Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 30/03/2016

Descendo….


Mesmo sabendo que no momento a economia está em baixa até nos noticiários, com o cenário político tomando conta das principais manchetes, não quer dizer que ela deixou de ser importante. Digo isso pois os dados fiscais divulgados recentemente ainda serão um desafio para qualquer novo presidente (caso haja impeachement, caso haja novas eleições, caso qualquer coisa que venha a acontecer que envolva a presidência). Para ser imparcial mesmo não sendo, a Dilma ainda deveria se preocupar com as finanças do país, caso ela se mantenha no poder.

Assim sendo, os dados mais atuais não sugerem que os indicadores fiscais pararam de piorar só porque não estamos mais prestando tanta atenção. Nos 12 meses acumulados fechados em fevereiro, as receitas líquidas do governo (que já exclui as transferências)  somaram R$ 1,109 trilhão enquanto as despesas chegaram a R$1,241 trilhão (já em valores corrigidos pela inflação). Isso evidencia uma queda real das receitas de 1,4% e um crescimento real das despesas de 5,7%. Ajusta fiscal? Acho que não! Descontando os ajustes metodológicos e discrepâncias, o resultado primário chegou a R$ 129,2 bilhões de reais negativos, ou seja, um déficit primário (monstruoso).

Resultado Fiscal 201602

Outra forma de ver o resultado final é a apresentação do resultado primário em separado. Se em agosto de 2011 tínhamos um resultado primário de R$ 167,1 bilhões, conseguimos reverter quase R$ 300 bilhões em gastos, chegando ao atual patamar de resultado primário. Resultado Fiscal primario 201602

A consequência de não ter dinheiro para pagar a conta implica na emissão de dívida. Essas novas emissões tem como característica condições piores de emissão, principalmente no quesito juros. Ora, se eu preciso tomar emprestado é natural que eu pague juros. Se o juros já é alto e eu pioro a amissão, os juros serão então ainda mais elevados.

Dessa forma, o montante pago de juros nominais no país é uma decisão do governo. Não é decisão dos bancos, é consequência da dívida e responsabilidade do governo. Como proporção do PIB, o resultado primário, que vinha em bom tom, ficou negativo no final de 2014, mas vinha perdendo força desde 2011 (coincidentemente quando a atual presidente assumiu seu primeiro mandato). Como consequência de condições fiscais se deteriorando, inflação em alta e elevação dos juros, o pagamento de juros nominais assumiu valores impressionantes em pouquíssimo tempo. O resultado nominal, que é a soma dos dois primeiros, não se sustenta e chega a um recorde na história recente.

“Nunca antes nesse país” o resultado nominal ficou abaixo do 10% negativos (se poderia dizer).Resultado Fiscal nominal 201602

Diante da brutal piora fiscal em tão pouco tempo (há uma explicação para essa piora, mas por ora foquemos nos indicadores quantitativos), a dívida bruta do governo iniciou um processo de alta que ainda não tem hora ou mês para acabar.

De 2006 a 2014 a média da dívida pública foi de 55,2% do PIB. Em fevereiro de 2016 ela saltou para 67,6% do PIB. Em termos reais, a diferença entre a média e o momento atual é de um aumento de dívida de R$ 750 bilhões. É 30 vezes o valor do Bolsa Família!

Resultado DBGG 201602

O Ajuste Fiscal não tem que vir do corte de programas sociais. Tem que vir do fim dos benefícios dos servidores, do controle dos gastos de custeio e do fim do desperdício. Tem que vir da adequação da expansão de gastos com reajustes de salários, de forma que as despessas caibam dentro das receitas e não o contrário. Não se deve ficar inventando receita (vulgo volta de CPFM, por exemplo) para não precisar reduzir custos.

É a ingerência do atual governo que nos colocou nessa situação. Pelo visto essa ingerência também acontece no plano político e as chances são de que esse governo não seja capaz de ter fôlego para nos tirar da situação em que nos encontramos.

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Responses

  1. Discordo qdo foi dito que é possível fazer o ajuste sem corte nos gastos sociais. Vendo a palestra do Mansueto no insper fica claro q é impossível realizar qualquer ajuste sem mexer nos gastos sociais.

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    • Rafael, eu admiro muito o trabalho do Mansueto, mas penso diferente em alguns quesitos. Propor congelamento de salário e e beneficios não é corte, por exemplo. Se você congela folha de pagamentos e previdência (ou seja, não dá reajuste nenhum, que não quer dizer “corte”), você tem potencialmente 60 bilhões logo de cara… em 2 anos isso são mais de 120 bilhões… há que se ter coragem e parar de achar que o dinheiro é infinito, mas não precisa ser prejudicando os programas sociais.
      Eu não vi a palestra, tem algum link para acessar?

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