Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 24/05/2016

Economia 101 e Ministério da Cultura- Os recursos são escassos (1)


A expressão 101 ou “one o one“, amplamente utilizada nos países de língua inglesa, nada mais representa do que o termo “básico” ou “introdução”. A inspiração do post foi nas minhas aulas de introdução a economia lá nos idos de 2003, na sala A1 da faculdade e na atual repercussão sobre a fusão do Ministério da Cultura ao Ministério da Educação e a volta dessa decisão. Longe de entrar no mérito político ou de cunho filosófico sobre a natureza da existência ou não de um ministério específico para a Cultura, a reflexão que proponho é mais básica e, suponho, sem ideologias. A pergunta maior não é se deve ou não existir o Ministério da Cultura ou o Ministério do Tatu Bola. A pergunta é como vai ser alocado o orçamento federal, dado que gasta-se mais do que arrecada, ou seja, tem que deduzir gastos em algum lugar. A questão é de prioridades!

Nesse sentido, vale a pena resgatar a minha lembrança que a disciplina de Introdução à Economia apresentava aos estudantes recém chegados ao ensino superior conceitos básicos de economia. Muitos desses conceitos tem nenhum grau de dificuldade técnica, de forma que qualquer pessoa que pegar um “Capítulo 1” de um livro de introdução à economia.

Uma das primeiras lições é: os recursos são escassos. Em outras palavras, os recursos são limitados. É bastante intuitivo isso: o petróleo tem um estoque físico, água tem um estoque físico, o ar tem um estoque físico e a sua conta no banco também tem um estoque físico. Não há porque ser diferente com o Governo Federal.

Contas publicas

As trajetórias de despesas e de arrecadação (no acumulado de 12 meses, até março/16) sugere um forte desequilíbrio nas contas públicas. Não há como o governo gastar com tudo que quer. Não se pode ter educação, saúde, cultura, previdência, salários de servidores, cargos comissionados, ministérios, contratos, aluguéis, passagens aéreas e hospedagem, bolsa estudante, bolsa família, bolsa empresário, bolsa pescador, bolsa agricultor, bolsa político, bolsa investimentos, etc.

Se você chegou até aqui e está pensando “- Ah sabia! Você é contra os programas sociais!”, por favor, comece novamente. Eu não sou contra nada do que está escrito acima, NADA! A questão, novamente, é como serão alocados os recursos que o governo TEM e não o que o governo QUER. O tamanho dos gastos supera o que o governo pode gastar, então é preciso cortar em algum lugar e essa é uma conclusão simples.

O que não é simples é escolher ONDE CORTAR. Essa é uma decisão política e deve refletir as preferencias e interesses da sociedade, afinal, o governo existe para prestar serviços ao povo e não a si mesmo.

 (Continua em … Economia 101 e Ministério da Cultura- Os recursos são escassos (2)…)

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Responses

  1. […] (Continuação de Economia 101 e Ministério da Cultura- Os recursos são escassos (1)…) […]

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  2. […] trilhão. Esse desequilíbrio não parece ser temporário, como pode ser visto no primeiro post (aqui). As despesas continuam crescendo, ultrapassando 20% do PIB, com a arrecadação estacionada em […]

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