Publicado por: Guilherme Byrro Lopes | 08/04/2014

Porque o Brasil teve a nota rebaixada? (ou “não há nada mais justo do que corrigir um erro”)


“If you make a mistake and do not correct it, this is called a mistake.”
― Confucius

Antes de mais nada, acho que não há nada mais justo do que corrigir um erro, como propõe a citação. A ideia não me pareceu de toda ruim quando pensei em juntar algumas capas de um jornal que assino o Estadão (citando a fonte de toda a informação), um dos maiores jornais do país, para resumir, em alguns temas, os motivos pelo qual o Brasil nunca mereceu ter uma boa nota de investimento, ainda que possa ter um mínimo de “investment grade”.

Para mostrar que isso não é uma completa baboseira, peguei as capas e conteúdo apenas do mês de JANEIRO desse ano. Vale lembrar que esse é apenas UM dos veículos de comunicação que escolhi como exemplo e apenas UMA fonte. Fica a sugestão aos leitores fazer isso com outros jornais ou por um período mais curto de tempo, que chegarão a conclusões parecidas, que esse ainda é um país péssimo para se viver e péssimo para investir seu dinheiro (esperando uma boa margem de retorno). Ainda que péssimo, eu sei que é melhor do que muitas outras nações, mas eu estou mais preocupado em melhorar o péssimo do que achar que somos melhor do que pequenas repúblicas de banana. Sem mais delongas…

Porque o Brasil teve a nota rebaixada?


1 – Saúde

saude 1

saude 2


2 – Transporte e Mobilidade Urbana

moburbana 1

moburbana 2


3 – Política e Corrupção

politica 1

politica 4

politica 5

politica 6

 


4 – Educação

educacao 1

educacao 2

educacao 3


5 – Segurança

seguranca 2seguranca 1

seguranca 3 seguranca 4

seguranca 5

seguranca 6


6 – Transparência (Falta de, …)



politica 2
transparencia 1

transparencia 2

 


7 – Desigualdade

desigualdade 1

desigualdade 2

 


8 – Planejamento

planejamento 1

planejamento 2

planejamento 3

 


9 – Aeroportos

aeroportos 1


10 – Economia
economia 3 economia 2 economia 1

economia 4

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Responses

  1. Guilherme, em tese, e em linhas gerais, as ratings classificam suas notas de acordo com sua capacidade de honrar obrigações assumidas.

    Ou seja, vale o risco de crédito avaliado do devedor.

    O risco de crédito soberano do Brasil permanece o mesmo. Temos USD 380 BI de reservas, dívida bruta e líquida estáveis, e até cadente ( líquida), etc…sem mais delongas…..

    Portanto, as nada confiáveis ratings de crédito ( lembra-se de 2008….classificando hipotecas subprime como triple AAA ) apenas saõ mais peça na engrenagem visando à fragilização do governo central.

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  2. Ainda: acabo de ler que a meta de superavit primário do governo central foi alcançada no quadrimestre encerrado no último dia 30. Algo próximo à R$ 28 BI.

    Portanto, risco de crédito nulo……..

