poder Executivo faz.
Dr.: – Sr. Poder Executivo, vamos fazer uns testes, tá? Vou colocar esse aparelho na frente dos olhos pra gente ver como está a visão. – Pronto, agora está sem lente, do jeito que você enxerga hoje. Consegue ler o que está escrito ali na parede? – A partir daqui a gente vai aumentando o grau até você conseguir ver bem, ok? Vamos começar!
Paciente: – Não Dr., não consigo ver nada assim, está um borrão só. – Um grau Dr.? Continua igual, não consigo ver nada ainda. – Ainda não, não, não, não. – Dr., 6 graus parece que melhorou um pouco.
Sociedade:  – Inflação! (sussurrando)
Paciente: – Acho que agora consigo, está escrito… i… in…fla..ção?!
Dr.: – Sim, você tem 6,5 graus de hipermetropia, porque estamos muito perto da parede e mal está conseguindo ver o que está na sua frente. Sabe que 6,5 graus é bem alto já!
Paciente: – Dr., na verdade a Sociedade me soprou, não estou vendo tão bem assim, mas melhorou bastante já.
Dr.: – Como você não está vendo? É sério isso? Eu já tirei o quadro da parede e estou colocando na sua frente!
Paciente: – Olha Dr., não é que eu não vejo, mas a gente não pode resolver isso mais pra frente? Ano que vem?
Dr.: – Bom, se não quiser resolver, tudo bem, mas pode piorar ainda mais pra frente! É melhor começar a cuidar agora, eu falo isso como médico, mas é você que decide se quer o tratamento.
Sociedade: – Mas Dr., o Poder Executivo precisa do tratamento, você está vendo que mal consegue caminhar sem que eu esteja por perto dizendo onde pisar e onde não pisar e quanto eu paro de prestar atenção por um minuto já começa a fazer o que não deve.
Paciente: – Dr., Sociedade, eu estou com um desconforto que é aquela coisa de commodities. O preço dos alimentos sobe, dai fica mais caro aqui, influencia a alta da inflação, tem o petróleo que tem a cotação mais alta, o açúcar que faz subir o preço do etanol também…
Dr.: – Mas a inflação é uma alta nos preços né? Tem aquela curva de oferta e demanda de um produto e se aumenta a demanda o preço sobe, se aumenta a oferta o preço cai, é mais ou menos isso não? Simplificando, né?
Paciente: Olha, não sei muito bem, mas deve ser por ai. O que acontece é que tem os alimentos, os combustíveis, tem o …
Dr.: – Mas não tem o IPCA, que mede a inflação? Eu vi outro dia que o item que mais pesou nos últimos 3 meses no IPCA foram os reajustes de tarifa de transporte público, do começo do ano. Subiu quase 6,5% até agora, em várias capitais, isso tem a ver com o os alimentos, combustíveis?
Paciente: – Ehr… Hum… Ahnn.. Mas tem também os alimentos, os combustíveis…
Dr.: – Mas a proposta do Sr. Poder Executivo não é de fazer o Brasil um celeiro mundial? Ser um grande fornecedor de alimentos para o mundo, produzir biocombustíveis, gerar energia renovável, essas coisas?
Paciente: – Mas onde você ouviu isso?
Dr.: – Passou na televisão, o discurso de vários ministros seus, você estava presente, na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República, estou errado?
Paciente: – Ehr… Hum… Ahnn.. Mas tem também os combustíveis…
Dr.: – Calma Sr. Poder Executivo, fiquei com uma dúvida. Como a gente vai ser produtor mundial assim? Acho que as commodities podem influenciar o preço do milho, soja, açúcar, mas os itens que mais subiram esse ano no IPCA não foram os cereais, foram as hortaliças, legumes, não existe pressão internacional ou especulação em relação ao preço do alface, brócolis, batata tem? Não é questão de plantar mais, aumentar a oferta? Aí os preços cairiam, não?
Paciente: – Ehr… Hum… Ahnn.. Mas tem também os combustíveis…
Paciente: Mas o governo anterior não tinha dito que o Brasil era auto suficiente em petróleo? O etanol da cana-de-açúcar não era um sucesso?
Sociedade: – É, eu me lembro disso, mas não durou muito né, não foi um sucesso pelo visto, mas também o governo anterior adorava falar qualquer coisa, o importante era falar, anunciar, fazer alvoroço, nunca antes na história desse país tivemos um Poder Executivo assim.
Paciente: – Olha, o problema é a demanda que está aquecida e faz os preços subirem, não é só os alimentos e combustíveis.
Dr.: Ontem eu vi que nos primeiros 3 meses do ano o IPCA subiu já 2,44%, se anualizar isso são mais de 10%, é bastante né?!
Paciente: – Dr., por favor, você não pode anualizar o IPCA!
Dr.: – Não? Porque não? O governo faz isso sempre com o PIB!
Paciente: – Oras, o IPCA tem uma dinâmica que faz com que mês a mês a inflação apresenta componentes sazonais. No começo do ano tem influência das chuvas nos preços dos alimentos in-natura, reajustes de escolas e material didático, depois não tem mais, lá pra abril/maio tem safra de cana, tem o inverno que chove menos e fica mais fácil plantar os in-natura…
Dr.: – Mas no inverno também sobem as carnes porque o pasto disponível fica pior né? E o leite e derivados porque as vacas produzem menos no inverno também, foi o que falaram no jornal
Paciente: – Então, viu quanta coisa, por isso não pode anualizar
Dr.: – Mas o PIB também não tem? Normalmente o último trimestre do ano não é mais forte por causa de expectativas com vendas de Natal, essas coisas?
Paciente: – Ehr… Hum… Ahnn…
Dr.: – Bom, eu vou te passar essa receita de lentes para melhorar o problema da hipermetropia, vamos abaixar esses 6,5 graus pois está muito alto. Quero vê-lo novamente na próxima semana Sr. Poder Executivo.
Sociedade: – Obrigado Dr.. Nós já estamos atrasados para a consulta com o otorrinolaringologista.
 

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