Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 30/11/2009

Sustentabilidade ou Fatalidade?

Em linha com a série especial de posts sobre o livro “O Colapso” de Jared Diamond, o próximo capítulo a ser comentado se refere à Ilha de Páscoa. Numa pesquisa rápida para poder, não apenas comentar o livro, mas, também, adicionar informações novas e relevantes para quem está acompanhando, me deparei com um exercicio simples que foi proposto pelo historiador Ronald Wright em 2004, (Massey lectures – “A Short History of Progress“) e divulgado pela Galileo Educational Network (arquivo original em inglês). A grande lição que fica é a mesma que todos economistas aprender no seu primeiro dia de faculdade: “…the science which studies human behaviour as a relationship between ends and scarce means which have alternative uses” (Lionel Robbins – 1932 essay), onde Scare (escassez, em inglês) significa que os recursos disponíveis são insuficientes para satisfazer todas as necessidades e desejos (wikipedia).

Abaixo segue o problema em português:

Após uma viagem épica pelas águas do Pacífico, os catamarãs polinésios  chegaram  em Rapa Nui (a “Ilha Grande” também conhecida como “Ilha de Páscoa”) a aproximadamente 1.500 anos. A ilha era uma paraíso de  palmeiras e lagos nas crateras de vulcões já extintos.

Rapa Nui (Ilha de Páscoa) tem aproximadamente 160km² (60 milhas quadradas) de florestas de palmeiras e tem início com  chegada de um (1) grupo de polinésios. A cada 100 anos (1 turno) é possível alterar a alocação dos grupos de habitantes entre as atividades que seguem abaixo. Cada grupo pode ser alocado apenas uma atividade:

1 - Construção de Barcos de Pesca (Building fishing boats): Essa atividade consegue sustentar um grupo de pessoas pelos próximos 2 turnos (200 anos). A população da ilha cresce ou se reduz de acordo com a disponibilidade de alimento. Por exemplo, 3 grupos de pessoas alocados na construção de barcos no 6°turno e mais 2 grupos alocados nessa atividade no 7° turno permitiram 5 (3+2) grupos de pessoas no 8° turno.  Contudo, a construção de barcos de pesca durante 100 anos (1 turno) requer o corte de 1 milha quadrada (aproximadamente 2,7 km²) da floresta de palmeiras.

2 – Construção de Moai (Erecting Moai): Os polinésios acreditavam que seriam abençoados por seus ancestrais, sendo os próprios Moais representativos dos antigos chefes polinésios. Por isso construíam Moais, que variavam de 3 a 12 metros de altura, podendo chegar a mais de 80 toneladas. As estatuas eram esculpidos em rochas vulcânicas da ilha e eram transportadas em cima de toras de madeira até plataformas de pedra chamadas de ahu, para as cerimônias. A construção e transporte dos Moais durante 100 anos (1 turno) requer o corte de 1 milha quadrada (aproximadamente 2,7 km²) da floresta de palmeiras.

3 – Reflorestamento (Sing, dance and hug the trees): Consideremos que essa atividade é a que cuida do reflorestamento da ilha, de pessoas conscientes que sabem que os recursos são escassos e por isso investem tempo e trabalho para plantação de mais árvores (melhor do que assumir que cantando, dançando e abraçando as árvores, elas vão crescer mais. E não, eu não acredito em psicologia das árvores). A cada 100 anos (1 turno) essa atividade consegue recuperar 1 milha quadrada (aproximadamente 2,7 km²) da floresta de palmeiras.

Exemplo:

Sabendo disso, seguem as perguntas do exercício:

1 – Sabendo que as atividades 2 e 3 nunca são escolhidas, como cresce a população da Ilha de Páscoa? Em quantos anos a ilha perde suas florestas?

2 – Sabendo que a atividade 3 nunca é escolhida, qual o número máximo de Moais que podem ser criados antes do fim dos recursos?

3- Qual a produção máxima de Moais, de maneira sustentável?

4 – Qual a população máxima que pode existir na ilha sem a construção de Moais e de maneira sustentável?

Outras inúmeras perguntas poderiam ser feitas, mas essas já nos trazem uma visão do que pode ter acontecido na Ilha de Páscoa antes mesmo de conhecer a história. Apenas como curiosidade, os números  reais apontam para existência de 887 Moais em Páscoa e estimativas de população que variam entre 10.000 e pouco mais de 30.000 pessoas no seu ápice, dependendo da fonte.

Publicado por: Flávio Samara Mendes | 27/11/2009

Transparente como chumbo

Sob o pretexto de acelerar as obras para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, o governo está agindo para dar mais poder ao Infraero na forma de menos exigências para licitações em obras de reformas nos aeroportos.

Pelo jeito aquele discurso de “fazer tudo na maior transparência em respeito ao dinheiro público” já nasceu utópico. Vale acrescentar que o próprio Infraero foi descrito, na CPI do Apagão Aéreo no Senado em 2007, como um “antro de corrupção”. Além de ter diversas contas rejeitadas pelo TCU devido às suspeitas de superfaturamento.

