Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 04/12/2013

O PIB do 3º Tri – Determinantes da Demanda (parte 2)


Continuando a análise do post anterior (parte 1 – link, parte 3 – link, parte 4 – link, parte 5 – link), pode-se entender melhor os resultados do PIB segundo 2 diferentes óticas: oferta e demanda (há também a ótica da renda, que não será abordada). Sob a ótica da demanda, é realizada a conta do PIB com base nas despesas/gastos com bens e serviços na economia. Considera-se a identidade macroeconomica que o PIB pode ser dividido em:

em que:

  • C = Consumo das famílias
  • G= Consumo do Governo
  • I=Investimento, que pode ser dividido em  F + E
    • F (ou FBKF)=Formação Bruta de Capital Fixo
    • E = Variação nos Estoques
  • X = Exportações
  • M = Importações

Essas informações estão presentes nos 2 gráficos abaixo. O primeiro gráfico apresenta o PIB sob a ótica da demanda com base no resultado acumulado nos últimos 4 trimestres comparando com os 4 trimestres anteriores (dá uma ideia de dinâmica anual da economia. É possível ver que nos último 4 trimestres a taxa de crescimento da economia apresenta alguma melhora, saindo de um crescimento de 1% para 2,3%. Essa é uma notícia positiva, ainda que a taxa de crescimento não seja muito alta. Há uma expectativa em relação a saber se esse ritmo de 2,3% (ou 2,5%, como é a projeção média do mercado para taxa de crescimento no ano de 2013) é o ritmo natural de crescimento do país (taxa de crescimento de longo prazo, por assim dizer).

Com base nos componentes do PIB, pode-se notar que tanto o consumo das famílias quanto o consumo do governo apresentam taxas de crescimento à taxa do PIB, em torno de 2,8% e 2,5%, respectivamente. Vale notar que esse resultado é inferior ao que foi observado nos últimos trimestres, o que indica que esses componentes tem perdido fôlego na contribuição do PIB mais alto. Vale lembrar que esses 2 componentes foram os carros chefe do crescimento nos últimos anos. O consumo do governo vinha crescendo a ritmo mais elevado que o PIB devido ao aumento do funcionalismo público no país, que aumenta as despesas de salários principalmente. O consumo das famílias tem sido estimulado com medidas “macroanabolizantes” (ainda não li esse termo, quem sabe seja uma boa invenção), dentre as principais o aumento real de salário mínimo e a expansão do crédito (mais de 10% ano ano, em termos reais). Além disso, o desemprego está em patamar historicamente baixo, permitindo também aumento de renda do trabalhador. Uma hora esses “macroanabolizantes” deixam de funcionar e a economia não aguenta mais, que é o que tem sido discutido muito nessa condução de política econômica recente (no caso do mercado de trabalho, o ritmo de criação de empregos é cada vez menor, por exemplo). Com base nesse resultado de 4 trimestres, dá pra perceber que a Formação Bruta de Capital Fixo tem sofrido muito, mas apresenta uma condição melhor do que no final do ano passado. Mais a frente mostro que esse não é um resultado necessariamente positivo no trimestre, mas é melhor do que era em 2012, ao menos. As exportações estão numa espécie de gangorra de resultados positivos e negativos, tal que o cenário internacional não permite uma melhora nas nossas exportações, devido à grandes incertezas de políticas americanas e europeias, que torna a recuperação do crescimento mundial lenta e gradual. Por fim, as importações estão crescendo, resultado que piora o PIB. Nisso estamos bem e estamos mal, já que temos acesso a mais bens (que se importados prejudicam a industria nacional). “Por sorte”, o câmbio nesse período depreciou, que deve tornar as exportações mais baratas (internacionalmente) e as importações mais caras (nacionalmente), permitindo uma melhora da balança comercial e um impulso dessa conta no resultado do PIB.

PIB demanda a 2013T3

O segundo gráfico apresenta a mesma visão do gráfico acima, mas olhando o resultado no trimestre (na margem). Se por um lado o primeiro gráfico apresenta uma ideia de patamar, o segundo pode ajudar a entender mudanças de tendência (inclinação) dos resultados. O PIB também está numa gangorra, tal que “cresce, não cresce”, apresentando recuo de 0,5% frente ao trimestre anterior. É importante “ler” o gráfico abaixo conjuntamente com o anterior. Assim, o PIB vinha crescendo pois há um efeito positivo de trimestres anteriores, mas nos últimos 3 meses o PIB caiu (ou ficou estável, considerando “margens de erro” de medida). De uma forma ou de outra, há uma importante reversão no resultado que no segundo trimestre foi de 1,8% e agora -0,5% (diferencial de 2,3% no crescimento).

Como dito anteriormente, o consumo das famílias e do governo continuam sustentando a taxa de crescimento, mas nem o resultado positivo em torno de 1% nos 2 componentes conseguiram segurar a queda no PIB. O resultado positivo nos últimos 4 trimestres da FBKF mostra-se “ilusório” no resultado mais recente. Como se observa, os 3 penúltimos resultados apontavam para uma melhoria no investimento no país, que parece não ser sustentado. Essa afirmação é comprovada pela queda de 2,2% da FBKF na economia. Isso implica necessariamente em dizer que o ritmo de investimentos caiu, logo o país não está investindo o que precisa. De forma informal, um economista sério diria que isso é RIDÍCULO, pois é impossível crescer (no longo prazo) sem investimento. Logo, o resultado aparentemente positivo anteriormente se contrapõe ao que se observa aqui. Há uma certa malícia de economistas na hora de falar dos dados, por isso resolvi apresentar exatamente a leitura de um mesmo dado em períodos diferentes, para que o leitor seja sempre atento ao que cada gráfico pretende dizer. De forma prática, esse é um resultado ruim para o país. Pode-se torcer para que seja “um ponto fora da curva” (ou uma barra abaixo do zero, no gráfico). Em linha com o observado anteriormente, a gangorra das exportações continua, com retração no último trimestre. Talvez a única notícia boa (economicamente falando) é a relativa estagnação das importações, que corrobora a visão de que o consumo das famílias cresce com menos vigor e a queda da FBKF (menor importação de máquinas e equipamentos, por exemplo). Espera-se que com o real mais desvalorizado frente ao dólar as exportações se tornem mais dinâmicas e as importações cresçam num ritmo mais lento, que permitiria um melhor resultado do PIB, na ótica da demanda.

PIB demanda b 2013T3

No próximo post, é abordada a decomposição do PIB sob a ótica da produção (parte 1 – link, parte 3 – link, parte 4 – link, parte 5 – link).

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