Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 14/04/2016

O Vôo de Ícaro (versão brasileira)


Aos leitores e apreciadores da mitologia grega, aqui vai uma adaptação/sátira dos tempos modernos. Ícaro era filho de Dédalo, o último sendo mundialmente conhecido como o construtor do Labirinto de Creta, que aprisionou o lendário Minotauro (naquela época a noção de mundo era diferente, mas dizem que saiu no Jornal Nacional). Aqui são identificados como Dílcaro e Dédalula.

O Labirinto, como é sabido, foi superfaturado, distribuindo propina a centenas de políticos gregos e troianos, agradando a ambos. Depósitos de milhões de dracmas foram descobertos posteriormente em contas na Fenícia e no que viria a ser o Panamá. Um consórsio formado por empreiteiras (dentre as principais: Athenasbrecht, Creta-Gutierrez, EsparTC, OlimpoAS e Cnossos Corrêa) tratou de desviar recursos do Labirinto para enriquecer ilicitamente e comprar apoio dos políticos para fazer a democracia ateniense funcionar. Essas mesmas empreiteiras foram mais tarde acusadas de superfaturar o Coliseu para Copa, mas isso é outro post.

A história começa com o Rei Minos lutando contra seus irmãos pelo direito ao trono de Creta. Sarpedão, o primogênito, foi banido e exilado pelo autoritário Rei e Radamanto, que governou Creta antes de seu irmão Minos o banir, quando morreu tornou-se um dos três juízes do inferno. O Monarca rezou a Cerveíron, Deus do Mar, que lhe enviasse um touro branco como a neve, como um sinal de aprovação ao seu reinado (que era contestado e já se ouvia pedidos de impreachment), que depois seria sacrificado em homenagem ao Deus. Do mar, emergiu um touro branco, em sinal da aprovação divina, mas Minos, ao invés de sacrificar o touro, devido a sua imensa beleza, o colocou junto de seu rebanho e sacrificou outro touro no lugar. Como forma de punição, a deusa FHCfrodite fez com que Pasífae, esposa de Minos, se apaixonasse perdidamente pelo touro vindo do mar o Touro Cretense, enquanto Cerveíron delatou o Touro por operações ilegais envolvendo o sêmen taurino sem declaração nos orgãos reguladores, o que deixou o touro muito selvagem.

Pasífae, perdiamente apaixonada pelo Touro selvagem, abriu os cofres de Creta para quem a ajudasse a domar o Touro. Artimanhoso e espertos que eram, Dédalula e Dílcaro conspiraram com Pasífae e escreveram a Carta ao Touro Cretense, pregando paz e amor. Nas graças do Touro, construíram a primeira versão do que viria a ser o Cavalo de Tróia (tática golpispa de Menelau para recuperar sua esposa Helena, raptada pelos Troianos). O Touro copulou com a Vaca de Creta, com a esposa de Minos, que como consequência deu a luz ao famoso Minotauro, metade homem metade touro. Enquanto criança-bezerro Parsífae cuidou dele, mas ele cresceu e se tornou feroz; sendo fruto de um  amor selvagem, precisava devorar homens para sobreviver. Esse desprendimento social taurino, na época, gerou muitos comentários acerca da ideologia direitista do animal.

Minos, sem saber a quem recorrer, abriu licitação à projetos, no qual Dédalula e Dílcaro foram escolhidos democraticamente pelo soberano com projetos vencedores com objetivo de construir um gigantesco labirinto para abrigar a criatura, localizado próximo ao palácio do próprio Minos, em Cnossos. Com os projetos do Bolsa-Touro e do Meu Labirinto Minha Vida, o Rei Minos imaginou que se livraria  de seus problemas. Reunidos com seus companheiros e com as empreiteiras acima citadas, pai e  filho começaram a por de pé o empreendimento. Reza a lenda que Dédalula, que perdeu um dedo nos dias iniciais do Labirinto ao manejar um astrolábio. O pai enriqueceu ilicitamente com o superfaturamento e as propinas do megaempreendimento. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Cretense (BNDEC) ajudou a financiar a obra, uma vez que Dédalula ficou muito amigo do Rei Minos que controlava o que o BNDEC fazia. O Labirinto, com tanto superfaturamento, gerou milhares de empregos na construção civil em Creta. As tamareiras davam fruto o ano todos e até as andorinhas permaneceram na ilha, ao invés de migrarem para África. Secretamente, num acerto entre Dédalula, Dílcaro e o Minotauro, foram construídas saídas secretas, para que o Minotauro não ficasse completamente isolado. Esse acerto era negado ao Rei Minos, que não sabia de nada. Assim, pai e filho  ficaram nas graças de todos. O Labirinto ficou conhecido como o Labirinto de Dédalula.