Hoje o Infraero, amanhã qual será? Esta justificativa deverá ser utilizada até a exaustão para esvaziar os poderes do TCU, foco de tanta ira já declarada pelo mandatário máximo do país. Isto atenta contra as instituições tão importantes para evitar o desperdício de dinheiro público e manter um mínimo de eficiência e qualidade nos serviços prestados pelo Estado.

E conhecendo a famosa inoperância administrativa e incompetência operacional do atual governo em obras de infra-estrutura, o resultado poderá ser um bordão pior que o malufista: rouba e não faz.

Novamente, quem sofre é o contribuinte. Segue a matéria na Folha. Enjoy.

Publicado por: Flávio Samara Mendes | 26/11/2009

Refletindo sobre a concentração de bares em São Paulo

Em uma conversa casual com uma nutricionista, foi ventilado um estudo feito por profissionais desta área sobre a concentração de bares em São Paulo. A conclusão do estudo era que os bairros caracterizados por um menor poder aquisitivo, apresentavam o maior número de bares em suas regiões. O restante da conversa foi de esforço em encontrar uma razão econômica para isto.

Felizmente, a teoria econômica possui uma ferramenta perfeita para o serviço: a curva de indiferença. Nada mais é do que dispor dois bens diferentes em que o indivíduo deve optar por certa quantidade entre ambos. As diferentes combinações destes dois bens resultam na chamada curva de indiferença, em que a satisfação material da pessoa (ou sua utilidade) é indiferente para com outras combinações que compõe a curva. Existem diversas curvas de indiferença no mesmo gráfico, demonstrando que a quantidade total de bens pode variar diante de mudanças na renda disponível da pessoa ou pelos preços dos produtos. Abaixo segue um exemplo.

Não acredito que seja necessário descrever a natureza que é a atividade de um bar. Ou boteco, para os mais íntimos. Apenas clamo pelo fantasma de Adam Smith para relembrar a lei da oferta e da demanda. Se existe uma alta concentração de bares, é porque existe uma demanda que vai de encontro com esta oferta de estabelecimentos.

Porém, aí chegou o momento que me segurou por mais tempo que pensava. Mesmo quem não é frequentador já pode imaginar que os produtos etílicos vendidos nestes estabelecimentos são mais caros do que se fossem adquiridos, digamos, em um supermercado. Razões são diversas, como custos comuns do setor de serviços (salários de funcionários, aluguel, etc.) que acabam incidindo no preço final do produto vendido, também o menor poder de barganha do vendedor com o fornecedor (diferente de uma cadeia de supermercados) e também o mini-monopólio que o bar detêm (se seus amigos escolheram aquele lugar, você está sujeito aos preços de um único vendedor).

Então, considerando o menor poder aquisitivo e a escolha entre os bens “bar” ou “supermercado”, faria mais sentido os indivíduos optarem por uma maior quantidade de “supermercado”, não justificando a maior demanda de bares nessas regiões em particular. Maior sentido faria se houvesse a concentração nos bairros de maior poder aquisitivo, teoricamente falando. 

Entretanto, como diria o Criador, houve a luz. Talvez o escopo em que o bem “bar” estava sendo retratado estava muito pouco abrangente para a situação real. O ato de ir a um bar não pode ser visto somente pelo ponto de vista de tomar umas. Também é uma atividade social e se encaixa como uma opção de lazer. Então além de comparar o bem “bar” com o bem “supermercado”, que seria simplesmente igualar ofertantes de bebidas, pode-se também comparar o bem “bar” com o bem “cinema”, considerando ambos como ofertantes de lazer. A escolha por “cinema” se deve pela referência que este possui como opção acessível de lazer. Aí a curva de indiferença consegue explicar a concentração de bares.

Ao optar pelo bem “cinema”, o indivíduo está sujeito a pagar uma entrada próxima de R$ 20 em São Paulo. Visto que este é o preço médio que se encontra nas grandes redes como Cinemark e Kinoplex. Ao mesmo tempo, uma garrafa de cerveja de 1 litro pode ser comprada por menos que R$ 5. Conheço um lugar em que vendem a Original e Serramalte por R$ 3,90 , mas não vem ao caso neste post. Abaixo pode-se ver uma representação gráfica das escolhas de um indivíduo onde ele opta por uma maior quantidade do bem “Bar” em detrimento do bem “Cinema”.

Havendo este padrão de preferências nos bairros de menor poder aquisitivo, justifica a existência de uma maior oferta do bem “Bar” em reposta a esta demanda.

Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 24/11/2009

O Colapso: Desafios de Montana, EUA (IV)

Além dos problemas de Montana discutidos nos posts anteriores ( “I”, “II”, “III”), outros problemas menores são discutidos no livro. Os problemas de erosão do solo, introdução de novas espécies ao ambiente, salinização da água e mudanças climáticas são melhor vistos em outros exemplos, mas afetam Montana de maneira razoável.

