Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 11/12/2015

Vilões da Inflação


Estamos conseguindo bater o recorde de números negativos esse ano. A descrença no país é assustadora, tanto que o PIB deve cair em torno de -3,5% esse ano e as projeções apontam para uma queda de -3% adicionais no ano que vem. O que isso significa? Significa dar um passo atrás para depois dar mais um passo atrás (alguém não entendeu que o ditado não era assim). Brincadeiras a parte, o país está regredindo no que diz respeito a renda e produção. Isso é fato!

Um dos números negativos esse ano é a inflação. Não pelo sinal propriamente dito, que é positivo, mas pela magnitude, lembrando que inflação em alta é um problema. Conseguimos bater a casa dos 10% de inflação esse ano, o que não acontecia desde 2003. São anos de política de meta de inflação que deixa de ser levada a sério.

A inflação não é de pressão de demanda nem de custos. Essa inflação de 2015 é um problema criado pelo governo, logo cabe a ele todos os méritos e louros. Abaixo, é possível ver o índice de inflação acumulado em 12 meses.

IPCA Ac 12 meses.png

Mas é possível abrir por grupos o IPCA e o quanto cada um desses contribui para o IPCA. Assim, temos que dentro da inflação de 10,5%, 2,8 pontos percentuais vem do grupo de Alimentação, 2,6 pontos percentuais vem do grupo de Habitação e 1,8 ponto percentual vem de Transportes (que são os principais).

IPCA todos grupos.png

Como o gráfico parece “bagunçado”, disponibilizo também cada grupo separadamente, abaixo. Assim, fica fácil ver a dinâmica separada de cada grupo e como eles estão pressionando a inflação ao longo do tempo, já ponderando pela participação no índice cheio. A comparação com a média é importante para não tomarmos conclusões precipitadas.

  • No caso dos alimentos, é fácil ver que  a média histórica de pressão desse grupo sobre o índice cheio é de 2 pontos. Assim sendo, a contribuição de 2,8 pontos está 0,8 ponto acima do “normal”.
  • Já no caso de Habitação (que inclui principalmente Gás Natural Residencial e Energia Elétrica Residencial) a pressão é muito mais forte, de 1,8 ponto acima do normal. Em 2013 há um vale na pressão da inflação, resultado de uma política catastrófica da presidente, que desestruturou o setor elétrico e que a partir de 2015 mais do que compensou a queda anterior.
  • No caso dos Transportes, a pressão é 1,2 ponto acima do normal, devido sobretudo ao aumento nos preços dos combustíveis. Durante 2012 o atual governo segurou o repasse dos preços dos combustíveis para ganhar popularidade e ainda por cima prejudicando a Petrobrás, que está em situação muito delicada agora. Em 2015 viu que não tinha mais como segurar e liberou os preços, causando esse forte impacto na inflação.

Aqui vale notar que a energia elétrica, o gás e combustíveis são preços que o governo tem controle e que segurou baixo por muito tempo para ganhar popularidade (prática comum em outros governos populistas Latino americanos como da ex-presidente Kirchner, do ex-presidente Chavez, do atual presidente Maduro,…).

viloes

Por fim, os vilões da infanção não são aqueles que estão apenas subindo muito, mas são aqueles que estão subindo acima da média e que tem elevado peso no IPCA. Consolidando, o gráfico abaixo apresenta os grupos vilões. Apenas em Transporte e Habitação são 3 pontos de pressão inflacionária, resultado da política de contenção de preços do Governo Federal até 2014 e a insustentável situação que se criou, resultando nessa inflação de 2015, a mais alta desde 2003.

Palmas a todos os envolvidos….


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