Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 11/04/2016

Crédito Imobiliário… pediu pra parar, parou!


Uma breve análise do crédito imobiliário, com dados disponíveis no Banco Central, mostra a forte mudança de tendência nos últimos anos. Essa modalidade de crédito foi uma das que mais cresceu.

As novas concessões de crédito para financiamento imobiliário chegaram as R$18 bilhões mensais (em termos reais, ou seja, corrigidos pela inflação), no período 2013/2014,  saindo de modestos R$ 2 bi em 2007. O gráfico abaixo mostra esse aumento no total do crédito. Parte desse aumento também inclui o aumento no valor dos imóveis, o que não implica que a quantidade de novos empréstimos tenha aumentado na mesma proporção. No final de 2014, houve uma mudança de tendência, que sobram argumentos para justificar: redução de crédito da Caixa, elevação dos preços de imóveis, elevação da taxa de juros, restrições ao crédito, queda da renda familiar e desemprego. Atualmente as concessões mensais estão em torno de R$ 8 bilhões, menos da metade do que já foi.

concessoes mensal

Considerando o período de 12 meses acumulados, pode-se apresentar o gráfico acima sem  tantas oscilações. A mesma leitura é que as concessões, em termos anualizados, já chegaram a atingir o patamar de R$ 200 bilhões ao ano, que representa uma importante injeção no mercado de imóveis. Com a crise  econômica e a bagunça generalizada no país, além do crédito mais apertado, as novas concessões chegam a R$ 125 ao ano (e com trajetória de queda).

concessoes 12 meses

O saldo da carteira de crédito, nesse sentido, foi amplamente alargado enquanto vigorou o aumento das concessões. Mas no momento em que as novas concessões começam a cair, o saldo da carteira também começa a se estabilizar. O saldo se mantem num patamar de R$ 580 bilhões desde o início de 2015. Assim, sem novas concessões há grande dificuldade de financiar novos empreendimentos e isso ajuda a explicar, em parte, o porque estão reduzidas as vendas de novos imóveis. O setor passa por um momento difícil (que ajudou a criar)! saldo de carteira

Já não é de hoje que o ritmo de expansão do crédito imobiliário vem perdendo força. Não enxergar o que está na frente é miopia ou falta de atenção. Com a redução das taxas de crescimento, caminha-se para um mercado mais maduro. No atual momento isso não ocorre, pois estamos quase adentrando um cenário de retração da carteira. Em fevereiro de 2016 a taxa de crescimento anual da carteira de crédito de financiamento imobiliário foi de 0,9%, ou seja, praticamente estável. O mercado está praticamente parado!

carteira crescimento

Além disso, com a falta de rigor com a inflação, os preços dispararam de forma generalizada, fazendo com que o BC não pudesse retardar mais a decisão de aumento de juros. Esse aumento também se fez sentir no mercado imobiliário. As taxas de juros, que chegaram a 7,6% em 2013 voltaram ao patamar acima de 10% no atual momento.

Juros

Isso se traduz num financiamento mais restritivo e mais caro para quem quer adquirir um imóvel. É o que estamos presenciando hoje!

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