A erosão do solo pode estar associada a várias práticas não sustentáveis: a plantação de macieiras no Vale Bitterroot, uma vez lucrativa, absorve maiores quantidades de nitrogênio que o ambiente naturalmente possa repor, de maneira prejudicial à qualidade do solo para futuras plantações; os fazendeiros que compraram um pedaço de terra por um preço que ela não vale tentam recuperar o dinheiro através de praticas intensivas de cultivo ou pastoreio, assim como arrendatários de terra que tem um tempo delimitado para explorar a terra, destruindo também assim aquilo que é a fonte de riqueza.

A salinização é um outro evento que fragiliza o solo em Montada. Esse é um processo tem como consequência o acumulo de sal no solo e mananciais subterrâneos, que pode decorrer devido à praticas erradas de irrigação e retirada da cobertura vegetal natural. A salinização pode fazer aumentar a pressão osmótica do solo, por exemplo, dificultando às raízes absorver a água do solo. Outro processo que pode intensificar a salinização (ou infiltração salina) é um tipo de método industrial de extração do metano para obter esse gás das jazidas de carvão. Esse método consiste em fazer buracos no carvão e bombear a água para trazer o gás para superfície, que resulta também na dissolução de outros sais presentes no carvão.

“(…) quando um fazendeiro limpa a vegetação nativa para praticar agricultura de alqueive – na qual um produto com colheita anual como o trigo é plantado durante um ano e, então, a terra é deixada des­cansando durante o ano seguinte – não há raízes para absorver a água da chuva durante o ano de pousio. A água da chuva se acumula no solo, en­charcando-o abaixo da camada de raízes, e dissolve os sais ali armazena­dos, que então afloram à região das raízes à medida que sobe o nível da água. Como o leito de pedras é impermeável, a água salgada não penetra profundamente no subsolo, mas emerge em algum lugar mais abaixo como uma infiltração salina. O resultado é que as plantações crescem menos, ou não crescem, tanto na terra alta onde surgiu o problema quanto na área mais abaixo onde emergiu a infiltração.”

Parque Nacional de Glacier

As mudanças climáticas também afetam bastante Montana. Como consequência, todo sistema de irrigação e abastecimento de água dos rios e aquíferos é comprometida, uma vez que a água vem do derretimento natural das geleiras durante o verão. O Parque Nacional de Glacier foi visitado por naturalistas em fins do século XIX, pela primeira vez, onde foram constatadas 150 geleiras, muito mais do que as 35 que são contabilizadas agora e em tamanho bem reduzido ao anterior, indicando que, nesse ritmo, o Parque Nacional de Glacier, até 2030, não terá mais geleiras. Uma apresentação (90Mb) do U.S. Geological Survey apresenta diversas fotos do “antes” e “depois”, uma comparação de cenários de Montana, no Parque Nacional de Glacier, todos eles com claras evidências do aquecimento global e dos seus impactos num ambiente que é de fácil acesso à cientistas e naturalistas. A disponibilidade de água torna-se um problema ainda maior quando a “oferta” de água está indicando contração e a “demanda” por parte de moradores e, sobretudo, novos moradores e agricultores (que precisam de mais água para irrigar um clima mais seco) têm crescido.

Por fim, a introdução de novas espécies (ou perda de espécies nativas), como aconteceu em Montana, também podem levar a grandes problemas ambientais e  econômicos. Peixes como a truta “garganta-cortada”, a truta boi, o tímalo do Ártico são hoje peixes raro em Montana devido a vários problemas, dentre eles a introdução das truta “arco-íris“, trutas do córrego, trutas marrom, truta do lago e do peixe lúcio, os últimos 2 sendo predadores de outros peixes e introduzido ilegalmente por pescadores que gostavam de pescar esses peixes. Doenças trazidas com peixes de outras partes do globo também contribuem para reduzir a população de peixes em Montana.

Além disso, as ervas daninhas também são citadas no livro, algumas dessas são plantas que secretam substancias químicas, destruindo outras plantas nativas e se reproduzem rapidamente, outras estendem suas raízes por alguns metros no solo, absorvendo muito mais água do que as plantas nativas, prejudicando assim todo um equilíbrio ambiental. As soluções para combater essas ervas daninhas passam por “arrancar es­pécimes, aplicar herbicidas, mudar o uso de fertilizantes, liberar insetos e fungos inimigos delas, provocar pequenos incêndios controlado“, prejudicando ainda mais o solo de Montana, a vida selvagem, as atividades de agricultura e as de pastoreio.

Assim, a aparentemente imaculada Montana na verdade sofre de sérios problemas ambientais envolvendo rejeitos tóxicos, florestas, solos, água, mudanças climáticas, perdas de biodiversidade e introdução de pragas. Todos esses problemas se traduzem em problemas econômicos e explicam por que a economia de Montana vem declinando nas últimas décadas a um ponto em que aquele que outrora foi um dos estados mais ricos dos EUA é agora um dos mais pobres.

