Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 03/12/2014

Crescimento real do PIB, Poupança e Investimento


Seguindo o esforço do trabalho anterior para pensar em novas formas de ver a mesma informação, procurei entender de que forma evoluíram, em termos reais, o PIB, a poupança e o investimento nos último anos. Novamente ressalta-se que crescimento real é aquele crescimento acima da inflação (ou deflator implícito), ou seja, o ganho efetivo de poder de compra da economia, dados os ajustes de preços.

No post anterior (Crescimento real do PIB, Consumo das Famílias e Consumo do Governo) foi abordada a questão do consumo. Por identidade macroeconômica, o que não é consumido é poupado. Simples, não? Assim como no post anterior, a intenção não é entrar em viés ideológico, mas apenas constatar a piora no cenário atual e apontar caminhos para voltar a crescer.

No gráfico abaixo, é apresentada a relação do crescimento real acumulado do PIB,  ano a ano e por período. Assim, leia-se que ao final de 1998 o PIB tinha crescido, no acumulado de 4 anos, 10,3% e a taxa de poupança doméstica recuado 10,8%, ambos em termos reais. Em 1994 a taxa de poupança no país era de 21,2% e recuou para 17,2% em 1998. Um aumento da poupança entre os anos 2003 e 2010 permitiu uma parcela maior de recursos disponíveis para investimento (ou formação bruta de capital fixo, FBKF), que aparece na sequencia. Esse resultado, junto com o que foi apresentado no post anterior (link), mostra que é perfeitamente compatível (e sobretudo sustentável) crescer poupança e consumo ao mesmo tempo. A poupança fornece os recursos necessários para aumentar o investimento, que por sua vez aumenta a produção e a geração de riquezas, que permite aumentar o consumo.

crescimento real pib poupanca 2014t3

Já a lógica contraria, incentivar o consumo para elevar a demanda e assim tornar atrativo o aumento do investimento e da produção, que vai levar à um aumento da demanda por recursos e assim uma elevação da poupança, vulgo “nova matriz econômica”, não parece ser tão fácil na realidade quanto no discurso. Se não houver condições e nem credibilidade, não há investimento, logo também não precisa haver poupança. Aumento de consumo sem aumento de produto (demanda>oferta), em todos os lugares do mundo significa aumento da escassez de produtos que reflete, em última instância, em aumento de preços. (Como está a inflação hoje?) Parece que esqueceram de avisar ao governo isso. Então, no último período, no gráfico acima, a poupança cai fortemente, pois o consumo está crescendo num patamar muito elevado, e o PIB acaba vindo mais fraco (que nos últimos 4 mandatos).

Consequência direta disso é que sem poupança não tem investimento. No gráfico abaixo são apresentadas as taxas de crescimento do PIB e da formação bruta de capital fixo (FBKF). Depois de uma leve melhora no FHC II, o PIB voltou a entrar em trajetória de aumento das taxas de crescimento, que persistiu até o Lula II. Não é difícil ver que quase sempre a FBKF mais elevada impulsiona as taxas de crescimento do produto. Em contrapartida, taxas mais baixas (ou decréscimo) da FBKF vai trazer o resultado do PIB mais para baixo.

crescimento real pib fbkf 2014t3

 

Caso ainda não tenha ficado claro, é fácil também mostrar a poupança e a FBKF no mesmo gráfico e notar como, na maior parte do tempo, elas caminham juntas. A FBKF depende tanto da poupança interna quando da poupança externa, motivo pelo qual há diferenças nas variações das duas taxas. No geral, não é difícil concluir que poupança mais alta leva a FBKF mais alta também (e logo, o PIB!).

crescimento real fbkf poupanca 2014t3

Crescimento – Poupança e FBKF

Espero que os últimos 4 anos possam servir de lição e aprendizado para que não sejam repetidos nos próximos 4. É importante gerar os incentivos que estimulem a poupança doméstica. Somente assim vamos voltar a ter aumento do investimento e uma taxa de crescimento sustentado, que permite aumento contínuo de renda e melhoria da qualidade de vida para a população (inclusive ampliação políticas sociais).

 

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