Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 27/06/2016

Fim da aceleração da piora (existe isso?)


Os dados do CAGED de maio indicam o que chamo de “fim de aceleração da piora”, uma expressão pouco comum mas carregada de significado. Por partes, a piora é um conceito claramente simples, de que as coisas estão piores e só. Nesse caso, o mercado de trabalho estar pior significa a geração de emprego ser menor do que o fechamento de postos de trabalho, em termos líquidos: fecha mais do que abre vagas. A aceleração da piora significa então cada vez mais fechar mais vagas do que abrir vagas. Fácil então de entender que o fim da aceleração da piora significa uma estabilidade do ritmo de piora. Confuso ainda, né?!

De forma mais visual, desde 2011 o ritmo de criação de empregos vem caindo. Enquanto estava em patamar positivo, tínhamos uma situação de melhora, pois o saldo era positivo. A tendencia, contudo, era bastante clara! A partir de 2015 o país começou a fechar mais vagas do que abrir vagas. Assim, iniciou-se o aumento de desemprego no país! A taxa de desemprego acelerou (cresceu a taxas crescentes) nos últimos meses e isso é fruto da (agora sim) aceleração da piora do mercado de trabalho.

CAGED Total 201605

Nos 12 meses terminados em março de 2016, foram demitidos 1,88 milhão de trabalhadores. Em maio de 2016, na mesma comparação, foram demitidos 1,80 milhão de trabalhadores. Resultado positivo? Claro que não! É motivo para comemorar? Claro que não! Então é uma catástrofe sem volta? Isso também não!

O fim da aceleração da piora significa que ainda estamos piorando, mas a piora é menos pior (por assim dizer). Enquanto o indicador no gráfico ficar abaixo do ZERO, estamos destruindo empregos. Então tem como tirar algo de positivo disso? Talvez sim!

Pelo segundo mês consecutivo o saldo de vagas destruídas é menos negativa do que no mês anterior, o que pode indicar tanto um estabilidade da piora ou até melhor uma “piora menos pior”. Na medida em que a curva acima começar a crescer e se aproximar do zero, estaremos presenciando a melhora do mercado de trabalho.

Ah, então o que você está dizendo é que chegamos ao fim do poço? Talvez seja isso sim! É preciso continuar monitorando os resultados, pois assim como duas andorinhas não fazem verão, 2 pontos no gráfico não trazem uma tendencia de recuperação, apenas uma positiva sinalização! Há muitas coisas que podem ainda desestabilizar o país, seja no cenário econômico-político interno ou no cenário econômico-político externo.

Do ponto de vista setorial, a Indústria parece estar demitindo menos do que já demitiu. Essa é uma notícia que indica que o emprego industrial pode ter chegado ao fundo do poço e espera-se agora uma recuperação.

CAGED Setores 201605

Na mesma ótica, a Construção Civíl também parece ter estabilizado a piora. Nos segmentos de Comércio e Serviços, como foram os últimos a sentir os efeitos da crise, também deverão ser os últimos a começar a perceber alguma melhora. Ainda devem cair nos próximos meses e possivelmente até o meio do ano que vem se encontrarão em patamar negativo.

Em maio de 2015 foram mais de 115 mil empregos perdidos enquanto em maio de 2016 foram em torno de 72 mil, no geral. A Indústria de Transformação, que demitiu 21 mil em maio de 2016 havia demitido 61 mil em maio de 2015. A mesma analise vale para outros setores.

Emprego por mes e setor 201605.png

Talvez, quem sabe, estejamos chegando no fundo do poço. A partir dai a única interpretação possível seria a de que começaríamos a sair do posso. A velocidade da recuperação (saída do poço) deverá depender das reformas na economia, da credibilidade do ajuste fiscal e da trajetória de dívida pública e isso irá impactar na confiança dos agentes, que em última instancia, irá iniciar a retomado do crescimento econômico (como eu vejo, ao menos).

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