Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 19/07/2013

Bla bla bla, inflação vai cair, bla bla bla


Obviamente esse post tem apenas um apelo sazonal, pelo próprio comportamento da inflação. A preocupação hoje com a economia,  taxa de juros e, o mais importante pra algumas pessoas, a próxima eleição presidencial, tem levado a algumas pessoas falaram coisas redundantes. Se por um lado, algumas coisas do dia a dia estão incorporadas no conhecimento das pessoas, outras coisas, como economia, não se fazem assim tão incorporadas. A razão desse post é informativa, assim como a previsão meteorológica.

Quando um político promete que a inflação vai cair no mês de junho ou julho, é a mesma coisa que dizer que em dezembro e janeiro ele promete que vai chover, ou que em junho e julho vai ser mais frio que nos meses anteriores. Isso não tem nada a ver com a capacidade de previsão do futuro e nem com alguma influência divina que os políticos possuem (apesar de haver alguns que possam discordar). Só pra exemplificar, segue um gráfico do Instituto Nacional de Meteorologia, considerando as chuvas em 2012. Sem ser meteorologista, posso intuir que no inverno, em grande parte do país, as chuvas se reduzem, logo o ar fica mais seco, acumula mais poluição no ar e  bla bla bla. É possível fazer a mesma coisa para a temperatura média no país e bla bla bla. É possível fazer a mesma coisa para venda de cachecol, venda de picolé no verão, aumento do consumo do chocolate quente em Gramado e bla bla bla. Há um comportamento sazonal dessas coisas e que não é diferente na economia. 

graf_chuv_acu_6190_sim_anual

No caso da inflação, o discurso atual do governo é que a inflação vai cair nesse mês. Segundo o que saiu hoje no Estação:

A presidente Dilma Rousseff afirmou esta semana que o IPCA de julho deve ser menor que o da medição anterior e muito próximo de zero. “A inflação no Brasil vem caindo de maneira consistente nos últimos meses”, disse Dilma. “O IPCA de maio foi menor que o de abril; o de junho, menor que o de maio. (link)

Isso é uma grande arte de alguns presidentes que tivemos, de falar o obvio. Como não estou preocupado com os que já passaram nem vou me candidatar a nenhum cargo político e nem apoio as políticas econômicas desse governo, poderia fazer críticas políticas. Mas, indo além disso, a preocupação é muito maior com o estado da economia e em informar algumas coisas que são pouco veiculadas. Se por um lado, assim como na previsão meteorológica, é difícil acertar exatamente as previsões, na economia não é diferente. Apesar disso, é possível entender alguns fenômenos e se preparar para eventualidades.

No caso da inflação, é perceptível que, de janeiro até o meio do ano, a tendência da inflação é de queda. No período longo de 1995 – 2013, havia alguns reajustes de tarifas públicas que eram mais fortes no meio do ano, mas já nos períodos mais recentes, como de 2002 – 2013 e 2008 – 2013, nota-se um efeito menor disso. Tomando como base a inflação média de 2008 – 2013, que reflete mais as condições da economia atual, nota-se uma certa estabilidade de preços entre junho e agosto e um nível médio mais baixo do que no restante dos meses. Assim como no gráfico de chuvas, é fácil intuir que nesse período os preços sobem menos, assim como é um período que chove menos. Contudo, a partir de agosto a inflação acelera e passa a crescer num ritmo mais elevado.

IPCA meses

Olhando o gráfico da direita, com a inflação nos meses e desde 2009, também fica claro que a tendência de inflação até o meio do ano é de queda e que, a partir do meio do ano, é de aumento. Então, não tem mágica por trás da fala da presidenta, não tem bola de cristal e não tem influência nenhuma dela para a justificativa de menor ritmo de aumento de preços. A prévia do IPCA-15 para julho foi de 0,07%, que indica que a inflação no mês fique próxima desse valor. Esse valor é pouco acima do valor de 2010 que, como pode ser visto também, registrou uma sequência de altas crescentes a partir de agosto.

Isso quer dizer o que? Apesar do discurso vazio e redundante, a inflação vai voltar a subir nos próximos meses, pois é assim que normalmente acontece, assim como na primavera as flores vão renascer, assim como no verão vai chover muito e alagar centenas de cidades  brasileiras e talvez causar algumas catástrofes. Se as atuações do BC em aumentar juros vai fazer com que no longo prazo a inflação chegue a patamares mais baixos, é outra história e uma análise muito mais profunda do que apenas essa ilustrativa, com base em gráficos (se bem que aumentar juros para combater inflação indica que ela não está baixa, como algumas pessoas querem sugerir). Vale apenas ressaltar e informar coisas essas coisas obvias (para economistas), disseminando o conhecimento em economia e ajudando a entender quando alguém fala alguma besteira.

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