Publicado por: Flávio Samara | 22/10/2015

And here we go again (até quando aliás?)


Tudo bem, há quem simplesmente não goste de números. Não tem afinidade com isso, e demonstra uma capacidade ótima em outras áreas como comunicação, biológicas, humanas, literatura, oratória, artes, por aí vai. Mas economista não pode se dar o luxo de evitar números, matemática e estatística.

Parece que a profissão no Brasil, infelizmente, padece deste problema. O resultado é que seguimos debatendo em mídia questões que já deviam ter sido ultrapassadas para focar em questões determinantes para o crescimento sustentável – coisas como a importância das instituições, abertura comercial, cadeias internacionais de valor, autonomia do Banco Central. Mas não, continua-se a debater uma suposta austeridade fiscal que sequer existe! (olhar aqui  ou aqui).

E infelizmente seguem comentários que culpam a crise atual nesta austeridade inexistente, como a coluna da LC na Folha de hoje (“Malefícios da ideia de Serra vão além de perenizar a crise”). A moça induz o leitor ao erro, seguida e semanalmente. Talvez não saiba da existência das estatísticas de gastos do Governo na internet, ou não leu Alesina & Giavazzi.Ou ambos.

É lamentável que alguém desperdice este espaço de destaque em um jornal de tamanha circulação. Podia muito bem usar o espaço para bater na ideia da CPMF, já que o Governo tenta justificar um novo imposto como o ajuste indolor. Entretanto, o mesmo Alesina & Giavazzi demonstra que ajustes fiscais (quando realmente ocorrem) são muito menos dolorosos (em termos de PIB) quando feitos através do corte nas despesas do que com aumento nos impostos.

Quero dizer, a moça é paga para pesquisar (com nosso dinheiro aliás). Eu estou aqui pesquisando e escrevendo de grátis, e parece que eu sou muito mais preocupado em fundamentar o que falo!

Se for para continuar escrevendo colunas culpando a crise com austeridade fiscal inexistente, podia se dedicar a escrever sobre gnomos, papai Noel, duendes… dá na mesma e é muito menos prejudicial.

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Responses

  1. Acho que ela foi bastante infeliz no artigo, uma vez que REGRAS são uma forma de incentivo para que não se abuse do poder, como foi o caso da última eleição.

    Como não parece ainda ter havido nenhum ajuste, não se pode culpar o ajuste. O que se pode culpar é a desastrosa COMUNICAÇÃO do ajuste, que gerou expectativas que não estão sendo entregues e isso sim causa incerteza e freia o crescimento.

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  2. tentei ver mais infelizmente só para assinantes

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