Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 05/07/2016

Recuperação (ou não) do mercado de trabalho


Ao tratar da questão de recuperação econômica, é muito fácil alguém pensar “ah, então agora vamos passar a crescer!” e nem sempre é assim tão direta a análise. O que se busca são, em geral, sinais que passam a indicar a mudança da tendência de piorar. Às vezes, até piorar menos já pode ser um sinal. Esse parece ser o caso do MERCADO DE TRABALHO ao observar os dados do CAGED para o Estado de São Paulo.

Nos últimos 12 meses, até maio desse ano, cerca de 560 mil vagas de trabalho foram extintas, no Estado. São milhares de famílias atingidas e um problema que se espalha por todo o país, como bem sabemos. Mais da metade dessas vagas perdidas estão na Região Metropolitana de SP. Campinas é a segunda Região Administrativa do Estado que perdeu vagas de trabalho. Essas duas enormes regiões são sabidamente as que mais abrigam pessoas em SP. Regiões Administrativas menores também perderam vagas de trabalho nesses últimos 12 meses.

emprego SP 12 meses RA e idade

Apesar disso, outra coisa que se nota na tabela acima é que nas faixas de idade mais baixa, não é necessariamente verdade que houve mais demissões. Na faixa até 24 anos foram criadas 57,6 mil vagas de trabalho. “Ah, os mais jovens sofrem menos com a crise!”. Errado! Essa é uma visão dos últimos 12 meses acumulados, apenas. Pode muito bem ser  o caso dos mais jovens já terem sofrido mais e uma taxa de desemprego mais elevada. Pode ser que agora na hora de recontratar funcionários, as empresas prefiram contratar mão de obra mais barata (no geral, há menos experiência entre os mais jovens). Pode ser que os serviços que estão contratando sejam os que empregam mais jovens. Há muitas possíveis interpretações, que irão (ou não) se verificar nos próximos meses. A população entre 30 e 39 anos é a que mais perdeu empregos no último ano.

Considerando apenas os 5 primeiros meses de 2016, o saldo de perda de vagas é menor. “Claro, são menos meses!”. Sim, por um lado pode-se dizer isso. O que se destaca, contudo, é que algumas das Regiões Administrativas (RA) do Estado de SP começam a apresentar criação de empregos. A RA de Franca já soma 8,5 mil novas vagas de trabalho esse ano e em quase todas as faixas de idade. As RA’s Ribeirão Preto, Rio Preto e Araçatuba, grandes referências do Estado também já somam mais de 5 mil vagas, cada região.

emprego SP no ano 2016 RA e idade

Essa é uma POSSÍVEL recuperação à vista. Na busca de notícias positivas que mostram que talvez tenhamos chegado no fundo do poço e a partir de agora vamos melhorar, esses dados de emprego apontam nessa direção, ao menos no Estado de SP.

Na mesma comparação, distribuindo por faixas de idade, mas considerando os subsetores do IBGE (ao invés das RA’s), podemos ver que alguns desses subsetores já avançam na criação de novas vagas de trabalho. Destacam-se principalmente os segmentos: (i) de Ensino, (ii) de Indústria de Produtos Alimentícios, Bebida e Álcool, (iii) da Agropecuária, (iv) Serviços da Saúde e (v) de Calçados, o que explica o crescimento na RA de Franca, onde esse segmento é bastante importante.

emprego SP no ano 2016 subsetor e idade

No outro lado, os segmentos de comércio e comercialização de imóveis e serviços ainda sentem os efeitos da crise e estão demitindo funcionários mais do que contratando, com mais de 90 mil demissões nos primeiros 5 meses do ano. Outro segmento que faz tempo que está sofrendo com o corte de emprego é o da construção civil, com perda de 17,5 mil vagas em todo Estado. A indústria metal-mecânica também apresenta resultado ruim, com mais de 18 mil vagas fechadas.

Os sinais de recuperação devem começar em alguns setores e de forma gradual se espalhar pelos demais. Ainda estamos no processo de fechamento de vagas, mas visivelmente já há alguma recuperação do emprego em algumas regiões, em alguns segmentos e em algumas faixas etárias.

É importante continuar monitorando essa análise para identificar a mudança na tendência e se a recuperação do mercado de trabalho deve voltar a reaquecer a economia, que está mais fria do que o clima de inverno em SP, por esses dias…


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