Com o término do Labirinto e o encarceramento do Minotauro, muitos empregos foram perdidos. O Minotauro, que foi um símbolo da opressão ao povo do pensamento de direta tinha finalmente sido vencido e Dédalula já não tinha mais projetos para  vender ao Rei Minos. Mas como importante articulador e arquiteto político, Dédalula conseguiu convencer o rei que seu filho Dílcaro, seria capaz de bolar um plano para Creta se destacar entre as demais pólis e preparar a principal cidade para os jogos olímpicos que se aproximavam. Dílcaro entrou de cabeça no Parque dos Atletas de Cnossos (PAC), que iria gerar mais milhares de empregos e renderia um troco também para a família. Dílcaro consegue assim um lugar de prestigio na corte de Creta e passa a gerir o gabinete do Rei Minos.

Apesar de derrotado, o Minotauro continuava vivo e sacrifícios eram feitos para apaziguar sua selvageria, ou pelo menos assim se acreditava. Sete rapazes e sete moças lhe eram enviados a cada 9 anos, como tributos, a mando de Minos e seus companheiros Dédalula e Dílcaro. Mais tarde, foi descoberto um esquema em que o Minotauro não matava seus tributos, pelo contrário, ele os enviava para fora de Creta por rotas de fuga secretas, com seu malas contendo seu sêmen congelado e vendia nos principais mercados mundias especializados em reprodução bovina, até para lá de Marrakesh. Os rapazes e garotas eram usados como laranjas e abriam offshores em seus nomes, para receber os pagamentos, que depois eram utilizados para adquirir carros luxuosos que eram ocasionalmente encontrados no Labirinto. Essas operações offshore foram descobertos por um Juiz Espartano, Juiz Morônidas, que começou a a operação Lava Labirinto e iniciou um processo de delação premiada.

Revoltados pelos escândalos em Creta, os aristocratas da democracia Ateniense começaram a protestar nas redes sociais gregas e começaram a pedir a cabeça do Minotauro. Num belo dia, o filho de Egeu, Temerseu, adentrou a ilha de Creta e deveria ser mais um dos tributos oferecidos ao Minotauro. Temerseu se apaixonou pela filha do rei Minos, Ariadne. Na tentativa de derrubar o pai, Ariadne faz promessas de amor e de poder a Temerseu, que aceita desde que ela se case com ele.

Tomado pelo ânimo político, Temerseu vaza sem querer um discurso em que assumiria o poder e começa a ser chamado de golpista por Dílcaro e Dédalula. Temerseu contudo promete ao povo que mataria o Minotauro e revelaria todas as falcatruas e conspirações de Dédalula e Dílcaro. Após um depoimento de Ariadne ao Juiz Morônidas que comprometia o Rei Minos em conversas secretas com Dédalula e Dílcaro, e com objetivo de tirar do poder toda a corja que desmoralizava Creta, na 29º fase da Operação Lava Labirinto, que ficou conhecida como Fio de Ariadne, seria cumprido um mandado de condução coercitiva do Minotauro. Como o taurino não foi localizado no seu Labirinto, coube a Temerseu adentrar no lar do Minotauro, com um aparelho de localização móvel com Waze e uma extensão, no caso da bateria ficar fraca e acabar (fato que aconteceu, pois por acaso ele esqueceu de ligar na tomada).

Tendo descoberto algumas paredes falsas no labirinto, que escondiam dezenas de carros luxuosos com marcas de ferradura nos volantes, Temerseu finalmente encontra o Minotauro e o mata antes das autoridades poderem interrogá-lo. Para achar a saída do labirinto, Temerseu, dirigindo um dos veículos encontrados e com o Minotauro no porta-malas, seguiu a extensão do celular pois ficou sem bateria e o Waze deixou de funcionar).

