Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 02/07/2015

Quem mexeu no meu superávit primário? (4)


Quem mexeu no meu superávit primário?

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(continuação…)

Joaquim entrou na Ala Importações com grande excitação. Mas, para sua tristeza, descobriu que estava vazia. Alguém estivera lá e deixara apenas aquelas pequenas quantidades de Recursos.

Ele percebeu que se tivesse saído de onde estava antes, poderia ter encontrado muitos Recursos ali.

Joaquim decidiu ir ver se Eujênio estava pronto para se unir a ele.

Ao voltar sobre seus passos, parou e escreveu na parede:

Quanto mais rápido você corta seus gastos, mais rápido você encontra o superávit primário.

Depois de algum tempo Joaquim acertou o caminho para a Ala Imposto e encontrou Eujênio.

Ele lhe ofereceu porções de Recursos novos que tinha adquirido da poupança que fizera e da rentabilidade dos seus Recursos não gastos, mas ficou decepcionado.

Eujênio apreciou o gesto do amigo, mas disse que não sabia se gostaria de Recursos que vinham de corte de gastos. Simplesmente não era aquele a que estava acostumado. Ainda iria esperar mais Recursos serem recolocados na Ala Imposto, Ala em que estava.

Joaquim apenas balançou a cabeça desapontado e, relutantemente, voltou ao labirinto sozinho. Ao chegar ao ponto mais distante que alcançara, sentiu falta do amigo, mas percebeu que gostava do que estava descobrindo. Mesmo antes de encontrar o que esperava que fosse um grande estoque de novos Recursos, soube que apenas ter Recursos não era o que o tornava feliz.

Joaquim estava feliz com o que estava fazendo agora. Gerindo e administrando seus Recursos e não gastando mais do que tinha. E com isso ainda conseguia obter mais Recursos da aplicação dos Recursos poupados com os patrões do contador, que agora estava muito mais feliz com a forma de Joaquim agir. Isso tudo contribuía ainda mais para que Joaquim mantivesse sólido seu novo superávit primário.

Ele percebeu novamente, como um dia havia percebido, que aquilo que se teme nunca é tão ruim quanto se imagina. O medo de mudar que você deixa aumentar em sua mente é pior do que a situação que realmente existe. Não pode se enganar e mentir para si mesmo. Não pode enganar e mentir para os outros também, achando que com palavras as coisas vão mudar. Não adianta ir à televisão e dizer que está tudo bem. Não adianta dizer que todos terão que se esforçar quando você mesmo não se esforça, não dá o exemplo. A mudança é feita com ações e devem ser ações diferentes daquelas que fazia antes.

Sabendo disso, Joaquim não se sentia tão fraco como quando permaneceu na Ala Imposto, sem Recurso. O simples fato de decidir que não deixaria seu medo fazê-lo parar, saber que tinha tomado uma nova direção, alimentava-o e o fortalecia.

Agora sabia que encontrar o que precisava era apenas uma questão de tempo. Na verdade, sentia que já havia encontrado.

Ele sorriu, ao se dar conta de que:

É mais seguro manter o superávit primário do que aumentar os gastos descontroladamente e ficar sem Recursos.

Joaquim sabia que seu antigo modo de pensar fora afetado por suas preocupações e seus medos, seus gastos desenfreados, sua falta de responsabilidade, seu descontrole e um pouco da farra de seus amigos. Ele não costumara pensar em não ter Recursos suficientes, ou em não tê-los durante o tempo que desejaria. Pensara mais no que poderia gastar do que no que poderia poupar.

Mas aquilo mudara desde que saíra da Ala Imposto.

Ele costumara acreditar que os Recursos nunca poderiam ser obtidos de outro lugar, e que a mudança não fazia sentido, que a única coisa a fazer era esperar. Agora percebia que era natural que a mudança ocorresse continuamente, sendo ou não esperada. Era a mudança que o fazia continuar progredindo. Ela só poderia surpreendê-lo se não a estivesse esperando.

Joaquim mudara as suas crenças e ideologias (e mudara sua cor favorita, que era antes o vermelho).

Ele parou para escrever na parede:

Velhas ideologias e palavras não o levam ao superávit primário.

