Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 08/10/2014

Inflação Recente no Brasil


A gestão de política econômica no Brasil é ridícula. Isso não quer dizer que no passado foi ridícula nem que a definição de uma meta de inflação é algo ridículo. Isso quer dizer que é, no presente momento, ridícula.

O atual governo não persegue uma meta de inflação, pois a meta é de 4,5%. Perseguir a meta é perseguir o centro da meta. Perseguir o limite superior do intervalo de tolerância, não é perseguir a meta, como parece que alguns acreditam.

De acordo com a RESOLUÇÃO Nº 4.095, DE 28 DE JUNHO DE 2012 (link), do Banco Central do Brasil:

“Art. 1º Fixar para o ano de 2014 a meta para a inflação de 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento), com intervalo de tolerância de menos dois pontos percentuais e de mais dois pontos percentuais.”

Nos últimos 12 meses, contabilizando a inflação divulgada no mês de Set/2014, o IPCA atingiu 6,75%. Esse é um valor acima do limite de tolerância. Além disso, isso é um fato, é um dado divulgado, é um número consolidado e não tem discurso nenhum que possa dizer diferente.

Enquanto o governo brinca com palavras e interpretações semânticas quanto a meta e seus limites de tolerância, a tolerância das pessoas já ultrapassou o limite. Chega a ser covardia alguém que está no poder, com grande capacidade de exposição na mídia e retórica, dizer que a inflação no país está bem. Ela está alta! Pode não estar estourando, mas está alta. Isso não há como negar.

IPCA 2003-2014No gráfico ao lado, é fácil ver a evolução da inflação nos últimos 12 anos (Histórico de metas de inflação – link). No atual governo, a inflação média de 12 meses é de 6,28%. No acumulado dos últimos 12 meses, 6,75%. Não acredito que seja leviana o discurso que o governo atual persegue o limite superior do intervalo de tolerância da inflação, como fica claro no gráfico. Nos últimos 4 anos, não se chegou nunca na meta, NUNCA. O comprometimento com a estabilidade de preços é um fator de credibilidade na condução da economia de um país. A falta desse comprometimento implica no contrário. A credibilidade, no caso, recai sobre a economia como um todo e sobre a instituição que faz a gestão da política monetária: o Banco Central. O Brasil todo perde.

Cenários como esse geram grandes incertezas no futuro da economia, afugentando investidores, postergando decisões importantes e criando um cenário de contínuos ajustes de preços. Os mais radicais diriam que pode ser o inicio de um processo hiperinflacionário, mas acho que é muito pessimismo pensar assim. Certo ou errado, as perspectivas atuais para o futuro não são das mais animadores. A inflação é uma dessas causas de desânimo.

A comparação que se pode fazer em brincar de perseguir os intervalos de tolerância é com uma estrada, rodovia ou rua, seja na vida real ou no videogame. Andar na pista do meio é perseguir a meta. Andar na pista da esquerda é acelerar, correr mais, ver a paisagem passar mais depressa, prestar menos atenção nos detalhes, pisar mais no acelerador. Isso é brincar de perseguir o limite de tolerância. Passar do limite quer dizer “dar uns totó” no guardrail, ficar raspando o carro, invadir o acostamento. Parece até que o motorista está com sono e logo logo vai causar um acidente. Se fosse no videogame, é como se o controle tivesse travado  ou mal conectado (já aconteceu com você, com certeza). Depois não adianta reclamar do estrago.

O que fazer? Fácil, basta trocar de motorista e colocar alguém mais atento na condução da política monetária.

454fd44de5f7c315cc6787ed3f978d29_crop_north

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: