Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 22/02/2016

PROPOSTA DE READEQUAÇÃO FISCAL (DEMOCRÁTICA)


  • PROPOSTA DE READEQUAÇÃO FISCAL

O Governo Federal comunicou na semana passada um rombo esperado de R$ 60 bilhões nas suas contas. A sinalização para qualquer pessoa que tenha conhecimentos mínimos de matemática é a de que a contá fecha no negativo. Pensando numa família, é o mesmo que dizer que a renda da casa é menor do que os gastos da casa. É fácil notar que em algum lugar isso vai dar problema e quem já atrasou alguma conta (mesmo que por descuido) sabe do que eu estou falando.

Dito isso, houve também uma embaraçosa comunicação de que o governo iria perseguir o superávit primário (ou dizendo na linguagem popular, que ia ter uma sobra de dinheiro no fim do mês depois de pagar as contas). Preferi dizer embaraçosa comunicação, mas foi de fato uma mentira deslavada. O governo supostamente atingiria o superávit descontando do prejuízo uma frustração de receita. É o mesmo que dizer “meu salário era pra vir maior mas não veio, mas eu economizei todos esses 10% a mais de salários dos 10% que eu não recebi”.

O slide abaixo foi retirado da apresentação do governo, feita ao público. No caso dos R$ 41,7 bilhões, já estão sendo frustradas as concessões. É como dizer “Se eu não conseguir promover as concessões e achando que daria uma receita de R$ X, então eu posso descontar esse R$ X porque fiquei frustrado”. Logo, quanto maior for o R$ X, mais eu abato da meta. “Se as empresas nas quais o governo tem participação não me pagarem R$ Z de dividendo que eu quero, vou ficar bravo e dizer que deveria receber R$ Z e eles que não quiseram pagar mais”, como se isso não dependesse do resultado das empresas e não de uma  meta de dividendo. O governo não sabe perseguir meta então não tem credibilidade de colocar meta pra nada.

comunicação governo

  • PROPOSTA DE READEQUAÇÃO DEMOCRÁTICA

Para esclarecer, antes de mais nada, não acho que o que vou escrever abaixo é o que deva acontecer, mas estou desenvolvendo a lógica do governo para entender que o que foi dito acima é obviamente uma falta de responsabilidade com o povo brasileiro.

Uma vez que o voto é obrigatório, todos votam (incluindo brancos, nulos e justificados) e decidem direta ou indiretamente os seus representantes (voto não válido também influencia no resultado final, pois poderia ser um voto válido para A ou B).

E se eu ficar frustrado com a forma de atuar do governo que eu elegi? Posso mudar de voto? Tenho que esperar 4 anos?

Segundo o governo, ficar frustado é normal e pode sim. O resultado que importa é aquele que eu posso revisar o número para não ficar frustrado. Se o resultado for ruim, eu posso mudar o resultado para um que não me fruste.

Assim sendo, os eleitores que se sentirem frustrados poderiam mudar o voto, para não ficarem frustados e obter outro resultado. A lógica é essa, mas claramente não deve ser adotada. Não sou contra instituições democráticas, pelo contrário, elas existem, são boas e podem continuar melhorando, dando sempre mais transparência, e aumentando sua credibilidade.

Assim sendo, a única conclusão possível é a que o governo deveria ser mais transparente e buscar a retomada da credibilidade. Comunicar frustração nunca serviu para alcançar resultado nenhum.

No espírito olímpico desse ano, vai dizer pro corredor/maratonista/nadador/etc. que ficou em segundo lugar que ele ficou na verdade em primeiro porque era pra ele ter alcançado a linha de chegada 5 segundos antes do outro competidor, mesmo sabendo que ele não conseguiu isso. Faz algum sentido?

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