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    • Hilario, antes de mais nada eu concordo com você em relação à credibilidade das agencias de Rating, isso não é ponto de discussão para ninguém e todos sabemos o quanto prejudicial foi a avaliação dessas para economia global. Contudo, em linhas gerais as empresas de rating vão avaliar não apenas a capacidade de honrar as obrigações assumidas hoje, mas também a perspectiva futura de continuar honrando as obrigações. Com isso elas sinalizam para investidores qual a qualidade do país em termos de segurança dos investimentos. Ou seja, é mais olhando para o futuro e quais as perspectivas econômicas do que olhando para o presente, afinal boa parte da divida assumida vai ser paga no futuro e não no presente. Com isso é também muito importante olhar qual a capacidade futura do pagamento e não apenas a situação presente.
      Posto isso, devo dizer que os indicadores do país não apontam para cenários positivos:
      A inflação (que não está descontrolada, como algumas pessoas afirmam) continua alta. Isso é um problema crônico na economia do país (independente de partidos) e que não anima os investidores (para quem as empresas de rating estão sinalizando). As informações do BC são de que a inflação chegue na meta estipulada lá pra 2016. Aqui vai um sinal negativo de perspectiva.
      O superávit do governo é algo bastante complexo, pois infelizmente não podemos olhar apenas os números, mas as origens deles. No final de 2013, por exemplo, o governo comunicou superávit no ano de R$75 bi, superior à meta de R$73 bi. Isso se deu com receita de R$ 20 bi do REFIS e R$ 15 bi de bônus de concessão do campo de libra do pré-sal (receita atípica). Só ai o esforço efetivo do governo é muito menor, já que essas coisas não são recorrentes. Além disso, tem o valor que o governo não paga e inclui como Restos a Pagar. A inscrição de Restos a Pagar do sistema federal aponta cerca de R$ 46,5 bi que foram despesas que aconteceram mas o governo não pagou. Ainda R$188,9 bi de restos a pagar não processados. Se existisse a conta do superávit por regime de competência ao invés de regime de caixa, não existiria superávit primário. Até recursos do Minha Casa Minha Vida e do Bolsa Família deixaram de ser repassadas aos municípios para que o número ficasse bonito. As agencias de rating não são assim tão ingênuas e também olham isso, o governo empurra as coisas pra frente. Mais um sinal negativo.
      A balança comercial (como exemplo) vai de mal a pior, o país já teve mais de US$40bi de superávit por meses e agora registrou déficit de US$5,6 bi no primeiro quadrimestre do ano e com acentuação da pior. As reservas que acumulados foram decorrentes dos superávit acumulados ao longo dos anos, que agora caminha para déficits acumulados. A economia global não vai bem, logo as exportações não deslancham. Mais um sinal negativo.
      Surgem análises de gente séria sobre risco de falta da água na maior cidade do país, crise no setor energético, crise no sistema logístico (e condições precárias dos aeroportos), e isso é só o lado econômico. Quem vai colocar dinheiro num país em que não tem água, luz, estradas decentes para movimentação de pessoas e carga, aeroportos para movimentação de pessoas e geração de negócios. Falta gestão no país e isso vale para o governo federal e os governos estaduais e os municipais, independentemente de orientação política.
      E o que as notícias do post tem a ver, já que não são sobre economia, certo? Só o lado econômico já está com muitos sinais negativos, apontando para situações piores do que tínhamos antes. Dai segue que a saúde vai mal, logo o trabalhador que tiver problemas de saúde vai ter dificuldades. O transporte público vai mal, logo o trabalhador tem dificuldades, a segurança vai mal, logo o trabalhador tem riscos maiores de ser morto do que em outros países mais civilizados, há recorrentemente denúncias de corrupção em todo o país, a educação é horrível, melhorou mas continua péssima, tem que melhorar MUITO para ficar apenas ruim, logo o trabalhador é muito mais desqualificado em média do que nos países mais desenvolvidos, o dinheiro dos impostos é mal gasto e falta transparência nos usos, o que estimula a educação e a saúde a continuarem ruins e os políticos a usarem mal ou de maneira indevida; não existe planejamento sério no setor energético, de abastecimento e de logística, logo empresa nenhuma vai querer se instalar ou investir num país assim e não serão criados novos potenciais postos de trabalho.
      Se só olhando para a economia havia sinais ruins, olhando para o resto são ainda piores. Se eu fosse uma agência de rating eu não teria feito diferente. Claro que essa é só minha visão, acredito que você pense diferente e se quiser compartilhar, ficaria também satisfeito em saber.

      Eu torço por um Brasil melhor, com gente séria, dedicada, transparente e eu sei que tem muita gente assim no país. Sei que tem muita gente certa e que também torce e faz sua parte e a parte dos outros. Sei que há iniciativas que estão melhorando o país, mas disso pra que eu tenha esperança em um país socialmente e economicamente MUITO melhor do que temos hoje, há um grande abismo, há que se superar enormes desafios nessas áreas (e não apenas em algumas). O que eu acredito é que vamos continuar a melhorar, mas nessa toada de avanços bastante moderados e a passos lentos. Isso vale também para os indicadores econômicos que as agências de rating avaliam e para as notas que elas sinalizam para os investidores. Se o risco de crédito no dia de hoje é nulo, não se pode dizer o mesmo para esse risco no futuro, que foi por onde eu comecei a resposta.

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  3. Guilherme, somos o quarto ou quinto maior receptor de IED num universo de mais ou menos 150 países. Nos últimos tem entrado cerca de USD 60 BI/ano. Se estivéssemos mal na fita, em algum momento haveria retração nesse fluxo.

    Não esquecendo que ainda somos grau de investimento.

    Quanto à inflação, o cenário em nada mudou. Temos um médio de uns 5% à 6% a.a. desde 1999, ano da criação do tripé. Portanto, creio que temos uma inflação num patamar constante, e que não tem afetado o ingresso de IED.

    Esse ano não temos receitas não recorrentes, e até o 1ª quadrimestre tudo indica que cumpriremos a meta parcial.

    O deficit em conta corrente será mais uma vez em grande parte coberto pelo IED, e o que faltar as inversões em portfólio certamente fecharão a conta corrente. O que tudo indica, e leva a crer que o nível de reservas cambiais permanecerá estável.

    No mais como vc disse, estamos caminhando a passos lentos, realmente. Mas o que podemos fazer no momento.

    Não podemos esquecer o passivo social a ser enfrentado e a ser “pago”. As concessões estão saindo, e há tendência da oferta de serviços de infra estruturas voltando a alinhar à demanda, mas num patamar mais alto.

    E ainda temos um contingente enorme de brasileiros a serem incluídos no mercado de consumo. Enfim, temos muito a fazer, e estamos no caminho certo: crescimento ( agora um pouco mais lento ) mas com inclusão do ser humano no processo social.

    Um abraço

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    • hilario, passado alguns meses, continua otimista até 2018 ?

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