Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 17/11/2014

Emprego: tragédia anunciada


No Brasil, tudo chega com atraso! Sempre escutamos isso, mas nem sempre acreditamos. Com a globalização, muitas coisas começaram a chegar com menos atraso no país, de celulares a estréia de filmes no cinema. Porém outras coisas não mudam. Me parece que a crise no Brasil começou em 2014 enquanto no resto do mundo surgem os primeiros sinais de recuperação. Em outras palavras, quando o mundo começar a ficar bem, o Brasil não deve aproveitar tão bem essa recuperação, pois vai ter que resolver problemas internos, criados por si mesmo.

emprego acumulado jan out 14 totalUm dos problemas a ser enfrentado é o desafio da geração de novas vagas de trabalho. O CAGED divulga mensalmente o saldo entre admitidos e desligados. No último levantamento, até outubro desse ano, o saldo acumulado nos 10 meses do ano foi de 700 mil vagas líquidas de trabalho, como mostra o gráfico abaixo. No ano passado, no mesmo período, foram 1,1 milhão de vagas, logo, uma queda de 40% esse ano. Em 2010 foram quase 2,5 milhões de vagas. Esse é um fato claro que mostra a desaceleração no mercado de trabalho. Deve-se ter em mente que em dezembro demite-se mais, em torno de 435 mil postos são desfeitos. Logo, o resultado desse ano aponta para um baixo saldo de criação de vagas. Esse fato é mais uma consequência da economia ruim do que um fator que a explica (como muitas vezes se diz, a questão de causalidade é importante). Vale destacar também a deterioração do resultado, visível no gráfico. O ano de 2009 foi o pior para o país em termos de impacto da crise, mas 2014 já está sendo pior.

emprego acumulado jan out 14 setoresDo ponto de vista setorial, a indústria, o comércio e a construção civil são os que mais sofrem. No ano, são pouco mais de 34 mil vagas em cada setor, muito diferente das quase 300 mil vagas na indústria, 110 mil vagas no comércio e 145 mil vagas na construção, no mesmo período do ano passado. O setor está sustentando o patamar são os serviços, principalmente. Os motores da economia estão parando e essa situação é preocupante, pois aponta uma tendencia negativa para os próximos meses e uma forte desconfiança que não iremos crescer em 2014 e possivelmente 2015 será um ano ainda mais difícil para o emprego e a renda.

emprego setores 12 meses - out14Considerando o resultado acumulado em 12 meses (que inclui o temível mês de dezembro), nota-se que a desaceleração é generalizado, quando não uma intensificação de queda de postos de trabalho. A indústria vem em trajetória ruim desde mar/14 (no ac. 12 meses) passando a fechar postos. A construção civil vem na mesma toada. O comércio que se segurou bem nos últimos meses também aponta para baixo. Deve-se lembrar que raramente ocorrem mudanças bruscas no mercado de trabalho, de forma que para que uma trajetória de queda se transforme em um trajetória de alta, leva tempo e requer confiança na economia. O mais preocupante de tudo e a ligeira tendencia de queda nos últimos meses do setor de serviços.

O emprego e a renda foram alguns dos principais responsáveis pelos ganhos sociais no país nos últimos anos, permitindo crescimento e fortalecimento do mercado doméstico, junto com a melhora nas condições das famílias que permitiram concomitantemente o aumento do crédito.

A soma de decisões econômicas ruins e diagnostico errado dos problemas faz com que o Brasil tenha que enfrentar seus problemas e com grande risco de entrar numa crise e numa recessão quando o mundo indica que deve voltar a crescer. Que paradoxo!

Assim como Victor, a impressão que fica é a de que criamos um monstro. A busca incessante pela busca de “números bonitos”, pela alquimia e pelo o segredo do crescimento confinou a equipe econômica num laboratório do qual resultou todas as politicas heterodoxas, misturadas, reviradas e remendadas, bagunçando tudo o que um dia foi organizado. Os resultados estão começando a aparecer. Nossa economia Frankenstein agora promete perseguir o criador. Boa caçada!


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