Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 16/06/2015

(Des) Emprego no Brasil (2)


Outra forma de ver a mesma constatação do post anterior [(Des)Emprego no Brasillink] é através da Pesquisa Mensal de Emprego, do IGBE (link IBGE – link SIDRA). De forma semelhando ao CAGED, a pesquisa levanta informações sobre o número da população economicamente ativa pessoas ocupadas

A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) produz indicadores mensais sobre a força de trabalho que permitem avaliar as flutuações e a tendência, a médio e a longo prazos, do mercado de trabalho, nas suas áreas de cobertura. (… Ela …) abrange informações referentes à condição de atividade, condição de ocupação, rendimento médio nominal e real, posição na ocupação, posse de carteira de trabalho assinada, entre outras, tendo como unidade de coleta os domicílios.

Abrangência geográfica: Regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

Ainda, conceitua-se a População em Idade Ativa (PIA) como as população economicamente ativa e a população não economicamente ativa.

  • A) População Economicamente Ativa (PEA)
    • Compreende o potencial de mão-de-obra com que pode contar o setor produtivo, isto é, a população ocupada e a população desocupada, assim definidas:
      • População Ocupada – aquelas pessoas que, num determinado período de referência, trabalharam ou tinham trabalho mas não trabalharam (por exemplo, pessoas em férias). As pessoas ocupadas são classificadas em: empregados, conta própria, empregadores e não remunerados. (Para maiores informações, clique aqui).
      • População Desocupada – aquelas pessoas que não tinham trabalho, num determinado período de referência, mas estavam dispostas a trabalhar, e que, para isso, tomaram alguma providência efetiva (consultando pessoas, jornais, etc.).

  • B) População Não Economicamente Ativa (PNEA)
    • As pessoas não classificadas como ocupadas ou desocupadas.

Como pode-se notar, no gráfico abaixo, a PIA cresceu. No eixo esquerdo, a PIA sai de um patamar de 36 milhões de pessoas para quase 44 mil na última pesquisa de abril/15. No eixo da direita, nota-se também que esse processo não deve perdurar para sempre. A taxa de crescimento (eixo direito) é decrescente, ou seja, a PIA cresce a uma taxa cada vez menor. Nesse sentido, pode-se estimar que em algum momento do futuro a PIA deverá encolher, pois a pirâmide etária do país já está indicando isso. Cada vez menos pessoas entrarão na PIA.

PIA - crescimento

 

Um fato que foi importante nos últimos anos foi a expansão da PEA e a absorção dessa pelo mercado de trabalho (pessoal ocupado). No gráfico abaixo nota-se a taxa acumulada de crescimento da PIA, da PEA e da PNEA, com base em janeiro/03. Em todo o período a PEA cresce mais do que a PIA. Como a taxa é acumulada, o que se interpreta é que pouco antes de janeiro/13 a PEA havia crescido quase 25% em relação ao início de 2003. Nessa mesma comparação a PIA havia crescido cerca de 17,5% e a PNEA  10%. Apesar disso, vale notar uma forte tendencia de crescimento da PNEA a partir de 2013, que se aproximou da PIA. Isso quer dizer que, em termos acumulados, o ritmo de expansão se aproximou. Muito dessa forte aceleração da PNEA se deve a pessoa que deixaram o mercado de trabalho por algum motivo (ex: estudos, incentivos sociais, etc.).

PIA PEA PNEA - crescimento ac

Ao longo dos últimos anos, essa expansão da PEA foi absorvida pelo mercado de trabalho. No gráfico abaixo é fácil ver que há uma redução do espaço entre as curvas de PEA e Pessoal Ocupado (PO). Isso implica que, aqueles que estão na população economicamente ativa e ocupadas ocupa uma fração maior do total da PEA: o desemprego caiu nesse período.PEA PO

Mas se olharmos com mais detalhe o período recente, a conclusão é diferente. Enquanto a PEA parece ter se estabilizado em um patamar em torno de 24,5 milhões, a PO se estabilizou em um patamar de 23,5 milhões. Desde o final do ano passado a PO caiu fortemente, implicando um uma redução das pessoas ocupadas, ou seja, aumentando o desemprego no país.

PEA PO 2010 on

Em outras palavras, o desemprego que chegou a 4,3% da PEA nas regiões metropolitanas no final do ano passado pulou para 6,4%. São mais de 600 mil pessoas que num prazo de poucos meses deixaram de estar empregadas mas continuam em busca de emprego. O desemprego volta para patamares de 2012 e a tendência é de piorar antes de melhorar.

PEA PO desemprego 2010 on

Esse fenômeno se deu em todas as regiões metropolitanas pesquisadas, com especial destaque para o Nordeste, onde o desemprego é maior.

desemprego regiões metropolitanas

Se até antes das eleições não havia uma percepção generalizada de que a economia iria piorar, agora é um fato consumado que “não está fácil para ninguém”. Colocar o país na trajetória de estagnação e inflação alta, somados à crise política, é um resultado direto das ações governamentais dos últimos anos. Promover um ajuste fiscal só é necessário quando há um desajuste, que foi o próprio governo que criou. Esse desajuste pelo qual a economia ingressou tem repercussões sérias sobre o emprego, sobre a renda e sobre a qualidade de vida dos trabalhadores. Em um ambiente macroeconômico de aumento de desemprego, perda de postos de trabalho e de renda, os investimentos são freados, as vendas recuam e isso tudo ajuda a aprofundar a crise.

Ao mesmo tempo, restringe-se os benefícios sociais, como Seguro Desemprego e Abono Salarial, e os benefícios sociais prometidos em campanha como Bolsa Família, como Prouni, como Fies, como Minha Casa Minha Vida. São direitos que são modificados e bons programas (na sua essência) que foram usados além da conta, de forma descontrolada, de forma populista e sem nenhuma fiscalização ou rigor de quem de fato era merecedor de tais programas. Agora a conta é dividida com toda a população. Brasil, um país de todos!


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