Se ou como tais problemas serão resolvidos dependerá das atitudes e valores dos seus moradores. Mas a população de Montana está se tornando cada vez mais heterogênea e não consegue chegar a um acordo sobre o meio ambiente e o futuro de seu estado.

Não é tão difícil extrair outros exemplos no Brasil (como a região da Amazônia, Pantanal ou Mata Atlântica) e no mundo que tenham uma conclusão muito diferente dessa de Montana.

“Se ou como tais problemas serão resolvidos dependerá das atitudes e valores dos seus moradores. ”

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  • Publicado por: Bruno Massera | 11/11/2009

    Economia da Energia

    Ainda que o nome me remeta a uma disciplina optativa da graduação a motivação deste texto foi o “apagão” energético da noite passada que deixou a maior cidade do país, décima do mundo (em breve seremos mais ricos do que Paris) às escuras. Não tenho a intenção de discutir os motivos técnicos que culminaram com a falta de energia em diversos estados e que afetou até o vizinho Paraguai. Já ouvi sobre pane em Itaipu, problemas na transmissão, atentado venezuelano e até uma tempestade solar. Passado o fato, para nós, não importa mais o motivo.

    Como não havia absolutamente nada a ser feito na escuridão da noite de uma terça-feira, comecei a refletir sobre nossa dependência energética. Vez ou outra quando o preço do petroleo vai às alturas, discute-se como nossa dependência do ouro negro influencia nossas vidas. Que sem ele a vida seria muito dificil ou cara. Verdade. Mas já imaginaram se não houvesse mais energia elétrica? Imaginei ontem.

    Sem petróleo, o transporte de pessoas e mercadorias ficaria bastante comprometido. Além de dificuldades na produção de tudo que depende de seus derivados. Mas e sem energia elétrica? A vida seria impossível como a conhecemos. Os geradores não aguentariam mais que algumas horas e toda uma sociedade baseada na informação e comunicação entraria em colapso. Ontem, depois de algum tempo não recebia mais mensagens e nem conseguia efetuar ligações. Internet? Nem pensar. Desligamos os aparelhos eletrônicos da tomada e pela manhã a geladeira estava quase descongelada. Eu estava em casa no notebook na hora, mas imaginem quem estava na rua e tinha que pegar onibus ou metro. Quem trabalha na Zona Oeste e mora na Zona Leste, com os semaforos desligados ou em pane. CAOS!

    Resumindo: não há vida moderna sem energia elétrica. Como não houve investimentos nos primeiros anos de governo Lula, não é a toa que estão incentivando a construção de termelétricas. Querem evitar o apagão geral no Brasil. Espero que o apagão de ontem sirva de lição para o que pode acontecer se o setor elétrico for deixado de lado ao casuísmo político.

    Se antes já sugeria o posicionamento, ainda que defensivo, em alguma empresa do setor elétrico (minhas preferidas são CPFL e Tractebel), agora ficou evidente que manter-se posicionado no setor é uma questão estratégica.

    Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 02/11/2009

    Mais Educação e mais diferenciais de salário

    No último post (Educação e diferenciais de salário), apresentei um trabalho que mostrava a evolução das chances de se estar dentro de uma determinada faixa de rendimentos, de acordo com gênero e anos de estudo. Mas do que vale isso tudo sem ter dados reais de rendimento esperado?! Por esse motivo, a investigação a ser apresentada nesse post tenta ampliar a análise anterior.

    Segue o seguinte exercicio, com os dados da PNAD 2008: é possível saber qual o rendimento médio mensal por classe de rendimentos (na tabela abaixo). Para aqueles que recebem até 1/2 salário mínimo, no total, ganha-se R$115 ao mês, enquanto os homens ganham R$125 e as mulheres R$110. Os rendimentos das outras faixas de rendimento seguem em ordem, chegando R$13.739 ao mês, no total, para os que ganham acima de 20 salários mínimos. Ao lado, segundo a anáise do post anterior, temos um exemplo com o grupo de estudos categorizado como “Sem instrução e menos de um ano” que se refere àqueles que não tiveram nem um ano de educação, no limite, os analfabetos. As porcentagens (na tabela da direita), referem-se à chance de uma pessoa com esse grau de educação estar dentro de uma determinada faixa de rendimento (na tabela da esquerda). A partir daí, na tabela da direita e em laranja, pode ser calculada a média ponderada do rendimento médio esperado para cada “grupo de anos de estudo”. Ou seja, para os homens sem grau de instrução ou menos de 1 ano de estudo, o salário esperado não ultrapassa os R$500 e para as mulheres R$355, quase 30% mais baixo. Nota-se que, no limite, o salário total, R$461, é proximo do atual salário mínimo, R$465 e acima do salário mínimo anterior, R$415.

    salario_esperado_exemplo

    A partir dessa tabela, pode-se construir qual o rendimento esperado para os outros grupos de anos de estudo e como o salário varia no tempo. A partir desse ponto, fica mais interessante trabalhar com dados anualizados e ver a evolução ano a ano. Um rendimento mensal médio de R$461 (no total), R$500 (homens) e R$355 (mulheres) geraria um rendimento anual de R$5.529, R$5.995 e R$4.256, respectivamente. Esse é o nível mais baixo nas faixas de ano de estudo. Na medida que a pessoa estuda mais, teria um melhor rendimento, ao longo do tempo.

