Publicado por: Flávio Samara | 05/07/2015

E agora Euro?


Parece confirmada a rejeição ao acordo com credores no referendo realizado na Grécia. A decisão joga o país e a Zona do Euro na incerteza total. Não faltam opiniões sobre o que virá agora, mas parece haver um consenso: algo bom, com certeza não será.

O resultado em si do referendo é ambíguo e dá mostras que o grego parece sequer entender no que votou – a sua provável saída da Zona do Euro. Apesar da rejeição ao acordo com os credores, pesquisas indicavam anteriormente que mais de 70% dos gregos desejam permanecer na Zona do Euro – a renda deles subiu muito depois que a moeda foi adotada A impressão que fica é que consideram as duas coisas, acordo e euro, como independentes entre si e não condicionais. Talvez acreditem, portanto, que existe almoço grátis.

O próprio primeiro-ministro Tsipras parece convencido de que as duas coisas podem ser obtidas: mais dinheiro sem condicionais. Afirmou que a Grécia não deixará a moeda única e que pretende retomar as negociações nesta segunda. Mas foi grande defensor do “não” no referendo que aconteceu neste domingo. Que credor irá confiar nele para dar mais dinheiro? Talvez o próprio Tsipras tenham consciência disto, mas provável que busca sair desta história omo a vítima dos credores.

Ou talvez ignore que, por trás de Merkel existe uma Alemanha que também tem eleitores e estes mesmo eleitores questionam as atitudes de sua chanceler no sentido contrário: não enxergam motivação para o dinheiro de seus impostos irem para a Grécia.

Uma saída parece iminente.

Os bancos gregos, já com um rígido controle de capital que limita o saque, devem ficar sem euros ainda na segunda-feira. O governo grego não terá dinheiro para pagar seus funcionários públicos, pensões, aposentadorias, absolutamente nada. Poderia vender ativos, mas qualquer iniciativa neste sentido parece que jamais seria tomada. Então a Grécia teria que imprimir dinheiro. Não pode imprimir Euro, portanto imprimiria novamente o Dracma – sua própria moeda. E a saída da Zona do Euro estaria consumada. O se seguiria depois será provavelmente um ajuste abrupto, combinando maxidesavalorização do Dracma e insegurança institucional com contratos fixados em euros.

Para a Zona do Euro, a credibilidade estará mais do que arranhada. Não pode afagar a Grécia neste momento, pois há o risco moral: outros países não acharão mais a ameaça de ausência da austeridade fiscal como crível o suficiente para impor em si os custos sociais do ajuste.

Portugal, Espanha, Irlanda seriam os próximos a questionar e, caso a Zona do Euro (leia-se Alemanha) aceitar manter a Grécia, que moral terá para exigir os ajustes aos demais países endividados? Ao mesmo tempo, a saída da Grécia trouxe a “jurisprudência” para alguém deixar a Zona do Euro, algo que não estava previsto no tratado de entrada para os países.

A convergência forçada para economias “ao estilo da Alemanha” será questionado, visto que os custos para tal podem estar se acumulando a níveis que tornem questionáveis os ganhos de pertencer a uma moeda forte. Quanto mais diferentes da Alemanha, maior o custo de ser do mesmo clube que a Alemanha.

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