Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 27/04/2016

Vacas Magras


As commodities estão em baixa, isso é um fato. Depois do mega boom (shakalaka) do preços internacionais dos produtos caracterizados como commodities, que permitiu uma rápida ascensão de países emergentes durante o período 2003-2008, veio a crise. A crise abalou a confiança e o comércio internacional, fazendo despencar os preços das commodities.

Os esforços, ao longo de 2008 a 2010, das economias avançadas e emergentes para recuperar as economias nacionais e o comércio internacional também refletiu na recuperação dos preços das commodities, que conseguiu manter um patamar de preços relativamente elevado vis-a-vis o período logo anterior à crise. Essa situação vigorou até 2013, mas em 2014, com as economias ainda em ritmo de recuperação do crescimento (ou menor taxa de crescimento, como a China e Índia, por exemplo), ficou difícil manter esse patamar de preços. Em 2015 o cenário já era outro e em 2016 vemos ainda uma certa incerteza em relação aos próximos movimentos de preços. Isso tudo pode ser visto através do gráfico abaixo, com dados do FMI sobre commodities (planilha do FMI disponível aqui) .

Preços Commodities

Contudo é importante compreender que na análise desses dados econômicos, a questão temporal é altamente relevante e as comparações são sempre vistas de forma relativa. Com isso em mente, é mais fácil entender os números do gráfico. Em março de 2016, o índice de commodities do FMI apontava para 92,3, que é 17% abaixo da média  de 111,2, de 2015. Em outras palavras, o preço ponderado médio de todas as commodities medidas é  17% menor. Em comparação a 2005, quando o índice médio foi 100, os preços atuais estão 8% mais baratos, no final do trimestre de 2016.

Os alimentos também são considerados nesse cálculo acima, mas podem ser analisados separadamente, como mostra o gráfico abaixo. Os preços em 2016 estão cerca de 40% mais altos do que em 2005, mas mostraram a mesma trajetória de queda que as demais commodities. Nos últimos meses tem mostrado uma trajetória de alta, mas nada mais do que um efeito na margem. Se nos anos anteriores esse índice indicou preços até 20% mais altos do que atualmente, isso não quer dizer que esse cenário deve se repetir novamente.

Preços Commodities Food

Em recente divulgação das projeções do FMI, com dados até abril (aqui), nota-se que houve uma recuperação dos preços, na média, no primeiro trimestre (Q1 ou Quarter 1) de 2016. Normalizando os preços desse trimestre como base 100, é natural o entendimento que no 2 trimestre de 2014 (2014 Q2) os preços eram 25% mais elevados do que atualmente. Considerando a projeção do FMI para os próximos trimestres/anos, não se espera grandes mudanças nos preços dos alimentos. Em realidade, espera-se até um decréscimo de 3,2% nos preços até 2021.

Food Index

Desse forma, o comércio de commodities alimentícias deve ter poucos estímulos adicionais ao atual estado de preços. Com base nos itens que compõe essa cesta de produtos, apenas os cereais (trigo, milho, arroz e cevada) devem apresentar  uma elevação de preços nos próximos trimestres/anos, chegando a algo em torno de 8% a mais do que hoje. Os óleos vegetais e proteínas, açúcar, banana e laranja devem conservar o atual patamar de preços no curto/médio prazo. As carnes e frutos do mar, na contramão dos cereais, devem mostrar uma queda adicional de preços de 7% e 9% respectivamente. Essas projeções podem ser vistas nos gráficos abaixo.

Nesse sentido, as vacas magras estão de volta. O período de fartura acabou, momentaneamente. Os preços 25% mais elevados que vigoravam no 2º Trimestre de 2014 parecem ter ficado para trás e agora os produtores deverão se acostumar com um cenário de preços mais estável, para as commodities alimentícias, até segunda ordem.

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