    Abaixo segue o resultado dessa análise.

    Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 29/10/2009

    Educação e diferenciais de salário

    Acredito não ser nenhuma novidade a essa altura que, quanto mais tempo de estudo, maior a chance de ter um salário mais elevado, na média. Prefiro não entrar no mérito das profissões dos jogadores de futebol, artistas de novela e músicos e cantores, pois esses têm sua parcela de talento e dedicação e esforço pessoal. Também vou ignorar na análise os ganhadores da mega sena, pois esses, contam apenas com a sorte e a insistência em acreditar num acaso que pode muito bem não acontecer (afinal de contas, ainda não ganhei). Por fim, excluo, da visão as ser exposta abaixo, os políticos e traficantes de drogas, pois sendo prestadores de serviço à sociedade, sabidamente trabalham em causa própria uma vez que  os seus  “mandados” são curtos e dependem amplamente da aprovação popular (cada um escolhendo diferentes maneiras de ganhar dinheiro, legal ou ilegalmente).

    Anos de estudo - Brasil

    Anos de estudo

    De acordo com os dados da última PNAD, com dados de 2007 e 2008, quanto mais tempo de estudo, maior o retorno salarial. Na tabela ao lado aparece a estrutura de ensino no país, com os equivalentes de anos de estudo para cada nível de ensino. Ao terminar o Ensino Básico, que compreende os ensinos fundamental e médio, espera-se que o aluno tenha concluído 12 anos de estudo. Quase qualquer curso de nível superior seria suficiente para elevar o nível médio de educação acima do patamar de 15 anos de estudo. Por que isso é importante? Na apresentação que está em disponível nesse post, a última faixa de classificação de anos de estudo é “15 anos ou mais“, enquanto na outra ponta encontramos “sem instrução e menos de 1 ano” e outras 4 faixas intermediárias também.

    Nos 2 gráficos que seguem abaixo (e que também podem ser vistos na apresentação disponível no post), existe a comparação entre esses 2 extremos de classificação de anos de estudo, citados acima. A comparação que pode ser feita entre homens e mulheres, no gráfico à esquerda é, mais de 40% das mulheres “sem instrução e menos  menos de 1 ano de estudo” não tem nenhum rendimento, enquanto que para os homens, a grande maioria (pouco mais de 30%) se concentra entre rendimentos de 1/2 a 1 salário mínimo. Uma análise igual pode ser feita no gráfico à direita, onde a faixa que mais se destaca para as mulheres é a de 3 a 5 salários mínimos (chance de aproximadamente 25% de estar nessa faixa), enquanto que, para os mesmos anos de estudo, os homens tem chance de pouco mais de 26% de ganhar entre 5 e 10 salários mínimos.

    salario e anos de estudo

    Faixas de Salário e Anos de Estudo

    De acordo com os dados da PNAD 2008, as diferenças das curvas de rendimento entre homens e mulheres existem em todas as faixas de estudo. Reparem que a curva de rendimentos masculina está sempre mais para direita, o que significa que, para mesmo nível de educação, os homens têm maiores chances de ganhar mais do que as mulheres.

    Esse é apenas um retrato da sociedade brasileira que, apesar das desigualdades de gênero, confirmam a hipótese de que quanto maior o nível de educação formal, maiores as chances de rendimentos!

    Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 27/10/2009

    Brasil, o País da Pizza!

    O Brasil será palco de grandes eventos nos próximos anos. A Copa das Confederações em 2013, que antecede a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Estes serão, sem sombra de dúvidas, acontecimentos que “nunca antes na história desse país” o  povo brasileiro vai poder vivenciar tão de perto e tão intensamente (não estou contando a Copa de 1950, onde apenas 13 seleções participaram e não existia o projeto tão forte de desenvolvimento de infra-estrutura para atender os eventos).  Assim como a realização dos Jogos Pan-Americanos no Rio em 2007, inúmeros outros eventos de porte internacional devem mirar o Brasil nos próximos anos para realização dos mesmos.

    Isso acontece por um excepcional momento de confiança e credibilidade no país, nas políticas (principalmente a monetária) que contribuem para estabilidade macroeconômica (sobretudo o famoso tripé: (i) inflação sob-controle e dentro de níveis decentes,  (ii) política de  câmbio flutuante e  (iii) geração de superávit primário para pagar a dívida), contribuindo esses fatores também para o crescimento do PIB e atraindo enorme fluxo de capital estrangeiro  para o país (diretamente, em obras; e indiretamente, via mercado de capitais).

