Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 28/03/2014

“Vou-me embora pra Pasadena”


“Vou-me embora pra Pasadena
Lá sou amigo de um belga
Lá tenho o contrato que eu quero
Com as cláusulas que escolherei
Vou-me embora pra Pasadena

Vou-me embora pra Pasadena
Aqui eu não sou feliz
Lá fazer negócio é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Astra Oil a Louca da Bélgica
Sócia e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da refinaria que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei pelos ministérios
Montarei CPI com político brabo
Subirei nos gabinetes-de-sebo
Ganharei pedidos para me assinar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
A Petrobrás vinha me contar
Vou-me embora pra Pasadena

Em Pasadena tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De permitir a corrupção
Tem Put Option automático
Tem Rentabilidade à vontade
Tem Cláusula Marlim bonita
Para a gente reivindicar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo de um belga —
Terei o contrato que eu quero
Com as cláusulas que escolherei
Vou-me embora pra Pasadena”

(como já foi dito antes, “Que Manoel Bandeira me perdoe…”)

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