Dílcaro e seu pai tentaram fugir da Ilha de Creta, dizendo que não sabiam de nada. Apesar disso, Dédalula foi preso e acomodado no Labirinto. O Rei Minos foi acusado de formação de quadrilha, corrupção ativa, falsidade ideológica e organização criminosa. No registro de imóveis do Labirinto de Dédalula, seu nome não constava nos documentos e esse mais tarde revelou que o Labirinto era de um amigo. Dílcaro, que até não tinha nenhuma acusação, tenta nomear Dédalula Ministro do Labirinto Civil, mas é contestado na justiça por especialistas, que somavam mais de 300 Espartanos.

Para ajudar seu progenitor Dédalula, Dílcaro também resolve adentrar no labirinto e começa a se perder. Depois de inúmeros erros de caminho, encontra uma bicicleta, na qual facilita o trajeto pelo traiçoeiro labirinto. Após muitas pedaladas, finalmente encontra Dédalula, agora de barba depois de tanto tempo no Labirinto.

Juntos tentam bolar um plano para conseguir livrar seu progenitor do labirinto em que se encontravam e conseguir enganar a justiça espartana e o Juiz Morônidas. Como astuto articulador, Dédalula consegue contrabandear para dentro do labirinto cera de mel de abelhas e uma pinguinha, pra ajudar a passar o tempo. Vendo as penas que caíam das gaivotas que sobrevoavam o labirinto, lambuzado de mel e meio altinho, o mais velhos tem uma ideia mirabolante. Já que sair a pé pelo labirinto era praticamente impossível, eles utilizariam a cera do mel das abelhas e as penas das gaivotas para voar para fora da confusão em que haviam se metido.

Dédalula experimentou antes suas asas e começou a pegar prática para fugir. Experiente, advertiu a Dílcaro que as asas não eram para ser abusadas, pois o material era frágil. Assim, Dílcaro deveria seguir suas instruções, não fazer nada de diferente e, principalmente, não voar muito perto do Sol nem do Mar. O Sol era reduto do deus Helio, filho dos antigos Titãs, que não tolerava visitantes. O Mar era o reduto de Cerveíron, Deus do Mar, e o sal deixaria as asas pesadas e inutilizadas.

Dílcaro, sem ouvir os conselhos do seu progenitor e revoltado com a situação do pai, resolveu que iria se vingar de todos aqueles que estavam junto com o golpista Temerseu. Dessa forma, voou perto do mar maldizendo Cerveíron que também havida prestado depoimento ao Juiz Morônidas e contado da participação de Dílcaro no conselho de administração do Labirinto. Também deu rasantes provocando Temerseu, o golpista, atirando nele, por fim, a bicicleta velha do labirinto. Decidiu procurar apoio e sobrevoou o Parque de Atletas de Cnossos mas o encontrou vazio e inacabado. Por fim, resolveu culpar tudo em FHCfrodite, pois foi quem fez Pasífae, esposa de Minos, se apaixonar pelo touro de Creta.

Como ato de desespero, foi pedir que o Deus Sol, Helio, iluminasse seu caminho que se encontrava muito escuro desde a saída do Labirinto. O Deus Sol, o qual nada do que se passa no universo escapa ao seu olhar, é figura idônea entre os deuses. Sabendo de todos escândalos e trapaças de Dílcaro, o adverte que se ele voar mais perto, sua coroa solar irá brilhar mais forte para que Dílcaro continue afastado. Díclaro contudo se revolta, ameaçando estocar os raios solares. Proferindo um discurso cômico e sem muito conteúdo, termina por maldizer o Deus Helio, acusando de ser associado ao golpista de Temerseu.

Dílcaro tenta por mais uma vez a aproximação dom Helio, agora conduzindo um discurso de união nacional, sem vencedores nem vencidos, pregando um pacto social, na contramão de tudo que tinha feito até então. Nessa tentativa, chegando mais perto do Sol, suas asas de cera e penas se derretem e Dílcaro cai de uma altura que não achava que estava.

Por tentar voar tão alto, a queda também seria muito dura. Com tantos olhos a acompanhar os escândalos de Dédalula e filho, disseram também na época que a queda de Dílcaro também estava sendo transmitida pelo Jornal Nacional…

 


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