    Não sei se os estrangeiros sabem que no Brasil tudo acaba em pizza, não somente investigações de políticos corruptos mas também de bandidos influentes, crimes de colarinho branco, CPI’s e diversos outros exemplos que estão nos jornais quase todos os dias. Os casos se resolvem com arquivamentos ou deixando impunes os acusados.

    Mesmo com todas as trapalhadas e decepções políticas e sociais, a economia vai bem e deve manter essa tendência. Como ter tanta certeza que o futuro continuará sendo bom? O nosso presidente, em recente entrevista no seu programa de rádio “Café com o Presidente” (26/10/09) deu a dica para os empresários: INOVAÇÃO! Segundo as famigeradas, inóxias, célebres e notórias (a lá Guimarães Rosa) palavras do presidente Lula (…) Eu vou dar um exemplo de uma inovação: há pouco tempo atrás, para você comer uma pizza, você tinha que sair de casa com a família e ir numa pizzaria para comprar uma pizza. Hoje, você pega o telefone e liga, inovaram com milhares de motocicletas neste país, ou seja, e as pessoas fizeram um dispositivo em que cabe a pizza direitinho lá, leva dezenas de pizza naquela motocicleta e vai entregando de casa em casa. Obviamente, que melhorou muito a venda de pizza, melhorou muito a tranqüilidade da sociedade e melhorou muito a lucratividade do empresário, gerando, inclusive, mais empregos. E é importante que os empresários saibam que nós temos, através do Ministério da Ciência e Tecnologia, através do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), nós temos recursos para que a gente possa ajudar na inovação.

    Fico assim feliz em saber que fomos nós, os brasileiros, que inventamos a caixa, um dispositivo fantástico que serve para colocar as coisas dentro. Fico feliz por termos aperfeiçoamos a tradicional culinária italiana, uma vez que os ítalo-brasileiros trouxeram essa fantástica comida ao país e a fazem muito bem por aqui. Fico ainda mais feliz por saber que o Ministério da Ciência e Tecnologia esteja empenhado nesses tipos de inovação com dispositivos inéditos e estratégicos para o desenvolvimento do país e que conta com amplo suporte financeiro do BNDES. Tenho certeza que foi um brasileiro que popularizou o termo português “delivery”, certamente o mesmo criador do termo “se-si-servi-se”, traduzido como “self-service” séculos mais tarde para o inglês. Outra certeza que tenho é que a redução do IPI de 5% para 0% os fogões é uma estratégia para criar empregos para os entregadores de pizza (a redução do IPI para microondas não aconteceu pois ele não deixa a pizza mais crocante).

    A festa da corrupção, dos desvios de dinheiros, dos favorecimentos pessoais, dos enriquecimentos ilícitos já deve começar! pizza2Que venha a Copa do Mundo, as Olimpíadas e até mesmo os Jogos de Inverno, se for o caso, uma vez que, se tiverem investigações, mesmo os fatos todos apontando em uma direção, já sabemos que vai terminar em pizza e vamos poder dividir com os gringos! Estou torcendo para que a Itália conquiste o penta em 2010 e garanta presença aqui em 2014, assim poderão desfrutar todos os sabores das pizzas do nosso país inovador! Até lá, quem sabe não inventamos um dispositivo para manter em boas condições de conserva as pizzas congeladas que compramos nos supermercados ?!?!

    Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 25/10/2009

    O Colapso: Desafios de Montana, EUA (III)

    Como já diz o ditado “onde há fumaça, há fogo!”. Os problemas ambientais de Montana vão além da mineração e estão intimamente ligados. Com o início das atividades mineradoras, na década de 1880, iniciou-se também a atividade de exploração da madeira. O corte de árvores (principalmente pinheiros) se fez necessário, num primeiro momento, para sustentação das minas (ex: vigas) e para construção de moradias dos novos habitantes da região. Depois, uma nova fase de intensificação da atividade se deu por conta do boom imobiliário depois de 1945.

