Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 23/10/2014

Desabafo Pré-Eleitoral


Depois de ter me envolvido em discussões e debates acerca das eleições estaduais e federais e depois de ter lido e escutado inúmeras histórias de amizades destruídas via redes sociais, achei conveniente fazer uma reflexão sobre o assunto e compartilhar.

Domingo será um dia de grande apreensão. De uma lado PT, com Dilma, e de outro PSDB, com Aécio. urnaSinceramente, eu acho que antes de mais nada ambos estão lá por ambição, por orgulho pessoal. De um lado a manutenção do poder de alguém que nem queria ser presidente no primeiro mandato, do outro a ganância e o passivo histórico de quem quer dar o próximo passo na carreira política e subir ao poder maior. Depois disso é que vem o povo.

Acredito que nenhum dos dois de fato representa o povo, eles representam eles mesmos e os seus partidos, que tem fome pelo poder (e pelo dinheiro). Para chegar lá, é preciso agradar o povo, então é isso o que eles fazem. Eles nos agradam, mas não nos representam.

Essa polarização é reflexo da dualidade do país. O Brasil não é apenas um país de contrastes, mas é um país paradoxal . De um lado um mercado de trabalho que cresceu muito nos últimos anos, recorde histórico de trabalhadores formais, de outro um dos maiores programas assistenciais do mundo. Se 50 milhões (1/4 do país) recebe transferência de renda (isso apenas do principal programa), como pode esse ser um país de sucesso? Me parece uma contradição! Antes assim do que ter milhões de pessoas com necessidades das mais básicas não atendidas, mas não deixa de ser uma contradição! Fato é fato, sem julgar o quanto A ou B é bom ou ruim.

Nessa linha, segue o embate ideológico e polarizado das ideias econômicas (e sociais). De um lado, tem que se privilegiar o social e o econômico é consequência e, do outro, tem que privilegiar o econômico e o social é consequência. Ambos querem a mesma coisa, por caminhos diferentes. Logo, apresenta-se uma resposta simples: privilegiar o econômico terá um custo social e privilegiar o social terá um custo econômico.

Nunca antes na historia desse país tivemos tantas pessoas recebendo benefícios do governo e um mercado de trabalho tão aquecido” (…diriam uns…)

Mas os desembolsos de seguro desemprego nunca foram tão altos, as finanças públicas estão indo de mal a pior a cada mês, a taxa de investimento permanece estagnada e a economia não cresce. Isso é um fato. Como reverter isso?

Nós temos que fazer as mudanças necessárias, a inflação tem que convergir pra meta e depois reduzir a meta, o lado fiscal tem que ser corrigido, são os ajustes virtuosos” (…diriam outros…)

Esses ajustes incluem “desrepresamento” de preços administrados e possivelmente elevação dos juros, reorganização das finanças do governo, que deve gerar no curto prazo um impacto social no nível de emprego, no investimento, e, como consequência, no crescimento econômico. Isso também é um fato. Como minimizar esse impacto?

Nem um lado nem o outro, representados pelo atual Ministro Mantega e pelo Ex-Presidente do BC Armínio Fraga, tem a resposta. Sozinhos eles não fazem nada e no final das contas as decisões são do presidente. Contudo, as equipes que acompanham esses economistas tem diferentes visões sobre os problemas e, logo, diferentes possíveis soluções. Só saberemos como um lado se sairá!

E por que a economia é importante? Acho que aqui reside o maior insight (ou apenas viés da profissão). Porque os serviços públicos, em média, são ruins (digo “em média”, pra salvar algumas ilhas de excelência e não injustiçar funcionários de se dedicam ao seu trabalho, mas no geral as reclamações e ineficiências são maiores do que os elogios e soluções). Isso também é um fato! Ter renda e emprego permitem o cidadão comum se desvincilhar dos serviços públicos ruins e consumir serviços privados (melhores, na média), sobretudo em saúde, educação básica e transporte. A segurança pública é outro problema e muito mais cara sob gestão privada, o que faz o cidadão comum se arriscar todos os dias ao sair de casa. Esses problemas (destacando: a melhoria no acesso e na qualidade do sistema de saúde, na qualidade da educação, no provimento da segurança e na disponibilização de transportes públicos) ninguém sabe como resolver a nível nacional e ninguém apresenta propostas sérias. Ficam fora do debate!

Apesar disso, a economia indo bem, favorece a arrecadação de impostos, que permite tanto a melhora fiscal, quanto a expansão de gastos sociais e melhorias salariais do setor público (sim, isso pode ser feito conjuntamente!). A economia indo bem, permite um melhor ambiente de expansão da infraestrutura do país. A economia indo bem gera emprego e renda. A economia indo bem melhora a vida das pessoas. A economia indo bem gera expectativas positivas para o futuro, que permite a economia continuar indo bem, numa bela espiral cíclica para cima. A economia indo mal, produz uma tempestuosa espiral cíclica para baixo.

Contudo, só um lado sairá vencedor. Jamais saberemos como o outro lado teria feito. Eu, como economista, quero que a economia vá bem, seja pelo caminho do bem ou do mal (aqui cada leitor pode se identificar com um lado, a depender do referencial). Os últimos sinais econômicos e sociais não são de melhora, mas de estagnação e isso é fato. Quem quer que ganhe, terá que mudar a forma de condução das políticas atuais, se for a favor do bem do povo. Do jeito que está, não dá pra sustentar mais, mas mudar não é pecado, nem continuar mudando.


Responses

  1. Excelente analise, Guilherme. Em politica e futebol nunca há unanimidade absoluta e aqui cabe ressaltar os pontos de convergência.
    Sucesso ao Blog.

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