Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 07/12/2013

O PIB do 3º Tri – Determinantes da Oferta (parte 5)


No último post desse série, observa-se melhor a abertura do PIB pela ótica da produção (ou oferta), detalhando o setor de serviços. Assim como nos casos anteriores (parte 1 – link, parte 2 – link, parte 3 – link, parte 4 – link), é apresentado o resultado dos últimos 4 trimestres acumulado frente aos 4 trimestres anteriores, como medida de patamar médio de crescimento (gráfico 1) e o resultado na margem, ou seja, trimestre sobre trimestre anterior, já com o ajuste sazonal.

O que pode ser visto no gráfico 1 é que, em média, todos os segmentos estão estão melhores ou mantiveram o patamar de crescimento dos 4 trimestres terminando no 2º tri de 2013. Isso indica que, comparativamente aos trimestres anteriores, o setor de serviços está melhor. Dessa forma, é possível dizer que, em 12 meses, houve aceleração do crescimento, destacando principalmente os serviços de transporte, armazenagem e correio, os serviços de informação (inclui atividades de Telecomunicações, Informática, Audiovisual, Agência de notícias e Serviços de jornalismo) e serviços de intermediação financeira e seguros. Nota-se que esse setor tem puxado nos últimos trimestres o crescimento do PIB, que vai ter implicações em contratação de funcionários no setor, pressão salarial por ganhos reais, que é o que se observa no dia a dia.

PIB Serviços - Oferta a T3 2013

PIB Serviços – Oferta a T3 2013 (variação 4trimestres)

Apesar desse resultado em termos de patamar de crescimento, a tendencia observada no terceiro trimestre é bastante diferente das conclusões acima. Apesar do setor influenciar o crescimento do PIB no 4 meses, há uma clara perda de força de quase todos segmentos. O comércio, que vinha crescendo a taxas positivas e crescentes nos últimos trimestres (0,1%, 0,8% e 1,6%) ficou estagnado no último trimestre (que não é necessariamente um resultado ruim, mas não contribui para o crescimento). Os setores que vinham crescendo a expressivas taxas no resultado de 4 trimestres, estão crescendo em ritmo bastante inferior (caso de Transportes e Informação). Além desses, os serviços de Interm. Fin. e Demais Serviços vem intercalando trimestres de crescimento e recuo, sem impulsionar o crescimento de forma sustentável. O segmento imobiliário e de aluguel dos serviços também se manteve estagnado, em linha com o que foi observado com a atividade mais fraca do setor de Construção Civil. Sustentando, por fim, um resultado pífio do setor de serviços, as atividades ligadas a serviços públicos (que incluem educação e saúde) é a única a apresenta resultados positivos nos últimos 4 trimestres.

PIB Serviços - Oferta T3 2013 (variação trimestral)

PIB Serviços – Oferta T3 2013 (variação trimestral)

É sabido até entre todas as escolas de pensamento econômico que sem investimento uma economia não cresce. Seja lá qual for a ordem de causalidade das coisas (i) entre geração de poupança para então ter recursos disponíveis para investir ou (ii) investir conforme o “espírito animal” que motiva os empresários, que vai aumentar lucros e então a poupança, sem uma contrapartida não há a outra. O que se nota do gráfico abaixo é que não só a Formação Bruta de Capital Fixo não embala, como está em um patamar menor do que em 2010, pouco acima de 18%. Ainda, no último trimestre houve uma queda da FBKF. Mais triste é ver que a poupança doméstica não só acompanha a tendência da FBKF (sem entrar no mérito da causalidade), mas como apresenta magnitude ainda pior. Desde 2007 que a necessidade de financiamento do investimento tem sido negativa, ou seja, estamos complementando a FBKF com poupança externa, que tem sido cada vez mais importante. Quando alguém diz que “o brasileiro poupa pouco” é isso que está refletido no gráfico. Em países asiáticos esse valor de poupança é apenas o DOBRO do brasileiro, chegando a mais de 40% em países como a China. Lógico que não podemos crescer da mesma forma, sob essas mesmas condições. Se a China cresce 8% com 40% de poupança e a nossa é de cerca de 18%, por uma “conta burra” de regra de 3 (modelo conhecido como “conta de padaria”), nosso crescimento não poderia passar de 3,6%. Essa conclusão é factível, não? Vale lembrar, contudo, que quando tivermos problemas de balanço de pagamentos por conta de desequilíbrios que ocorrem quando um país passa a depender tanto de poupança externa, o que ocorre não é que a poupança doméstica compensa, mas que a FBKF cai ainda mais (já tivemos essa experiência no passado).

Poupança e Formação Bruta de Capital Fixo

Poupança e Formação Bruta de Capital Fixo

Enfim, a ideia desses posts (parte 1 – link, parte 2 – link, parte 3 – link, parte 4 – link) foi mostrar um pouco mais o que pode ser concluído, o que pode ser dito através de diferentes gráficos e como diferentes pessoas podem querer puxar os resultados para mostrar que está “bem na foto”, no caso do PIB. As perspectivas não são boas, uma vez que na margem o resultado foi negativo para o PIB, ainda que alguém mais desavisado possa ver que nos últimos 4 trimestres estamos ligeiramente melhores. Isso implica em dizer que o futuro é incerto, que reflete também na baixa taxa de investimento na economia. Ano que vem tem Copa e eleições, há muitos sonhos e muita expectativa dos brasileiros, o que pode incentivar um impulso do PIB. Contudo, a depender dos resultados (espero que mais das eleições do que da Copa), 2015 vai ser um ano ruim, sem expectativas de nada e colhendo resultados ruins, que vai fazer o Brasil crescer ainda menos. Espero que pelo menos possamos comemorar um desses 2 grandes eventos que acontecem de 4 em 4 anos.

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