    Trimotor trailing spray

    Nós economistas (não é exclusividade nossa, eu sei!), logo no início da faculdade aprendemos a maximizar e minimizar funções de produção, no sentido de otimizar custos e lucros e extrair o melhor resultado. Foi isso que aconteceu em Montana, com a ampla utilização do pesticida DDT (mais informações sobre o Dicloro-Difenil-Tricloroetano), no combate aos insetos e com intuito de fazer proliferar de maneira uniforme árvores (que teriam a mesma idade então) e maximizar a produção de madeira. Uma vez feito isso, é mais fácil derrubar todas as árvores de uma região do que selecionar quais arvores devem ser derrubadas, já que são elas, na grande maioria as arvores que cresceram na mesma época e da mesma espécie. Qual o problema de derrubar uma floresta de pinheiros, alguém poderia se perguntar. Um raciocínio que pode ser feito, sem grandes esforços, é: (i) as árvores provêm sombra, proteção aos  (ii) animais e (iii) ao solo (mantém o nível do solo estável com suas raízes e absorvem água que em excesso podem causar erosão) e, ainda, existe o argumento daqueles que acham que a floresta é uma bonita paisagem (argumento bastante válido em um estado que vive do turismo devido às belezas naturais). Sem as árvores começam, os problemas constatados que “a temperatura da água dos rios, que não mais con­tavam com a sombra das árvores, subiu acima dos níveis ótimos para a reprodução e sobrevivência dos peixes; a neve em terreno sem sombra e despojado derretia mais rapidamente na primavera, em vez de liberar gra­dualmente a água necessária para a irrigação das fazendas durante o ve­rão; em alguns casos, aumentou o transporte de sedimentos e piorou a qualidade da água fora uma paisagem menos atrativa. As respostas à esse tipo de prática foram leis ambientais que pregavam a proteção de espécies ameaçadas, proteção da água limpa e manejo das florestas para múltiplos propósitos além da atividade madeireira. Muitas madeireiras fecharam e muitos empregos foram perdidos (a meu ver, a perda de emprego é uma conseqüência negativa para os trabalhadores, mas positiva para a sociedade em geral. Deve-se sim ter em conta que mudar de profissão é bastante difícil numa sociedade que não tem muitas opções de atividades e tem um impacto forte em toda estrutura familiar, devendo então existir uma contrapartida por parte do governo para não criar um problema social).

    Problema resolvido? Não! Tendo essas novas leis algum impacto que incentiva as madeireiras a vender as propriedades para que possam derrubar árvores em outro lugar (já que essa atividade vai continuar existindo, é só pensar em todos os derivados da madeira que usamos no dia-a-dia), é importante também que hajam compradores. Muitos empreendimentos imobiliários buscam especialmente propriedades em frente à rios e lagos, são belas propriedades que os mais afortunados estão dispostos a pagar por qualquer preço, tornando assim o futuro da atividade madeireira incerta no estado.

    Residências de Montana

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    Agora então está tudo resolvido? Não de novo! Devido à equivocadas políticas de proteção ambiental, que tinham inicialmente como objetivo maior a proteção do meio ambiente, os problemas de Montana vão mais longe. Não apenas as mudanças climáticas mas também a ação humana causa resultados inesperados. A primeira ação é devido à intenção das madeireiras em maximizar a produção de árvores para corte posterior realmente contribui para que, durante um período, a paisagem pareça mais densa e mais bonita. A segunda ação humana foi a política de extinção de incêndios do Serviço Florestal dos EUA.  O objetivo de “Apagar todos os incêndios até as 10 da manhã seguinte ao dia em que o incêndio foi identificadoplane_fire_controlteve bastante eficácia, principalmente após a Segunda Guerra Mundial, devido à “disponibilidade de aviões de combate a incêndios, e um sistema de estradas expandido para os caminhões de bombeiro, e tecnologia de combate a incêndios mais desenvolvida” do que antes, fazendo com que a área incendiada diminuísse em 80%. Ótimo, assim as florestas e animais ficam mais protegidos, assim como as pessoas e suas residências, certo? Ótimo!? Essa situação fez com que a densidade das florestas aumentasse de 75 para 500 árvores por hectare, multiplicando por 6,6 também a quantidade de material combustível.

    Os incêndios naturais, anteriores a ação humana (provocados por raios por exemplo), tinham ação importante na manutenção da estrutura da floresta, uma vez que as árvores mais antigas são mais altas e mais resistentes ao fogo, enquanto o bosque abaixo delas é rapidamente consumido, evitando assim longa exposição do fogo às outras arvores e confinando o incêndio ao chão. O intervalo entre um incêndio natural e outro mantinha os bosques se renovando e queimando, num ciclo, enquanto nada acontecia com as árvores mais velhas. Numa situação onde a atividade de extração da madeira se concentra nas árvores mais velhas e mais resistentes (melhor madeira), intensificam a proteção das arvores mais jovens.

    montana_fire11 (…) quando um grande incêndio finalmente irrompe em uma floresta repleta de árvores jovens, seja devido a raios, descuido humano ou (…) incêndios criminosos, as árvores jovens densas e crescidas tornam-se uma escada para que o fogo chegue à copa das árvores. O resultado é, às vezes, um inferno incontível no qual as chamas erguem-se a até 120 metros no ar, e pulam de copa pa­ra copa atravessando grandes espaços vazios, atingindo temperaturas de 1.100ºC, ma tando o banco de sementes de árvores no solo, e que pode ser seguido de deslizamentos de terra e erosão maciça.

