Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 01/11/2012

Brasil – Uma perspectiva para 2012/2013 (Update Out/12 – parte 2)


Leia mais: EXPECTATIVAS DE MERCADO (Updates)

(continuação da parte I)

  • Inflação e Taxa de Juros

Compreender as expectativas de inflação é tarefa mais fácil. Em 2011, o IPCA fechou em 6,5%, no teto da meta e incrivelmente no teto, coincidência que até permite algum tipo de imaginação para saber como fechou assim tão precisamente (ou pode-se apenas se surpreender e dizer ” – 6,5%, em cima, que bom”), e para 2012 e 2013, as expectativas estão em 5,45% e 5,4% (e vale dizer que em 2014 espera-se 5,34%), conforme o gráfico, e são TODAS acima da meta oficial de inflação que acreditava-se que o Banco Central seguia. Porque seguia?! O BC não segue mais meta de inflação? Já fiz essa menção em posts anteriores, não dá pra saber pois falta um pouco de comunicação entre o BC (no sentido de esclarecer qual seu papel e que ações serão tomadas para atingir seus objetivos) e a sociedade, ou talvez a comunicação esteja disfarçada. Disfarçada como? Na ata de janeiro/12, havia um certo orgulho na ata do COPOM em dizer que a inflação de 2011 ficou dentro do intervalo de tolerância, como nos últimos 7 anos anteriores. Acredito que , apesar disso, já faz um tempo que não se mira a meta de inflação, já que é bastante fácil identificar no gráfico que nos últimos 2 anos a inflação ficou longe da meta e a expectativa para os próximos 3 finais de ano é de inflação acima da meta também. Como fica existir uma meta e não buscar a meta? Segue o comentário do meu último post, que continua valendo:

Qualquer funcionário de qualquer setor na economia que trabalha com metas sabe o que acontece quando elas não são atingidas e se esforçam ao máximo para cumprir o que é esperado, com exceção do Banco Central do Brasil, onde parece que não atingir a meta não é problema. Pode-se dizer talvez que o novo intervalo de tolerância da inflação é de 4,5% e 6,5% e que 5,5% é a nova meta?!

No mesmo gráfico (acima) é bastante claro ver que nas últimas 10 reuniões do COPOM, o BC reduziu a taxa de juros, em um montante total de 5,25 pontos percentuais. Quando o inicio de queda começou, em 31/08/2011, a taxa SELIC era de 12,5%a.a.. Um corte dessa magnitude representa uma queda de 42%, sob uma base que não era baixa. No gráfico ao lado, a evolução da taxa de juros mensal, com base nas reuniões do COPOM, apontam para o fechamento de 2012 com taxa de juros de 7,25% (como está hoje) e em 2013 uma elevação de 0,5p.p., para fechar em 7,75%a.a.. Haja injeção de otimismo na economia, que deve ter crescimento em torno de 1,5% esse ano. A conta é simples, juros mais baixo representa uma facilidade de tomar empréstimos tanto por parte de empresas quanto famílias. Assim, aumentam as decisões de investimentos de curto e longo prazo da firmas e indústrias e fica mais barato um financiamento de casas, automóveis, motos, geladeira, fogão, PS3, IPhone 5, viagens e etc. (a lista seria muito longa). Com a taxa de juros caindo quase que pela metade, em patamares históricos da história recente do país, só tem uma palavra para definir tal momento: FESTA. Brasileiro gosta de festa e principalmente a festa da gastança. Com isso aquece a economia, aumenta a demanda por tudo (sem necessariamente aumentar a oferta, pelo menos não parece tanto). Se a demanda aumenta (via deslocamento da curva) sem aumentar a oferta, pelo gráfico à direita, há um movimento de mais pessoas querendo comprar. Assim há um deslocamento ao longo da curva de oferta (imagina que as fábricas passam a aumentar o nível de utilização das linhas de produção). Nessa brincadeira, aumenta a quantidade e o preço. É o que o governo deseja, pela parte da quantidade, de forma que os juros mais baixos permite um “aumento de renda” ou da capacidade de se financiar, seja porque “a parcela vai caber no bolso” ou porque investir é agora mais barato. Consequência, aumenta o PIB (espera-se demais por isso, mas só pro ano que vem). Outra consequência, aumenta os preços, movimento também conhecido como inflação. Vale dizer que usar de práticas recorrentes de aumento de demanda sem o acompanhamento do aumento da oferta, no longo prazo, é fatal. Termina em descontrole inflacionário, corrida às lojas, reajustes de preços mensais, quinzenais, semanais, diários, caça aos bois, fiscais do presidente e tentativas de planos frustrados de controle de preços, implementação de novas moedas (parece familiar?). Não, eu não acho que estamos indo nessa direção, mas nós já estivemos mais comprometidos a pouco tempo atrás.

A expectativa de inflação mensal para o resto do ano é acima da inflação de 2011, no mês a mês. Em três meses esse ano, a inflação mensal ficou abaixo da inflação do ano passado, porém, desde junho estamos em um processo de patamar de inflação mais elevado. Para os próximos três meses, espera-se uma inflação acima de 0,5%, que somada à inflação já efetiva até setembro, o ano apresentaria resultado de 5,44%. (Melhor que o ano passado, pelo menos). Se valer a máxima de que o novo piso da inflação perseguida pelo BC é a atual meta, ou seja, 4,5% e o teto continua nos 6,5%, então estamos dentro da nova meta, que é de 5,5%. O ponto é que o BC não mudou efetivamente a meta, mas deve estar muito feliz com os 5,5%.

Mas qual o problema de inflação? Afinal, não é só uma subida de preços?! Vai pensando….


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