Joaquim ainda não encontrara Recursos algum (de forma consistente), mas percorrendo pelo labirinto pensou no que havia aprendido.

Tinha algumas novas crenças e notou que estava se comportando de modo diferente de quando ficava percorrendo as mesmas Alas sem Recursos.

Ele sabia que quando você muda suas crenças e formas de agir, pode mudar o que faz. Podia sempre acreditar que a mudança iria prejudicá-lo e resistir a ela. Ou podia encontrar uma nova maneira de pensar e de se comportar, se adequando à quantidade de Recursos e aquilo o ajudaria e o faria aceitar a mudança.

Tudo depende daquilo em que escolha se acreditar.

Joaquim tinha consciência de que estaria em melhor situação agora se tivesse aceitado a mudança e saído do Ala Imposto mais cedo. Sabia que estaria se sentindo mais forte física e espiritualmente e poderia ter enfrentado melhor o desafio de encontrar cortes de gastos e fazer um novo e sustentável superávit primário. De fato, provavelmente já o teria encontrado se tivesse abraçado a mudança, em vez de perder tempo negando que ocorrera ou culpando uma crise externa qualquer. O seu problema não era interno e tinha que se atentar a isso.

Reuniu coragem e decidiu entrar nas partes mais desconhecidas do labirinto. Encontrou umas poucas quantidades de Recursos aqui e ali e continuava a recuperar sua força e confiança.

Ao pensar no lugar de onde viera, Joaquim ficou feliz por ter escrito em muitas paredes. Achou que suas frases serviriam como uma pista para Eujênio seguir através do labirinto, se escolhesse sair do Ala Imposto.

Joaquim só esperava estar indo na direção certa. Pensou na possibilidade de Eujênio ler O Manuscrito Econômico de Gestão Financeira na Parede e encontrar o seu caminho.

Ele escreveu na parede o que estava pensando havia algum tempo:

Notar cedo os pequenos desequilíbrios ajuda-o a adaptar-se aos maiores que ocorrerão.

Àquela altura, Joaquim havia se libertado do passado e estava se adaptando ao futuro.

Ele continuou a percorrer o labirinto com maior força e velocidade. E não demorou muito para algo acontecer.

Quando parecia que estava no labirinto havia uma eternidade, sua jornada terminou rápida e alegremente.

Joaquim encontrou um novo Recurso no Ala Investimento!

Quando entrou, ficou surpreso com o que viu. Em altas pilhas por toda a parte estava o maior estoque de Recursos que já encontrara. Joaquim não reconheceu todos os tipos de Recursos e Divisas em Moeda Estrangeira, porque algumas eram novas para ele.

Por um momento Joaquim se perguntou se o que via era real ou fruto da sua imaginação. Então avistou seus velhos amigos, Singa e Alê.

Singa o recebeu inclinando a cabeça em uma saudação, e Alê acenou-lhe com a mão. Suas gordas maletas e brilhantes sorrisos mostravam que estavam ali havia algum tempo.

Joaquim os cumprimentou rapidamente e logo pegou quantidades de todos os seus Recursos favoritos. Tirou as ferramentas da maleta, posicionou-a em cima de uma mesa e inspirou profundamente. Aos poucos soltou o ar e voltou a fazer isso algumas vezes. Pediu para que os estrangeiros o beliscassem para concluir que não se tratava de um sonho. Então se atirou sobre o novo Recurso. Depois de saciar a fome, ergueu um pedaço de Investimento fresco e fez um brinde.

– Viva a Mudança!

Enquanto Joaquim saboreava o novo Recurso, refletia sobre o que aprendera.

Ele percebeu que quando temera a mudança estivera mantendo a ilusão do velho padrão de consumo, gastando Recursos que não podia.

Então o que o fez mudar? O medo de morrer de fome? O medo de não ter superávit primário? O medo de se endividar e não poder pagas as contas? Joaquim pensou: “Bem, isso ajudou.”

Então ele riu e percebeu que começara a mudar logo que aprendera a não contar mentira para si mesmo e a desfazer tudo o que fizera de errado. Deu-se conta de que o caminho mais rápido para mudar é compreender e assumir sua própria insensatez – então você pode se libertar e seguir rapidamente em frente.

(continua…)

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