    Mas o que a economia tem a ver com isso? No Leste dos EUA, região mais úmida, as árvores mortas apodrecem mais rapidamente do que no seco Oeste, onde há cada vez mais árvores mortas como gigantescos palitos de fósforo. Numa situação ideal, o Serviço Florestal administraria e restauraria as florestas, as desbastaria, e removeria os sub-bosques densos através da poda ou de pequenos incêndios controlados. Mas isso custaria mais de mil dólares por acre. Considerando os 100 milhões de acres de florestas do Oeste dos EUA, o custo total chegaria a 100 bilhões de dólares (algo como o mesmo custo de se realizar 2 vezes a copa do mundo de 2014 e as olimpíadas de 2016 no Brasil). Nenhum político ou elei­tor quer gastar tanto dinheiro. Mesmo que os custos fossem mais baixos, a maioria do público suspeitaria da proposta como apenas uma desculpa para a volta da atividade madeireira em sua bela floresta. Em vez de um programa regular de gastos para a manutenção de nossas florestas em con­dições menos suscetíveis a incêndios, o governo federal tolera florestas in­flamáveis e é forçado a gastar dinheiro inesperadamente sempre que acon­tece uma emergência de incêndio – p.ex., cerca de 1,6 bilhão de dólares para debelar os incêndios que queimaram 16 mil km2 de florestas no verão de 2000”. Como conciliar esses interesses políticos/sociais/economicos? Os moradores de Montana não são muito fãs, por motivos obvios, da política de deixar queimar as florestas, mesmo sabendo que muitas vezes realmente não há como controlar o fogo. Aqueles que tem residencias nas areas selvagens e no meio das florestasdevem saber o risco que correm no caso de um incendio e nao devem colocar pressão no combate ao fogo simplesmente para salvar seus proprios interesses. Ao mesmo tempo, também nao querem ter que gastar dinheiro (indiretamente na forma de impostos para o governo, que poderia reduzir o material combustivel). Esse jogo vai bastante além da economia, mas no fundo tudo tem a ver como nós queremos ter nossos recursos administrados, mitigando os riscos.



    Publicado por: Bruno Massera | 17/10/2009

    Santander: aposta e decepção

    No dia 07 de outubro as units do banco Santander (SANB11) começaram a ser negociadas na Bovespa. A expectativa era grande para o maior IPO do ano no mundo. As ações foram precificadas a R$ 23,50 dentro do intervalo inicial. Uma ala do mercado, na qual me incluo, estava bastante otimista com a oferta publica ainda que a precificação gerasse multiplos superiores aos principais bancos nacionais (Bradesco e Itau Unibanco). A outra ala considerava o Santander caro demais.

    Os que acreditaram numa rápida e forte apreciação motivada pelo potencial do banco e o bom humor internacional se decepcionaram. Os céticos, ou os que achavam que estava caro, regozijaram-se ao ver as ações despencando logo no primeiro dia e comentaram: “Eu já sabia”, “Te avisei que estavam caras”. Falar do passado é sempre fácil.

    Para o investidor dententor das ações a unica boa noticia era que o rateio para o varejo foi alto e apenas 8,16% da reserva foi atendida mais R$ 3.000. Foram poucas ações.

    O mercado abriu próximo das 10:30. O papel começou caindo, deu um repique até os R$ 23,60 e reverteu indo ladeira abaixo. Quase na mínima do dia compramos um pouco mais aguardando um repique no dia seguinte.

    Aqueles que reservaram para vender no primeiro dia assumiram prejuizos. Não era o nosso caso. Queriamos manter o papel por um tempo em carteira mas diante do pessimo início decidimos aguardar alguns dias para ver como o mercado reagiria.

    Para nossa surpresa, enquanto o indice subia forte, a ação despencava. No pior momento bateu nos R$ 22 (pobre dos que venderam). Nos dias seguintes a ação se recuperou um pouco oscilando entre os R$ 22,5 e os R$ 23. Durante 3 dias o papel bateu nos R$ 22,99 e voltou. O mercado continuava subindo.

    O desejo de se desfazer do papel crescia. Nossa carteira estava concentrada em Santander e estavamos vendo o mercado subir e nossa ação cair. Diante da dificuldade em acompanhar uma ação sem historico, apresentando quedas enquanto o mercado subia (imagina se houvesse uma realização geral) e uma aparente sobrecompra do índice, decidimos vender os papéis para realocarmos a carteira.

    A ordem de venda foi dada na quarta (14/10) com validade até sexta (16/10) ao preço máximo atingido na semana de R$ 22,99 que aparentava ser uma forte resistência.

    O que aconteceu no dia seguinte? A ação se valorizou fortemente deixando a resistência para trás e fechando próximo aos R$ 23,40, acima do nosso break even de R$ 23,17. Já era tarde. A ordem tinha sido executada a R$ 22,99.

    Na sexta a ação bateu nos R$ 23,70 e voltou para fechar a semana a R$ 23,40. O resultado da operação ficou em 1%, não sendo de todo ruim, mas a rápida resposta do mercado 1 dia após a ordem de venda foi como um tapa na cara. Olhando depois do termino da semana seria fácil dizer para ter esperado até sexta e vendido. Mas e se a bolsa tivesse realizado forte e a ação despencado? O prejuízo seria muito maior.

    Abaixo segue o gráfico (bloomberg) da SANB11 até as 14h de sexta (16/10). Façam suas análises e tirem suas conclusões.

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